Covid-19: 55 milhões de sul-africanos correm risco de infecção, adverte epidemiologista

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Cerca de 55 milhões de pessoas correm o risco de contrair a doença pandémica covid-19 na África do Sul, onde já causou 27 mortos e mais de 2.000 casos de infecção, advertiu o epidemiologista Salim Abdool Karim.

“Não vamos conseguir escapar a esta epidemia. O cenário mais provável é que a África do Sul atrasou apenas a propagação da covid-19 e, assim que se levantar o ‘lockdown’, cerca de 55 milhões de pessoas encontram-se vulneráveis a este vírus”, salientou o epidemiologista sul-africano.

A África do Sul decretou medidas excepcionais de contenção da epidemia, após declarar o primeiro caso positivo em 05 de Março.

O país regista 58,78 milhões de habitantes, de acordo com uma estimativa populacional semestral divulgada em Julho de 2019 pela entidade estatística nacional StatsSa, sendo que mais de metade vive marginalizada, sem acesso a serviços públicos devido às políticas de governação do Congresso Nacional Africano, o partido no poder desde 1994.

Salim Abdool Karim, que é também o principal assessor do Governo na estratégia de contenção da pandemia no país, anunciou ainda que a África do Sul já tem capacidade para fazer 50.000 testes por dia.

Nas próximas semanas, referiu a mesma fonte, os funcionários da saúde sul-africanos vão realizar testes de covid-19 de “porta em porta”, nomeadamente nas comunidades vulneráveis, para se anteciparem a uma propagação de “proporções gigantescas”, adiantou o especialista, referindo-se à propagação da epidemia nos Estados Unidos.

“Vimos que, em Nova Iorque, os negros e hispânicos registaram o dobro de óbitos comparativamente aos brancos, e o que percebemos disso é que se trata fundamentalmente de acesso a serviços de saúde”, declarou.

O responsável prosseguiu: “Nós não podemos permitir que isso continue na África do Sul, temos que garantir o acesso a cuidados de saúde para todos os habitantes, sempre que necessitarem.”

O epidemiologista sul-africano disse estar “particularmente preocupado” com o facto de existirem 2,5 milhões de seropositivos no país, que não estão em tratamento médico retroviral, juntamente com pacientes de tuberculose, que não quantificou.

“Temos de estar preparados para um possível fardo adicional que estas pessoas representam, além de que a epidemia da covid-19 acontece na mesma altura da nossa epidemia anual de gripe”, adiantou Salim Abdool Karim.

A África do Sul, que decretou o confinamento de 21 dias em 23 de Março, precisa também de um ‘lockdown voluntário’ até ao final de Setembro para pessoas com mais de 60 anos”, sublinhou o especialista aos participantes de uma conferência de imprensa, em Durban, litoral do país, que juntou na segunda-feira ainda cientistas e académicos e foi transmitida pela televisão.

A epidemia da covid-19 já causou 27 mortos na África do Sul, desde 01 de Março, disse por seu lado o ministro da Saúde Zweli Mkhize.

O governante informou que o país registou segunda-feira 99 novos casos de infecção do novo coronavírus, elevando o total para 2.272 casos positivos no país.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já provocou mais de 114 mil mortos e infectou mais de 1,8 milhões de pessoas em 193 países e territórios. Dos casos de infecção, quase 400 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em Dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.