Covid-19: África do Sul encerra fronteiras e declara desastre nacional perante subida de infecções

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A África do Sul encerrou pelo menos 35 dos 52 postos de fronteira terrestres, de um total de 72 portos de entrada e saída do país, anunciou o presidente Cyril Ramaphosa ao declarar o estado de desastre nacional perante a subida do número de infecções de Covid-19 no país, nas últimas horas.

“Dois dos portos marítimos vão ser encerrados a cruzeiros e navios de passageiros”, adiantou o chefe de Estado sul-africano sem precisar mais detalhes.

“Inicialmente eram pessoas que viajaram para o estrangeiro, nomeadamente Itália, que testaram positivo a infecção do vírus, mas é agora preocupante o facto de estarmos a lidar com a transmissão a nível interno e o número de infecções confirmadas ascende agora a 61 casos”, disse Ramaphosa numa comunicação ao país transmitida na noite de domingo pelas televisões nacionais sul-africanas.

“O Conselho de Ministros reuniu-se hoje [domingo] extraordinariamente (…) e decidimos tomar medidas urgentes para gerir a pandemia, proteger os cidadãos do nosso país e reduzir o impacto do vírus na nossa sociedade e na nossa economia”, afirmou.  

O Governo declarou o estado de desastre nacional, declarou o chefe de estado na comunicação ao país.

Nesse sentido, o Presidente da República anunciou a proibição de viagem para cidadãos estrangeiros oriundos de países considerados de elevado risco, a partir de 18 de Março.

O chefe de Estado disse que os países afectados são a Itália, Irão, Coreia do Sul, Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Reino Unido e China.

“Cancelamos a partir de hoje os vistos para visitantes desses países”, adiantou.

Os cidadãos sul-africanos devem evitar imediatamente qualquer forma de transporte, para ou através da União Europeia, Estados Unidos, Reino Unido e de outros países identificados como sendo de alto risco de infeção do Covid-19, como a China, o Irão e a Coreia do Sul, instou o presidente Cyril Ramaphosa.

O chefe de Estado anunciou que o país irá negar a concessão de vistos de entrada a todos os cidadãos estrangeiros que visitaram países de elevado risco nos últimos 21 dias.

Cidadãos sul-africanos de regresso de países infectados pela pandemia Covid-19 serão submetidos a análises clínicas e auto-isolamento ou quarentena.  

“Visitantes de países de médio risco como Portugal, Hong Kong e Singapura, vão estar sujeitos a um elevado nível de segurança e testes de saúde altamente rigorosos à chegada ao país, adiantou Ramaphosa.

Todas as pessoas que entraram na África do Sul oriundas de países de elevado risco desde o passado mês de Fevereiro, são obrigados a fazerem os testes de saúde”, salientou.

O presidente disse que a África do Sul vai reforçar as medidas de segurança e de saúde nos aeroportos internacionais de OR Tambo, em Joanesburgo, Cape Town International, na Cidade do Cabo e King Shaka International, em Durban.

O chefe de Estado sul-africano anunciou a proibição imediata de viagens “não essenciais” ao estrangeiro a todos os membros do governo sul-africano, quer nacional como provincial e local.

“Desencorajamos todas as viagens internas, que não sejam prioritárias, por avião, comboio e autocarro”, declarou.

O Presidente Ramaphosa apelou aos sul-africanos a restringirem também o contacto social por forma a reduzir a propagação e contágio do Covid-19 no país.

Nesse sentido, o chefe de Estado anunciou que o governo proibiu a realização de eventos públicos com mais de uma centena de pessoas e que a celebração de feriados públicos e outros eventos governamentais serão cancelados.

“As escolas vão encerrar a partir de quarta-feira, 18 de Março, até depois do fim-de-semana da Páscoa”, adiantou.

Ramaphosa disse também que o governo está a reforçar as condições de higiene e medidas de saúde nas universidades e instituições do ensino superior, ministérios, estabelecimentos prisionais, polícia e quartéis militares.

O governo proibiu a partir de hoje [domingo] todas as visitas a estabelecimentos prisionais por trinta dias, declarou, apelando às empresas, comércio, centros comerciais e setor privado em geral, a reforçarem as medidas de higiene.

Ramaphosa anunciou que as autoridades vão instalar centros de isolamento e quarentena em cada distrito e área metropolitana do país; re-forçar a capacidade nos hospitais identificados, e um conselho de comando na Presidência para coordenar a resposta de emergência nacional, sem precisar mais detalhes.

“Este é um momento nacional que exige uma concertação de esforços comum, esta pandemia irá passar, mas cabe a nós decidir até quando ficará entre nós e o tempo que levará a recuperar a nossa economia e o nosso país”, concluiu o chefe de Estado sul-africano na comunicação ao país.    

Até esta segunda-feira, o total de infecções de Covid-19 na África do Sul era de 61 casos confirmados em quatro províncias do país – Gauteng, KwaZulu-Natal, Western Cape e Mpumalanga e não havia ainda mortes relacionadas com o Covid-19 a registar pelas autoridades de Saúde da África do Sul.

O novo coronavírus responsável pela pandemia de Covid-19 foi detectado em Dezembro, na China, e já provocou mais de 6.400 mortos em todo o mundo.

O número de infectados ronda as 164 mil pessoas, com casos registados em pelo menos 141 países e territórios.

O epicentro da pandemia provocada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) deslocou-se da China para a Europa, onde se situa o segundo caso mais grave, o da Itália, que anunciou no domingo 368 novas mortes e que regista 1.809 vítimas fatais.

Além de China e Itália, os países mais afectados são Irão, com 724 mortos (113 novos), Espanha, com 288 (152 novos), e França, com 91 (11 novos).

Face ao avanço da pandemia, vários países têm adotado medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena inicialmente decretado pela China na zona do surto.