Coordenador do Ensino de Português na África Austral realça o Acordo Ortográfico

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Coordenador do Ensino de Português

Coordenador do Ensino de PortuguêsCom um interessante programa de actividades organizado pela Universidade Sénior Boa Esperança, em colaboração com a Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul, foi comemorado na tarde do penúltimo sábado, 21 de Maio, no salão nobre da ACP de Pretória.

O Dia Nacional das Universidades Séniores Portuguesas, a que estive-ram presentes mais de trezentas pessoas, entre as quais  Frei Gilberto Teixeira da paróquia de Santa Maria; o cônsul-geral de Joanesburgo, dr. Carlos Pereira Marques; o secretário da embaixada, dr. Pedro de Almeida, o coordenador do ensino de Português na África Austral, dr. Rui Azevedo; as dras. Maria Antónia Coccia-Portugal, Le-onete Larisma, Maria Ribeiro, Fernanda Jones, Vera Na-zareth, e o casal de comendadores Estêvão e Manuela Rosa.

  Com as actividades conduzidas por Marinela Carmo, o programa abriu com um concorrido almoço de convívio, seguindo-se actuações dos jovens artistas da nossa comunidade, Kátia da Ponte e Luís Câmara; apresentação da USBE por Manuela Rosa, presidente da filial de Pretória da Liga da Mulher Portuguesa na África do Sul e membro do conselho de administração da USBE; declamação de poema pela jovem Gaby Rodrigues; intervenção do dr. Pedro de Almeida em representação do embaixador de Portugal; apresentação do acordo ortográfico da língua portuguesa pelo dr. Rui Azevedo; actuação do grupo de bailados “Calor de Espanha”, e do grupo coral da USBE; passagem de modelos confeccionados por alunas da USBE, de que é professora Silvina Pardal; entrega de diplomas e crachás; peça de teatro pelo grupo teatral de Benoni sob orientação de Guida Vieira; e por último atribuição dos prémios do concurso de gastronomia

  Referindo-se à criação da Universidade Sénior Boa Esperança, única do género a nível de comunidades de emigração portuguesa, lamentando que por motivos imprevistos não pudesse estar presente nesta celebração o dr. Luís Jacob, presidente da (RUTIS), Rede das Universidades da Terceira Idade em Portugal, pela primeira vez em que o Dia Nacional das Universidades Séniores Portuguesas era comemorado fora de Portugal, a comendadora Manuela Rosa viria na análise a este projecto a destacar as actividades sociais, culturais e de convívio tendentes a combater o isolamento e inserir os mais idosos numa sociedade em que voltem a acreditar em si próprios, e em exemplo bem visível como são as aulas de informática não se sintam acabados para um mundo que até então parecia pertencer só aos mais jovens.

  A seu ver, deve a juventude sentir-se também orgulhosa pelo exemplo de seus pais e avós, em coragem e perseverança na luta por vida própria na velhice em ocupação de tempos livres, bem demonstrativo do adágio português, “nunca é tarde para aprender”.
  Hoje com mais de cento e sessenta USBES no continente, ilhas e comunidades emigrantes, foi a da África do Sul criada em 2009, para poder dar resposta a algumas das suas preocupações, projecto que traz um novo alento ao quebrar o isolamento num país de grandes dimensões como este, dá oportunidade de adquirir novos conhecimentos, promove o convívio como muito importante nas idades mais avançadas, aumenta a auto estima, fazendo-nos re-cordar tempos passados, sentir crianças e reavivar laços com o país natal.

  Ao enumerar as dificuldades que limitam o projecto, como o transporte, o isolamento devido às grandes distâncias com a fra-ca facilidade em transportes públicos para lhe fazer face, daí se precisarem mais co-laboradores no campo logístico, mas mes-mo assim e com todas essas dificuldades, a USBE tem crescido e conseguido pólos noutras localidades, onde para além de Pretória o projecto já se estendeu a Joanesburgo, Durban, Cidade do Cabo, Vanderbijlpark, e mais recentemente a Benoni.

  Ao divulgar as disciplinas que são mi-nistradas em Pretória, como informática, pintura em tecido, canto coral, culinária, aperfeiçoamento em conhecimentos de português e francês, golfe, bordados, artesanato, e como mais recente o corte e costura, Manuel Rosa ao enaltecer o empenho de todo o grupo de trabalho, apro-veitou para se mostrar reconhecida a colectividades e instituições, incluindo religi-osas, que lhe têm dado todo o apoio, ao disponibilizarem as suas instalações para o desenvolvimento deste projecto, e assim lhe dão alento para continuar, envolvendo no reconhecimento todos os colaborado-res, patrocinadores e comunicação social.

  Convidado a dirigir ali nessa tarde algumas palavras, o secretário da embaixada de Portugal em Pretória, e simultaneamente encarregado dos serviços consu-lares desta mesma cidade, dr. Pedro de Almeida, começando por a todos saudar, viria na sua intervenção a destacar o valor das universidades de terceira idade, hoje em Portugal uma realidade muito importante no apoio à continuação da vida activa das populações  mais idosas, na medida em que permite às pessoas, depois de se reformarem ao atingir uma certa idade, poderem continuar a ser úteis à sociedade, e a serem estimuladas intelectualmente a poderem agir na sociedade em geral, de uma forma particularmente dignificante.

  É muito interessante, prosseguiu o ora-dor, que esta Liga da Mulher Portuguesa tenha tido esta iniciativa de trazer a universidade da terceira idade para Pretória, que pretende estender a toda a África do Sul, e creio com mérito de toda a nossa comunidade da capital sul-africana, mas em particular da Liga da Mulher, já que a ela se deve a criação dessa universidade sénior, provavelmente a associação portuguesa que mais divulga a língua e cultura portuguesa junto das nossas comunidades, e aquela que certamente mais se dedica ao enriquecimento cultural dos seus membros, e responde a um problema actual e verdadeiro das comunidades lusas neste país, permitindo aos mais idosos continuar a ter maior contacto com a língua portuguesa, o que é muito notável.

  Dando os parabéns à comendadora Manuela Rosa e a todas as pessoas que trabalharam para a Universidade Sénior Boa Esperança, que conseguiram mostrar que um projecto deste tipo não só é possível na comunidade portuguesa, como muito positivo, englobando neste prisma todos os professores, alunos e famílias que apoiaram a iniciativa, fazendo votos para que este projecto continue a crescer não só na qualidade dos cursos que oferece, mas também junto das nossas comunidades na África do Sul, e ainda se possível para outras comunidades lusas no estrangeiro.

  Importante nesta celebração do Dia Nacional das Universidades Seniores Portuguesas, foi o trabalho ali apresentado pelo coordenador do ensino português na África Austral, dr. Rui Azevedo, subordinado ao tema “Acordo Ortográfico 1990”, com o objectivo fundamental de estabelecer uma grafia comum nos países de língua portuguesa, conseguindo após várias tentativas em estabelecer essa ortografia, a pri-meira com esse objectivo  Portugal em 1911, para definir essas regras, sendo depois em 1931, num esforço da Academia de Ciências de Lisboa e da Academia Brasileira de Letras, assinado em 1931, mas as versões publicadas nestes dois países (1940 em Portugal e 1943 no Brasil), que por conter algumas divergências na desejada unificação, houve necessidade de estabelecer a convenção ortográfica em 1943, contudo sem resultados práticos substanciais, daí se voltar em 1945 a um novo acordo, novamente assinado pelas mesmas academias acima indicadas, que entrando em vigor em Portugal, não foi ratificado pelo Congresso Nacional do Brasil, continuando aquele país a reger-se pela ortografia do formulário ortográfico de 1943.

Novas tentativas se seguiram para o estabelecimento de regras ortográficas comuns nos países de língua portuguesa, nomeadamente em 1986 num encontro no Rio de Janeiro entre representantes de países lusófonos, sendo então o acordo inviabilizado pela polémica face ao mesmo que se surgiu em Portugal, e só em 1998 foi elaborado o projecto que viria a servir de base ao acordo ortográfico assinado a 16 de Dezembro em Lisboa, por representantes oficiais de Portugal, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola, Moçambique e S. Tomé e Príncipe, e assim aumentar o prestígio internacional da língua portuguesa, e contribuir para a defesa da unidade essencial dessa nossa língua, especificando em projecções de ecrã visível em todo o salão, o que vai mudar a nível desta ortografia, mormente em consoantes, acentuação gráfica, hifenização e todas as outras alterações.
Este acordo que entrou em vigor a 1 de Janeiro do corrente ano em Portugal, com um período de transição de seis anos para adaptação da sociedade civil, e no Brasil a 1 de Janeiro de 2009, tornando-se as regras obrigatórias a partir de 2013.

Com o Brasil a ratificar o protocolo em 2004, Cabo Verde em 2005, S. Tomé e Príncipe em 2006, e Portugal em 2008, não sendo ainda na Guiné-Bissau ratificado nenhum dos documentos relativos a esse acordo ortográfico, se bem ter o Secretário de Estado do Ensino afirmado interesse em o ratificar, tal como em Timor-Leste, enquanto em S. Tomé e Príncipe, do mesmo modo que Cabo Verde, se aguardar a conclusão dos tramites legais nos outros países lusófonos, para relativamente a Macau, apesar da sua integração na China, desejar manter o idioma português a par do chinês, não existindo ainda posições oficiais tomadas pelo governo macaense relativas à implantação ou entrada em vigor desse mesmo acordo ortográfico.

Em Angola o Ministério da Educação prepara a ratificação do acordo, manifestando a intenção de o fazer entrar em vigor, em Moçambique e segundo o presidente da República, Armando Guebusa afirmou em Abril de 2008 estar o acordo a ser analisado e que iria “um dia” a ser assinado, para mais tarde o vice-ministro da educação e cultura moçambicana afirmar não ser o assunto esquecido, e a sua ratificação vir a acontecer a “qualquer momento”.

Por não ser possível ao presidente da rede das universidades da terceira idade portuguesas (RUTIS), dr. Luís Jacob, marcar presença na comemoração em Pretoria deste Dia Nacional, lá se conseguiu a muito custo, através das novas tecnologias, estabelecer essa ponte entre Portugal e a África do Sul, a fim de nessa ligação se poder ouvir esse líder, para na sua curta intervenção pedir desculpa à sua ausência no certame, felicitar a organização deste evento, e cumprimentar todos os que nele marcaram presença, afirmando:

 “Espero poder ir aí em breve para comatar a nossa falha devido à gala de dança em Caldas Rainha, e é com grande alegria que estamos nesta ligação com todos vós, nessa nossa primeira universidade fora de Portugal, em que têm sido um exemplo, como tenho referenciado os vossos projectos em seminários tanto em Portugal, como noutros lados em que tenho marcado presença, o que não deixa de ser um orgulho para todos nós, em podermos estar na África do Sul, com pessoas validas e apostadas em iniciativas inovadoras.

Espero que continuem cada vez com mais força e com mais energias, dizendo-vos que pela nossa parte é uma honra ter a Universidade Sénior Boa Esperança na rede, e faço votos para que muito em breve possa visitar essa nossa delegação da Rutis na África do Sul, e poder conviver com todos vós, para compensar a nossa falha de hoje”.

Por Fátima de Castro foi ali lida a mensagem da presidente do executivo da Liga, Valentina Gouveia, que por motivos de saúde a impediram de poder marcar presença, pedindo pelo facto desculpa às entusiastas da filial de Pretoria, Manuela Rosa e Mafalda Almeida, cumprimentar e saudar todos os presentes e desejar os maiores sucessos ai evento que ali decorria.

Por Manuela Rosa e Manuela Calado foram entregues lembranças ao cônsul-geral de Joanesburgo, dr. Carlos Pereira Marques e sua esposa, ao Frei Gilberto Teixeira, aos drs. Pedro de Almeida e Rui Azevedo, a Silvina Pardal uma das entusiastas da Liga, pela passagem de modelos que apresentou nesta tarde, com entrega de diplomas às alunas que terminaram o curso que ministrou de corte e costura, a Guida Vieira pela peça de teatro apresentada pelo grupo teatral de Benoni, de reconhecimento aos participantes nas diversas actividades que ali decorreram, entrega de certificados e crachás, por Vera Nazaret aos alunos de Joanesburgo, e por Manuela Rosa, Mafalda Almeida e Tony Costa aos que frequentaram os cursos ministrados em Pretoria, e a encerrar o convívio premiadas as vencedoras do concurso que ali decorreu de gastronomia tradicional portuguesa, sendo contempladas, com o primeiro prémio São de Freitas, com o segundo Luísa Sampaio, com o terceiro Rosália Carmo, e com o quarto Zita Dias.