Covid-19: África do Sul anuncia o equivalente a 10% do PIB para salvar economia

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O Presidente da África do Sul anunciou hoje um pacote de 500 mil milhões de rands (24,43 mil milhões euros), o equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, para salvar a economia do impacto do novo coronavírus.

“Este pacote de medidas de estímulo à economia é o equivalente a cerca de 10% do nosso PIB”, adiantou Cyril Ramaphosa, numa comunicação ao país pela televisão nacional.

O chefe de Estado referiu que o “apoio social e económico maciço” contempla a canalização de cerca de 130 mil milhões de rands (6,35 mil milhões de euros) do orçamento, fundos domésticos, nomeadamente através do Fundo de Desemprego, e ainda empréstimos junto de parceiros globais e instituições financeiras internacionais.

Nesse sentido, Cyril Ramaphosa adiantou que o Tesouro está a negociar “opções de financiamento” com o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, o banco BRICS (bloco regional formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o Banco Africano de Desenvolvimento.

As principais prioridades do Executivo sul-africano são combater o vírus e aliviar a “fome e a angústia social”, enquanto milhões de sul-africanos lutam pela sobrevivência, declarou Ramaphosa, acrescentando que o “orçamento extraordinário” será anunciado mais em detalhe nos próximos dias.

Ramaphosa informou também que “um décimo do novo orçamento especial será canalizado nos próximos seis meses para as pessoas mais carenciadas e vulneráveis no país​”, onde a pandemia do novo coronavírus “exacerbou as desigualdades”, salientou.

“Estamos decididos em, não apenas retornar a nossa economia para os níveis onde estava antes do coronavírus, mas também, em criar uma nova economia e uma nova realidade global”, sublinhou.

“A nossa nova economia deve basear-se no empoderamento, na justiça e na igualdade”, adiantou Ramaphosa.

No seu discurso, o chefe de Estado sul-africano reconheceu que a distribuição de alimentos feita pelo Governo não conseguiu atender à “enorme necessidade” que surgiu desde o início do confinamento obrigatório de 21 dias em 27 de Março.

Para atender à crescente fome no país, as autoridades vão distribuir cerca de 250.000 pacotes de alimentos em todo o país nas próximas duas semanas, prometeu Ramaphosa ao país, condenando veementemente relatos sobre o envolvimento de funcionários públicos no desvio da ajuda alimentar.

“A pobreza e a insegurança alimentar aprofundaram-se drasticamente ao longo de apenas algumas semanas”, sublinhou o Presidente da República.

Outras prioridades anunciadas por Cyril Ramaphosa incluem medidas de protecção a empresas e trabalhadores, e aumentos especiais nos subsídios sociais dos quais cerca de 16 milhões dos cerca de 59 milhões de habitantes na África do Sul dependem para sobreviver.

Uma grande parte da força de trabalho no país está no sector informal de baixo rendimento, que foi duramente afectado pelo ‘lockdown’.

O confinamento parou temporariamente quase toda a actividade económica no país, com apenas trabalhadores essenciais em sectores como a Alimentação e a Saúde a serem autorizados a trabalhar.

O FMI aprovou este mês 500 milhões de dólares em fundos de alívio da dívida para 19 dos países mais pobres de África, para ajudar no combate à pandemia, segundo a agência Associated Press.

Através da União Africana, os líderes do continente apelaram ainda à comunidade internacional a disponibilizar pelo menos mais 100 biliões de dólares em ajuda para o combate do vírus no continente africano.

A África do Sul regista 3.465 casos positivos de infecção pelo novo coronavírus, tendo realizado desde 01 de Março 126.937 testes, dos quais 5.427 nas últimas 24 horas, anunciou hoje o ministro da Saúde, Zweli Mkhize.

O governante informou por videoconferência que as autoridades da Saúde sul-africanas registaram hoje 165 novos casos positivos de covid-19.

Até à data, 1.055 pacientes recuperaram da doença respiratória, referiu Zweli Mkhize, adiantando que a pandemia já causou no país 58 mortos.

A nível global, segundo um balanço da AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 174 mil mortos e infectou mais de 2,5 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 567 mil doentes foram considerados curados.