Crianças de favelas recém-pacificadas do Rio de Janeiro aprendem História ligada a Portugal

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Crianças de favelas recém-pacificadas do Rio de Janeiro aprendem História ligada a Portugal

Crianças de favelas recém-pacificadas do Rio de Janeiro tiveram a oportunidade de conhecer o passado histórico brasileiro, ligado a Portugal, com projectos sociais que envolvem visitas a museus e palácios do período imperial.

 “Nossa! Quanta antiguidade!”, deslumbrou-se um dos estudantes ao entrar na primeira divisão do Palácio Imperial de Petrópolis, utilizado como casa de veraneio por D. Pedro II [filho de Pedro IV, de Portugal] e sua família.
 “Até no calor usavam essa roupa?”, questionou outro aluno ao ver os trajes típicos utilizados na época.
 A visita, que incluiu crianças entre oito e 12 anos, faz parte do projecto de integração entre os soldados das Unidades de Polícia Pacificadoras (UPP) e os moradores dos bairros que até pouco tempo eram dominados pelo tráfico de drogas.
 A maior parte destes estudantes frequentam escolas públicas de má qualidade e até então não contavam com oportunidades como essas, que visam unir entretenimento e conhecimento.

 “É uma forma de inclusão social também. Porque, no futuro, em uma conversa, a criança pode dizer que já foi [ao Museu] e se igualar aos demais jovens de sua idade”, defende o polícia militar Maciel de Freitas, actualmente ligado à UPP da Mangueira, na zona norte do Rio de Janeiro.
 A falta de informação a respeito da história do país é evidente, mas é atenuada pelo interesse em aprender, demonstrado pela maioria.
 “Nunca me contaram essa história de português, não, tia”, afirmou Isabela da Silva Diniz, de 10 anos, moradora da comunidade do Tuiuti, que recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora há três meses.

 “Aprendi muita coisa que não sabia. Você sabia que aquela coroa que estava sem jóias é porque as pedras foram para a outra coroa, do D. Pedro II?”, afirmou a mesma menina Isabela, bem mais informada, após a visita.
 A contrastar com o nível das 60 crianças que participaram do passeio, o estudante Luiz Henrique Silva de Souza, de 12 anos, sabia citar nomes e datas históricas relacionados com a família Real Portuguesa.

 “O que eu mais gostei no Palácio foi o quadro da coração de D. Pedro II. Acho que ele e o D. Pedro I realmente fizeram alguma coisa pelo Brasil, porque o Pedro Álvares Cabral só explorou os índios”, opinou Luiz Henrique, que nunca havia participado numa actividade extra-escolar.
 Acompanhados durante o passeio por cinco membros da Unidade de Polícia Paci-ficadora (UPP), os 60 estudantes demonstraram respeito e total integração com os novos responsáveis pela segurança de suas respectivas comunidades.
 “Antes, eu só saia para o colégio. Não podia brincar na rua porque tinha muito tiroteio. Minha mãe até falava para eu não ficar na janela, senão eles [traficantes] podiam achar que a gente estava reparando para denunciar para a polícia”, contou Ivan Oliveira, de 12 anos, morador da comunidade dos Macacos, na zona norte carioca.

Os projectos sociais destinados a estas crianças incluem ainda aula de futebol, artes marciais, canto e violão, todas ministradas pelos próprios polícias.
 A intenção é garantir a integração entre os representantes do poder público e as crianças e adolescentes acostumados apenas à ordem do tráfico.