Contra regimes de poder pessoal: Presidente Marcelo deixa no Dia da República mensagens sobre a renovação dos mandatos

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O Presidente da República deixou na sexta-feira no seu discurso do 5 de Outubro mensagens sobre a renovação dos mandatos, contra “regimes de poder pessoal” e a necessidade de “atenção a entidades estruturantes como as Forças Armadas”.

 Marcelo Rebelo de Sousa falou destes dois temas de passagem, durante uma intervenção de cerca de dez minutos na sessão solene comemorativa do 108.º aniversário da Implantação da República, na Praça do Município, em Lisboa, em que apelou à permanente construção da democracia, advertindo para as lições da história dos últimos cem anos.

 “Mais de um século de lições úteis para todos nós. Lições de como não há verdadeira democracia sem democratas. Não há verdadeira democracia sem direitos do homem e liberdade. Não há verdadeira democracia sem condições económicas e sociais que lhe confiram legitimidade de exercício. Não há verdadeira democracia sem permanente combate às desigualdades à pobreza, à corrupção das pessoas e das instituições. Não há verdadeira democracia sem sistema político dinâmico e gerador de alternativas. Não há verdadeira democracia sem atenção a entidades estruturantes como as Forças Armadas”, afirmou.

 Antes, Marcelo Rebelo de Sousa passou em revista cada década, desde 1918 até hoje e, chegado a 1968, referiu que Portugal “assistiria à chamada renovação na continuidade, ou seja, à continuidade no essencial da ditadura apesar da renovação na liderança”.

 Neste contexto, acrescentou: “Porque os regimes de poder pessoal são incompatíveis com a renovação dos mandatos, logo ali se descortinava o fim do fim da ditadura. Ou seja, por contraposição, o sentido de que a democracia é tudo menos o culto e a convicção da perenidade do poder pessoal”.

 

* Marcelo pede  inovação no sistema político contra tentações radicais

 

 O Presidente da República apelou à permanente construção da democracia, defendendo que isso implica “a inovação e a proximidade no sistema político”, voltando a advertir para as “tentações radicais, egoístas, chauvinistas ou xenófobas”.

 “As mesmas tentações que já lembrei em 25 de Abril passado, perante a incompreensão de alguns, mas que continuam a multiplicar-se um pouco por toda a parte”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa, na sessão solene comemorativa do 108.º aniversário da Implantação da República, na Praça do Município, em Lisboa.

 No seu discurso de cerca de dez minutos, o chefe de Estado chamou a atenção para “as lições do passado” em Portugal e na Europa, passando em revista cada década do último século, para que não se cometam “os mesmos erros” que conduziram a crises, ditaduras e guerras.

 Marcelo Rebelo de Sousa considerou que “vale a pena recordar estas e outras lições, num tempo em que a Europa terá de demonstrar que quer um futuro muito diferente do passado de há cem anos”.

 “Portugal terá de afirmar, em permanência, a qualidade da democracia, a inovação e a proximidade no sistema político, a consistência do crescimento económico, a equidade do sistema social, a capacidade para atrair os que não querem partir ou partiram e querem regressar, para oferecer horizontes que nos poupem a tentações radicais, egoístas, chauvinistas ou xenófobas”, acrescentou.

 

* Marcelo saúda  pioneiros de Loures  e pede ação constante pela democracia

 

 O Presidente da República saudou na quinta-feira os pioneiros que proclamaram a República em Loures em 4 de Outubro de 1910 e pediu que se mantenha viva a democracia “mais com obras do que com palavras”, constantemente.

 Marcelo Rebelo de Sousa falava numa cerimónia comemorativa do 108.º aniversário da Implantação da República, no Cemitério de Loures, onde depositou flores no Mausoléu da Junta Revolucionária, juntamente com o presidente da Câmara, Bernardino Soares.

 Num discurso de cerca de três minutos, o Chefe de Estado leu os nomes dos “pioneiros da República em Loures em 4 de outubro de 1910”, para saudar “não apenas a Junta Revolucionária então formada, como todos quantos sonharam e lutaram por uma República para Portugal”, e declarou: “Viva a democracia que a República de hoje nos convida a viver como imperativo nacional”.

 Os que sonharam e lutaram pela República “queriam que fosse símbolo de progresso económico, de justiça social, de participação política, de directos para muitos, muitos mais, de serviço da comunidade”, disse.

 Segundo o Presidente da República, passados 108 anos, deve-se prestar “reconhecimento à luta dos evocados de agora e de sempre” e assumir o “compromisso de tudo fazer para que o ideal que os moveu e hoje se acolhe na Constituição da República Portuguesa, seja vivido mais com obras do que com palavras, dia após dia”.

 “Para que nada, nem as tentações recorrentes do messianismo, do sebastianismo, do populismo, do egoísmo, da xenofobia, do racismo que atravessa o mundo o possam vencer”, defendeu, acrescentando: “Viva a democracia que a República de hoje nos convida a viver como imperativo nacional, viva Portugal”.

 À chegada ao cemitério, o Chefe de Estado ouviu o hino nacional tocado pela Banda da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Loures.

 Depois, visitou o Núcleo Museológico do Cemitério de Loures, acompanhado por Bernardino Soares.