Costa mantém “toda a confiança política” na ministra do Trabalho e Segurança Social

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O primeiro-ministro manifestou “toda a confiança política” na ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, alvo de críticas devido a uma entrevista que gerou polémica no tema dos casos de covid-19 em lares de idosos.

  António Costa recusou “alimentar polémicas artificiais”, em declarações aos jornalistas após presidir à reunião do Centro de Coordenação Operacional Nacional (CCON) da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC), na sede de Carnaxide.

  “Não vale a pena pedirem a demissão de membros do Governo porque, quando eu não tiver confiança nalgum, resolvo o problema. Tenho toda a confiança [política] na ministra Ana Mendes Godinho, no trabalho excecional que tem vindo a fazer”, garantiu, referindo-se ao trabalho daquele ministério na proteção do emprego ou na criação de novas prestações sociais.

  A dimensão dos surtos de covid-19 nos lares de idosos “não é demasiado grande em termos de proporção”, respondeu Ana Mendes Godinho, em entrevista publicada no jornal semanário Expresso, admitindo ainda falta de funcionários naquelas instituições.

  “Não só não houve nenhuma desvalorização como o Estado não regateou esforços, até mobilizou as Forças Armadas, dando assistência médica e pessoal. Não vale a pena. A situação já é suficientemente grave para estarmos a gastar energias com polémicas que são artificiais. Que cada um faça o seu trabalho. Eu nunca gosto de alimentar polémicas”, continuou o primeiro-ministro.

  O chefe do Governo lembrou que houve “um aumento de 5,5% das transferências para os lares”, que são “mais de 2.000 em todo o do país”, com “mais de 90 mil utentes” e “mais de 60 mil profissionais”.

  António Costa recordou também que, no caso do lar de Reguengos de Monsaraz, no qual 18 pessoas morreram, vítimas do novo coronavírus covid-19, a ministra “instaurou um inquérito, logo no dia 12 de Julho e, a 16 de julho, comunicou os resultados ao Ministério Público”.

  “Alarguei o meu estômago para ter uma maior capacidade de digestão de muitas das coisas que vou ouvindo e às quais não vou responder agora”, ironizou.

  O primeiro-ministro sublinhou que, “em 2019, foram encerrados cerca de 100 lares, que estavam a funcionar sem condições”, através da fiscalização do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

  “O que temos de fazer é unir esforços e não estar a apontar o dedo uns aos outros. Também podia fazê-lo, mas não o vou fazer. Engolirei em seco e farei a minha digestão”, concluiu.

  Na oposição, o PSD pediu a audiência urgente da responsável governativa no parlamento, enquanto CDS-PP e Chega exigiram mesmo a sua demissão.