Corrupção ameaça soberania De Moçambique – diz Alberto Chipande

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Moçambique

MoçambiqueA suposta tendência de os governantes moçambicanos exigirem "comissões" ilícitas nas negociações com as multinacionais põe em causa a soberania do país, acusou o general Alberto Chipande, ex-ministro da Defesa de Moçambique, entre 1975 e 1994.

Alberto Chipande, um dos membros mais influentes do partido no poder em Moçambique, Frelimo, alertou para o perigo de os moçambicanos se "tornarem estrangeiros" em relação à economia do país, para sublinhar o empenho de Samora Machel, primeiro Presidente moçambicano no pós-independência, na defesa da soberania do país, numa palestra sobre o falecido estadista.

 "Seremos estrangeiros da nossa própria economia, se não formos vigilantes em relação ao hábito de recebermos migalhas, que se chamam co-missões", enfatizou Alberto Chipande, que, com 72 anos, é actualmente o deputado mais velho da Assembleia da República de Moçambique.

* Carlos Queiroz investe nos  diamantes em Moçambique e tem como sócio Chipande

O que poderão ter em comum o treinador de futebol Carlos Queiroz, o filho do general que disparou o primeiro tiro contra os portugueses na luta pela libertação nacional e o presidente da Federação de Futebol de Moçambique? A resposta está no Boletim da República de Moçambique de 18 de Abril de 2011.

 No jornal oficial desta data consta o registo de uma empresa com escritura assinada a 14 de Fevereiro deste ano e que se chama Niassalândia Lda. E que tem, como únicos sócios, Carlos Manuel Brito Leal Queiroz, Jorge Manuel Oliveira da Silva, Alberto Joaquim Chipande Júnior – filho do general Chipande – e a sociedade RIL-Rex Investimentos Lda, pertencente a Fezal Sidat, presidente da federação moçambicana de futebol.

 A Niassalândia, além de pretender actuar na indústria de madeiras, tem em vista «a exploração de actividade mineiras, prospecção e pesquisa geológica, compra e venda de recursos minerais preciosos e semipreciosos, gemas, esmeraldas, rubis, turmalinas, ouro e todos os outros tipos de pedras e minerais e abertura de uma fábrica – de processamento destes materiais», segundo o Boletim da República.

 A sede da empresa será na província do Niassa, no distrito de Marangira. Esta é uma das províncias menos desenvolvidas do país, no Norte. E na proposta do Plano Económico e Social de Moçambique para 2008, um dos objectivos era a electrificação da vila-sede deste distrito. Este cenário faria crer que qualquer investimento na região teria de ser acompanhado de um capital social capaz de colmatar as lacunas de infra-estruturas.
 Ora, o capital social da Niassalândia é de 50 mil meticais – pouco mais de mil euros, com cada sócio a contribuir com 12.500 meticais (cerca de 280 euros).

 Um capital social pouco ambicioso que entra em contra-dição com os negócios dos sócios da empresa. Em Moçambique, Queiroz possui a Mangoma, Lda, cujo capital social é de 20 milhões de meticais, sendo que ao ex-seleccionador português pertencem 40%, correspondentes a oito milhões de meticais (188 mil euros). A isso soma-se um investimento avaliado em 9 milhões de euros na Mozambique Wild Adventures Lda e na Ilha de Vazimi, no Arquipélago da Quirimbas.

 Por seu lado, além da RIL-Rex Investimentos Lda, Feizal Sidat detém acções na Tipo-grafia Académica, na Papelaria Académica, na Sidat Office Solutions e na Papelaria Rex.
 Nenhum deles tem ligações a empresas de exploração de madeiras ou pedras preciosas.