Convívio da Academia-Mãe com dirigentes associativos da Comunidade

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Decorreu na quinta-feira 23 de Maio no restaurante “Rodízio” em Bedfordview, o convívio semanal da tertúlia Academia do Bacalhau de Joanesburgo. O almoço reuniu 35 compadres e comadres e  contou com vários dirigentes associativos da Comunidade portuguesa em Joanesburgo.

 O propósito desta reunião era juntar os vários presidentes das colectividades e instituições comunitárias para os informar da visita do vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Portugal a Joanesburgo. O presidente Arede informou que os clubes devem juntar-se para numa reunião, discutirem necessidades e apoios, para depois expô-los ao vice-provedor da Santa Casa.

 O presidente da Academia fez soar o badalo pelas 13h35, para abrir o repasto, e pediu ao compadre honorário Rogério Varela Afonso que desse o “tom” do “Gavião de Penacho”.

 O compadre Arede deu as boas-vindas a todos os presentes em torno da enorme mesa em “U” do restaurante Rodízio e agradeceu a presença e participação de todos, em particular aos compadres José Manuel Gonçalves e Salvador Rodrigues, da Academia do Bacalhau de Rustenburg. Fez também menções especiais às presenças do compadre Joaquim Melo, presidente do Luso África, compadre Silvério Silva em representação do Núcleo de Arte e Cultura,  comadre Guida de Freitas, presidente da Casa da Madeira de Joanesburgo, compadre José Quintal da Federação das Associações, compadre José Maria dos Santos presidente da tertúlia “Santo e Pecadores”, compadre Orlando Marques dos “Mafiosos da Caridade”, comadre Noémia Contente da Associação Lusito e o compadre Henrique Pereira presidente do executivo da Sociedade Portuguesa de Beneficência (SPB).

 Logo em seguida, para “carrasco” da tarde, nomeou o compadre Carlos Borges, também actual presidente do Luso Trust Fund.

 O primeiro prato, o da sopa de caldo-verde, foi servido. A sopa estava muito bem confeccionada e seguiu-se às entradas de feijoada à brasileira e frango grelhado na brasa.

 Após o primeiro prato, o presidente Arede interveio. “Este almoço hoje tem um fito muito especial. Nós, Comunidade portuguesa da África do Sul, temos que ter em conta que a era da África do Sul em que se vive é muito diferente. A outra, já era”, afirmou o presidente da Academia. “Na era antiga, eram cinco milhões a mandar em 50 milhões, agora é o contrário. Antes era um pais cheio de oportunidades. Nós, emigrantes, fizémos e damos um contributo muito positivo para a comunidade e para o país. Em várias instituições comunitárias. Não tem sido uma tarefa nada fácil. Como sabemos, as despesas e os custos de vida estão a aumentar. A SPB abriga 95 idosos com uma despesa mensal da instituição cifrada nos 700 mil randes por mês. O que dá um prejuízo mensal à instituição de cerca de 100 mil randes.  Ora, alguma coisa tem que ser feita”.

 “Eu tive várias conversas com o embaixador de Portugal e o cônsul-geral e falámos sobre a Santa Casa da Mi-sericórdia em Portugal. Na primeira semana de Junho virá cá o vice-provedor da União das Misericórdias e, por isso, precisamos de nos unir e chegar a um consenso para saber que apoios vamos pedir e como vamos fazê-lo. Deixo à vossa consideração, contactem comigo, vamos nos reunir para trabalharmos da melhor forma possível, pois o lema da nossa Marcha das Academias, é “Levamos a nau ao porto/Para dar algum conforto/Aos infelizes”.

 O prato principal, o do baca-lhau foi servido. O “fiel amigo” foi servido assado acompanhado de batatas, tal como na semana anterior. O peixe estava muito bem demolhado e confeccionado, a lascar na perfeição e foi do agrado de todos em torno da mesa.

 Findo e levantado o prato principal, o presidente agradeceu a presença do compadre Hugo Gomes, autor das reportagens da RTP Internacional, “Hora dos Portugueses”.

 Deu depois a palavra ao compadre Francisco-Xavier de Meireles. “Muito boa tarde a todos, caras comadres e caros compadres. Sinto que tenho que esclarecer aqui algumas palavras que foram ditas. O compadre presidente usa as palavras com alguma liberdade e os significados nem sempre são os mais apropriados. A sobrevivência da obra da Comunidade portuguesa na África do Sul não é uma obrigatoriedade”, afirmou o compadre de Meireles. “Depende exclusivamente da vossa vontade. Se a Comu-nidade quiser que o Lar de Santa Isabel sobreviva, tem que se organizar para tal. Naturalmente, as autoridades que representam o Estado português, incluindo as instituições de Segurança Social, o Ministério dos Negócios Estrangeiros possuem mecanismos de apoio, mas há determinadas regras para aplicar e poder dar esses apoios.”  “O esforço de encontro a essas instituições e mecanismos, parte da Comunidade e não das autoridades diplomáticas, que já fizeram o seu trabalho – que era dizer quais eram os apoios existentes.” “Dito isto, quero clarificar que qualquer português aqui em carência, Portugal toma conta dele e recebe-o lá em Portugal. O nosso sistema de Segurança Social é dos melho-res do Mundo, nós já apoiamos aqui na África do Sul 33 idosos que recebem o apoio mensal de Portugal. Temos dado também vários apoios pontuais a muitos portugueses. O secretário de Estado alertou-vos que há mecanismos de apoio aos quais po-dem recorrer.”

 O compadre de Meireles continuou ao afirmar “as autoridades diplomáticas querem apoiar as iniciativas, a visita do senhor vice-provedor, agendada para breve, poderá aconselhar as instituições em como fazer os pedidos completos e da melhor forma. Eu fico muito feliz, quando me contam as obras que a Comunidade já fez e continua a fazer. Com franqueza,  não aceito o argumento que hoje é pior do que antes. Quem quer cá estar e está na África do Sul, tem que aproveitar estas oportunidades.”

 “Quero também louvar o Século de Joanesburgo pelo destaque dado à divulgação das eleições europeias. Isto criou uma oportunidade que se os portugueses não aproveitarem, vai jogar contra eles. Devem todos ir votar, não votar implica mostrarem aos políticos portugueses que não existem”, concluíu assim a intervenção o compadre Francisco-Xavier de Meireles.

 As sobremesas foram servidas, pudim de bolacha Oreo, pudim de ovos e panacota de frutos vermelhos. Enquanto as sobremesas eram degustadas, o compadre Nelson Reis, antigo presidente da Academia, pediu a palavra e interveio.

 “Muito boas tardes a todos, eu sou do tempo em que a Academia reunia-se às quintas-feiras para conviver, para descontrair, para rir, tudo em torno de uma prato de baca-lhau e um copo de bom vinho tinto. A Academia – e friso que é a minha opinião – tomou um rumo muito, muito diferente do que era. Nós compadres e comadres quando nos reunimos é para almoçar, conviver e manter união e coesão entre todos aqui. Não vimos aqui para discutir, eu venho aqui para relaxar, não para discutir política, nem problemas pessoais e para que as pessoas se sintam constrangidas. Está tornada a Academia-Mãe, na minha maneira de ver, num local em que as pessoas sentem-se constrangidas em falar. Porque o presidente quer expor e quer incutir este mandado em todos, mas não agrada a todos e pronto, temos de respeitar isso. A Academia baseia-se também no respeito, de valores da tertúlia e na decisão dos compadres. Devo dizer, com todo o respeito, que há uma Direcção da SPB e aqui, na Academia, há outra. Temos que separar as águas”, afirmou o compadre Nelson Reis.

 O compadre honorário Rodolfo Gallego também interveio. “Ora boa tarde a todos, sem querer-me elevar, só quero dizer que fiz muitas viagens ao aeroporto de Joanesburgo, quando houve a descolonização de Moçambique, para acolher refugiados. Fundou-se a Sociedade Portuguesa de Beneficência, ainda eu era jovem, e mais tarde o Luso Trust Fund. Há uns anos, estive com um dos fundadores do Luso Trust, que foi criado não por mera casualidade. Era de doacções feitas a “fundo perdido” para se manter e foi criado para nunca ser desfeito. Tenham cuidado para não desfazer coisas que foram feitas com bom intuito e, caso queiram fazer alterações ou pensem sequer nisso, falem com o nosso compadre honorário Rogério Varela Afonso, que tem os estatutos, sabe as datas e os factos. Vamos respeitar e preservar as instituições de bem-fazer”, apelou no fim o compadre honorário Gallego. 

 O compadre honorário Silvé-rio Silva também falou. “Eu estive recentemente em Viseu com o José de Almeida, também conhecido como o “Almeida dos Bigodes”. Foi na carpintaria dele em Joanesburgo que foi fundado o Luso Trust Fund. Agora, vou lá vê-lo muitas vezes a S. Pedro do Sul e ele admira-se, como fundador e mentor do Trust, que nunca tenha sido consultado sobre eventuais evoluções que possam ser adoptadas para o Fundo. Segundo ele se lembra, a sua assinatura no banco é que contava. Eu já lhe ofereci uma viagem para vir desenvencilhar esta história, vamos ver se agora quando eu lá for em breve, ele toma a decisão e vir cá”.

 O presidente do Luso Trust Fund, o compadre Carlos Borges afirmou: “caros compadres e comadres, eu como presidente do Trust, fiz uma assembleia-geral e fui com a minha Direcção ao banco. Tinhamos lá mais de um milhão de randes numa conta e noutra, cerca de trezentos e tal mil randes. Decidimos colocar duzentos mil na conta para capitalizar o juro, portanto agora temos um milhão e duzentos mil randes a render e retiramos 150.000 randes para dar à Beneficência. Deixámos nessa conta dez mil randes. Eu perguntei ao presidente da Academia se podia dar ao presidente da SPB, no nosso jantar de gala na próxima sexta-feira, esse cheque, não com intenção de ir para qualquer quadro de honra. É o que está decidido desta vez, para a próxima veremos”, informou o compadre Carlos Borges.

 A comadre Analiza Lousada apelou à participação no jantar de gala de aniversário da Academia-Mãe, dia 31 de Maio, no Wanderers Club em Illovo, Joanesburgo. Relembrou que as comadres Luísa Martins, Zilda Coelho, Matilde Abreu e Milita Vieira-Pereira estão a aceitar reservas.

 A palavra final da tarde foi então dada ao “carrasco” que atribuiu a sua sentença aos “prevaricadores” e 20 randes a todos para mais fundos serem angariados para a Academia-Mãe.

 Os cafés e digestivos foram servidos e o almoço foi encerrado com o último “Gavião de Penacho”.