CPLP impediu politização do tema das migrações em Portugal – Luís Amado

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CPLP impediu politização do tema das migrações em Portugal - Luís Amado

O ex-ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, aplaudiu a “responsabilidade” dos políticos portugueses por nunca terem usado a imigração como arma política, devido em parte, disse, à criação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

 “Foi bom que em Portugal nas últimas décadas nunca tivéssemos tido, até hoje, ne-nhuma querela em torno da questão migratória, do ponto de vista político. Não houve nenhuma tentação, por parte de qualquer força política, de instrumentalizar a imigração do ponto de vista eleitoralista, ou do ponto de vista do poder imediato”, afirmou Luís Amado na sessão de abertura do 11.º congresso da revista Cais.
 Com o tema “Portugal Emigrante, Por um Não-Coagido Fluxo Migratório”, o congresso, organizado em cooperação com a Universidade Católica, tinha como objectivo debater os fenómenos da migração, olhar para a forma como o poder político e económico lida com o fenómeno e reflectir sobre as características dos que hoje deixam Portugal para trabalhar no exterior, bem com dos imigran-tes que Portugal recebe.
 Para Luís Amado, o facto de em Portugal “todas as forças políticas, sem excepção” terem exercido “um grande sentido de responsabilidade” prende-se com o trabalho português de constituição da CPLP, enquanto organismo multilateral que reúne os países de expressão portuguesa.

 “O processo de acolhimento de imigrantes das ex-colónias portuguesas, incluindo o Brasil, desenvolveu-se ao mesmo tempo que os países de língua oficial portuguesa procuravam constituir um fórum internacional de debate e de promoção dos interesses comuns no quadro da CPLP”, afirmou.
 “Seria absolutamente contra-producente não usar de sensatez, de moderação e equilí-brio na definição de políticas relativas às migrações (…) se, ao mesmo tempo que estávamos a procurar constituir uma comunidade de povos de língua portuguesa, usássemos a querela migratória como fator de perturbação”, acrescentou Luís Amado.
 A crise actual, que o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros considerou “a mais grave desde que o regime democrático se fundou em Portugal”, em 1974, levando também cada vez mais portugueses a abandonar o país por razões económicas, dá também uma no-va relevância ao tema, segundo Amado.
 “A emigração em Portugal ganha uma nova actualidade com os impactos económicos e sociais provocados por esta crise, e pela evidente dinâmica migratória que, de novo, se apodera da sociedade portu-guesa, em particular das gerações mais novas mas, também, de setores da população que, de repente, se veem de-samparados relativamente às oportunidade de emprego e de realização das suas expectativas de vida e de bem-estar”, afirmou o ex-responsável pela diplomacia portuguesa.
“É um fenómeno novo (…) que nos impõe um quadro recessivo extremamente preocupante relativamente às oportunidades de emprego e de bem-estar. É, por isso, um tema político central na equação que o país tem de procurar resolver ao longo desta década”, concluiu Luís Amado.