Convulsão no seio do Partido Socialista

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Convulsão no seio do Partido SocialistaConvulsão no seio do Partido Socialista

O secretário-geral do PS vincou quarta-feira as diferenças entre opinião diferente e obstrução permanente dentro do seu partido, advertindo que enquanto líder irá enfrentar quem está a obstruir a acção política da Direcção socialista.

 Esta advertência, segundo fonte da bancada socialista, foi transmitida por António José Seguro no seu discurso inicial na reunião do Grupo Parlamentar do PS.
 De acordo com as mesmas fontes, na sua intervenção, Seguro referiu que foi o primeiro líder político – "e até agora o único" – a instituir o princípio da liberdade de voto dentro de uma força política, dizendo-se defensor da "liberdade com responsabilidade".
 Neste contexto, o secretário-geral do PS referiu que há grandes diferenças entre opiniões distintas e obstrução permanente e advertiu que irá enfrentar quem está a obstruir a acção política.
 Em outra mensagem dirigida à corrente crítica do seu partido, o líder dos socialistas declarou que ninguém é obrigado a concordar com a estratégia definida pela Direcção do seu partido e que já foi sufragada pelos militantes.
 "Ninguém é obrigado a concordar, mas todos têm o dever de a respeitar", disse, citado por fonte socialista.
 Na sua intervenção, Seguro congratulou-se com a decisão do Tribunal Constitucional de considerar inconstitucional a lei de enriquecimento ilícito, disse que a estratégia de consolidação das contas públicas defendidas pelo PS não esquece o crescimento e o emprego e preconizou uma oposição "responsável e positiva".
 "Colocarei sempre o interesse dos portugueses à frente de tudo. É pelo PS que aqui estamos todos", referiu o secretário-geral, citado por um deputado socialista.

* Zorrinho e defensores da Direcção acusam opositores de provocarem "ruído" e "espectáculo  mediático"

 O líder parlamentar do PS, Carlos Zorrinho, e vários dirigentes socialistas que apoiam a Direcção de António José Seguro queixaram-se do "ruído" e do "espectáculo mediático" provocado por alguns deputados da oposição interna.
 Estas posições foram transmitidas por deputados socia-listas que participaram na re-união do Grupo Parlamentar do PS, que contou com a presença de António José Seguro e decorreu à porta fechada.
 Uma das intervenções mais aplaudidas foi feita pelo deputado socialista João Soares, que negou a existência de défice de liberdade interna, defendeu que as diferenças políticas devem ser colocadas nos órgãos próprios deste partido e criticou "o muito ruído e o espectáculo mediático" provocado por alguns críticos de António José Seguro.
 Na mesma linha, Carlos Zorrinho afirmou que o PS "teve  duas vitórias políticas, num dia em que também houve muito ruído".
 Carlos Zorrinho, citado por um dos presentes na reunião, disse que o problema do PS "não é o Grupo Parlamentar, mas alguns dos seus membros, apelando então a este grupo de deputados críticos para que "exerçam o direito de debate no sítio certo".
 Após a intervenção inicial de António José Seguro, falaram deputados da linha crítica, como José Lello, e a independente Isabel Moreira, que se queixou de estar a ser "bode expiatório" das fragilidades da actual liderança parlamentar e que disse estar "empenhada" no trabalho da bancada socialista.