Covid-19: Polícia sul-africana retira centenas de refugiados de igreja ocupada na Cidade do Cabo

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A polícia sul-africana retirou hoje centenas de refugiados que ocupavam desde a onda de violência xenófoba no país, em Setembro do ano passado, uma igreja no sudoeste da Cidade do Cabo, reivindicando ajuda da ONU.

Estes migrantes, oriundos de outros países africanos, ocupavam há meses aquela igreja, com o objectivo de conseguirem obter ajuda do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) para serem transferidos para outro país, segundo a imprensa local.

Desde a onda de violência xenófoba que afectou a África do Sul, em Setembro, e provocou pelo menos 12 mortos e grandes danos materiais, estes migrantes diziam que não se sentiam seguros no país.

Após terem sido expulsos em Outubro de 2019 da entrada dos escritórios do ACNUR na Cidade do Cabo, onde se concentraram durante vários dias, refugiaram-se numa igreja metodista e numa praça na zona turística popular da Cidade do Cabo.

No início de Março deste ano, os migrantes acampados na praça foram retirados, mas os que se encontravam na igreja continuaram até hoje naquele local.

Centenas de polícias, com o rosto protegido com máscaras, entraram no edifício da igreja depois de terem arrombado as portas de madeira, relatou a imprensa.

“Expulsar-nos não é seguro por causa do vírus”, disse a refugiada congolesa Aline Bukuru, referindo-se à pandemia originada pela covid-19.

“A África do Sul será punida por isso”, reagiu outro dos refugiados.

As pessoas foram levadas para um local fora da cidade onde são acolhidos os sem-abrigo durante a pandemia.

Os refugiados, que viviam em condições sanitárias deploráveis na igreja, manifestaram preocupação quanto à escolha do local para onde iriam ser transferidos temporariamente.

“Quando se fica com os sem-abrigo, não se está a salvo. Estão expostos às drogas e a muitos perigos”, disse Aline Bukuru.

A África do Sul é o país da África Subsaariana mais afestado pela covid-19, com mais de 1.400 casos confirmados, incluindo cinco mortes.