Construção da ponte Maputo/Catembe inicia-se em 2015

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Construção da ponte Maputo/Catembe inicia-se em 2015

As obras de construção da ponte Maputo/Catembe deverão ter início nos primeiros meses do próximo ano, anunciou recentemente a empresa gestora do projecto, que promete concluir até ao final de 2017 “o maior vão suspenso do continente africano.”

 Quase a entrar na fase final dos trabalhos preparatórios da obra, a Empresa de Desenvolvimento de Maputo Sul (EDMS) apresentou na sexta-feira o plano de desenvolvimento da ponte suspensa, que vai unir as margens Sul e Norte do canal da baía da capital moçambicana.

 Um tabuleiro com 680 metros de comprimento, duas torres com 137 metros de altura e dois blocos de ancoragem para os cabos de suspensão são os elementos que tornam este projecto numa obra “simples” de desenvolver, segundo comentou Vicente Miranda, engenheiro da EDMS, indicando que os dois pilares da ponte foram projectados para as extremidades do canal, para que não interferissem com a navegação marítima no local.

 Na extremidade Norte, disse, uma das torres será instalada no porto de Maputo, no seu cais cinco, enquanto a segunda torre vai ser erguida sobre as águas da baía de Maputo – muito embora a poucas dezenas de metros da costa de Catembe – o que obrigou à construção de uma plataforma flutuante.

 Antes do avanço da construção das duas estruturas, que “têm a altura de um prédio de cerca de 40 andares”, terão de ser instaladas 24 estacas com 100 metros de profundidade e 2,2 metros de diâmetro em cada uma das margens, sobre as quais serão erguidas as torres, avançou Vicente Miranda, garantindo que o orçamento inicial de 725 milhões de dólares do projecto se mantém dentro dos limites inicialmente previstos.

 A ponte Maputo/Catembe é um antigo objectivo das autoridades moçambicanas, que chegaram a negociar com Portugal o financiamento da obra, mas que, já em 2012, viria a ser garantido pelo Banco de Exportações e Importações da China, quando o projecto foi oficialmente lançado juntamente com o da Estrada Circular de Maputo (ECM), cujo orçamento de cerca de 315 milhões de dólares foi também maioritariamente disponibilizado pelo banco estatal chinês sob a forma de empréstimos ao governo moçambicano.

 Ambas as infra-estruturas estão a ser executadas pela China Bridge and Road Corporation, estando já na fase final a construção da ECM, que inclui sete sectores rodoviários, numa extensão de 74 quilómetros.

 Ismael Sulemane, engenheiro da EDMS, que também gere este projecto, disse que as obras da circular apresentam uma execução de 75%, mas com um atraso de cerca de seis meses, pelo que se prevê que só venham a estar concluídas no final do primeiro semestre do próximo ano.

 O complexo processo de re-alojamento de serviços e de famílias, cerca de 2300, das quais 1700 já se encontram nos locais de destino, estará na origem dos atrasos, segundo disse, adiantando que o orçamento mantém-se sem derrapagens, ainda que com o alargamento do período de execução da obra.

 De resto, o realojamento populacional é também o grande desafio do projecto da ponte Maputo/Catembe, segundo apontou o engenheiro Vicente Miranda, uma vez que vai afectar cerca de um milhar de agregados familiares: cem do distrito de Catembe (Sul) e 900 do bairro de Malanga (Norte), por sinal, o mais complicado atendendo à sua grande dimensão populacional.

 A maioria das residências destas famílias terá de ser demolida para permitir a instalação dos viadutos de acesso Norte (1097 metros) e Sul (1234 metros) e a sua consequente ligação às estradas Catembe/Ponta do Ouro e Boa Vista/Boane (estas duas incluídas no orçamento da ponte suspensa) e à ECM.