Congresso da “Amizade e Compreensão” das Academias do Bacalhau em Estremoz

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Congresso da “Amizade e Compreensão” das Academias do Bacalhau em Estremoz

Entre os dias 9 e 11 de Setembro de 2016 decorreu na cidade alentejana de Estre-moz o 45º congresso mundial das Academias do Bacalhau. Ao todo, são já 57 tertúlias espalhadas pelos cinco continentes. Estiveram presentes 24 presidentes em representação de várias Academias do Bacalhau e acompanhados, na maioria, de compadres das suas tertúlias. Foram elas a anfitriã Estremoz, Joanesbur-go, Cidade do Cabo, Pieter-maritzburg, Madeira, Lisboa, Porto, Luanda, Paris, Lyon, Rouen, Maracay, Beira (Moçambique), Coimbra, Estoril, Kitchener, Minho, Namíbia, Faial, Londres, Toronto, Setúbal, Ribatejo, Terceira, Perth, Nova Jersey, Luxemburgo, Durban, Maputo, Manzini, Mbabane e São Miguel. O número de participantes no fim-de-semana alusivo à tertúlia do “fiel amigo” foi de 280 compadres e comadres.

 Neste congresso, as resoluções tomadas a partir de propostas feitas pelos compadres foi a nomeação para compadre honorário de todas as Academias do Bacalhau compadre cofundador Rui Pericão. Proposta aceite por maioria. Foi novamente trazido a debate, apesar de já ter sido aprovado em congressos anteriores, o não pagamento de quotas por parte das Academias à Academia-Mãe. Moção que foi rejeitada por maioria.

 A Academia de Paris propôs a criação de uma “newsletter” para noticiar os eventos e acontecimentos das várias tertúlias espalhadas por todo o Mundo, proposta esta que foi aceite por maioria. Foi também aceite em congresso, a proposta de criação da Academia do Bacalhau da Serra da Estrela, tendo os candidatos a futuros compadres afirmado ter sido dado o aval à sua constituição no congresso de há quatro anos.

 Por fim, foi aceite que o próximo congresso mundial das Academias do Bacalhau, em 2017, será realizado na Ilha Terceira do arquipélago dos Açores.

 

* Cerimónia de abertura

 

 Na sexta-feira dia 9, os compadres e comadres reuniram-se no Parque das Feiras e Exposições Engº. André de Brito Tavares, pelas 16horas, onde procederam às confirmações das inscrições e presenças no congresso. Mais tarde, após os pagamentos e inscrições confirmadas, os compadres e comadres reuniram-se pelas 18h30 no mes-mo local para a abertura oficial do 45º Congresso das Academias do Bacalhau. O compadre José Manuel Ferreira abriu formalmente o congresso, ao dar as boas-vindas a todos os presentes. A primeira actuação foi do grupo coral da Academia Sénior de Estremoz, que no seu espectáculo interpretou também a Marcha da Academia.

 Havia patente uma exposição no pavilhão, tratou-se de uma serie de quadros de mapas da região ibérica, desde que começou a haver cartografia e registos topográficos. Estavam também várias bancas a vender produtos artesanais locais.

 O presidente da Academia de Estremoz, Francisco Ramos, deu as boas-vindas a todos os presentes a apelou no seu discurso a que todos se divertissem, disfrutassem da região e que os trabalhos do congresso fossem proveitosos. No seu discurso o compadre “Chico”, como é conhecido em Estremoz, reconheceu o engano em deferir, face à conjuntura actual, a organização do congresso que lhe cabia organizar, para a Academia de Viseu em 2013. Agradeceu também o carinho e apoio dado pelo município de Estremoz, que desde locais para acolher o evento a transporte, cooperou e ajudou na realização do congresso. Nesse propósito, deu um fraterno abraço ao presidente da câmara de Estremoz, Luís Mourinha.

 De seguida, foi a vez do compadre presidente honorário de todas as Academias, Durval Marques, intervir. “Eu gostaria de dizer o quanto me senti feliz ao ouvir aqui cantado a Marcha da Academia, cantado como os Amores de Estudante. Está interpretação muito feliz e para nós que andámos pelas academias, os amores de estudante que vieram do orfeão da Universidade do Porto a quem pertenci. Também o “Gavião de Penacho” veio de lá. Não vou prolongar-me, por isso, basta dizer que estar aqui é um privilégio, porque estão muitos compadres das diferentes Academias. Tal como eu, o compadre Chico é pequeno, mas tem um coração enorme e tudo o que é feito com coração, tem muita força e valor. Quero deixar aqui um grande abraço a quem organizou este evento e às autoridades que o apoiaram”, conclui o compa-dre Marques. De seguida, no decurso das intervenções públicas por parte das autorida-des governamentais, foi a vez do presidente do turismo local, António Ceia da Silva.

 “Meus caros amigos”, começou por dizer “em primeiro lugar não me esqueço de estar em Windhoek e encontrar um compadre, Manuel Coelho, de me dizer faço parte da Academia da Namíbia e lá estaremos para o ano em Estremoz para o congresso.” “Ser emigrante não é fácil, tiveram que fazer vida fora de Portugal, longe dos seus e por isso, para vocês uma grande salva de palmas.”

 Uma pronta e ruidosa salva de palmas logo em seguida preencheu o pavilhão B do Parque das Feiras. Ainda na sua intervenção, Ceia da Silva afirmou que a região do Alentejo cresceu e desenvolveu-se muito, modernizou-se e hoje é, segundo ele, um destino altamente procurado pelos turistas nacionais e estrangeiros.

 Para reforçar esta afirmação, informou os presentes de que o actor Harrison Ford esteve recentemente em Portugal nesta região do país e que gostou de tal forma, que seria um embaixador dela em Hollywood. Desejou um feliz e proveitoso congresso a todos. Foi-lhe entregue uma medalha alusiva ao certame e um diploma de participação.

 Por fim e a encerrar as intervenções das autoridades, foi a fez do presidente da câmara municipal de Estremoz dar as boas-vindas a todos os presentes ao município. Enalteceu os produtos regionais, as ofertas turistas e a variedade de actividades de lazer ao dispor dos visitantes. Desde as rotas do mármore à dos vinhos Estremoz e a região alentejana que cerca a cidade.

 Em relação à Academia de Estremoz, elogiou e enalteceu o bem-fazer que a tertúlia leva a cabo, que já deu a possibilidade de alunos da cidade estudarem nos Estados Unidos da América. “O que se oferece aos turistas, é a excelência e qualidade”, concluiu o autarca.

 Actou o grupo coral “Velha Guarda” de Viana do Alentejo e o grupo “Vozes na Idade do Ouro”.

 Pelas 20horas, todos os compadres e comadres reuniram-se para o primeiro jantar convívio. Após o jantar, foi dada salva de palmas em homenagem à cozinha, pela qualidade do serviço e da refeição. Coisa que, infelizmente, não se voltou a repetir no evento com as refeições procedentes a serem demasiadamente demoradas e vários foram os comentários feitos em relação à diminuição na qualidade das refeições. Após o primeiro jantar, foi a vez do rancho folclórico “A Convenção de Evoramonte” actuar. O primeiro dia foi assim encerrado.

 

* Trabalhos  do Congresso

 

 No Sábado 10 de Setembro, decorreu entre as nove da manhã e as 13h30 os traba-lhos do quadragésimo quinto congresso das Academias do Bacalhau. Um congresso, este ano, atípico pois não teve lugar a reunião de presidentes que antecede os trabalhos, onde as várias propostas e moções são previamente apresentadas e vários pontos de logística e administração são apresentados, a fim de tornar os trabalhos mais diligentes. Também não houve agenda de trabalhos nem foi aprovada a acta do congresso do ano passado, que teve lugar em Durban.

 O compadre presidente de Estremoz, Francisco Ramos deu as boas-vindas a todos os presentes e abriu oficialmente os trabalhos. O compadre presidente honorário de todas as Academias, Durval Marques, deu também as boas-vindas a todos e apelou a um congresso proveitoso. O interventor seguinte, foi o compa-dre Rui Pericão, cofundador da Academia-Mãe do Baca-lhau. Este começou por se desculpar por ter estado dé-cadas ausentes, mas que se prontificou agora retornado aos convívios da tertúlia, a contribuir de toda e qualquer forma que lhe seja solicitada.

 O presidente da Academia-Mãe, José Contente, falou em seguida. Na sua intervenção afirmou que “dos congressos muito bem conseguidos em New Jersey e Durban, cabeme dar os parabéns ao compadre “Chico” em realizar este congresso”. Contente, num espaço de tempo curto de dois minutos tentou apresentar o ponto da situação da Academia-Mãe e também da Sociedade Portuguesa de Beneficência (SPB), algo que lhe foi muito difícil e também a todos os outros presidentes fazerem. Numa sessão de apresentação que mais tarde, não deu lugar a outra para que se pudessem expor as actividades e as mensagens que os presidentes traziam.

 Seguido do compadre José Contente, todos os presidentes, mais ou menos em dois minutos, apresentaram-se, após o que se fez uma pausa para café. Os trabalhos foram retomados pelas 11h15 com as várias propostas e moções feitas. A primeira das quais que o compadre cofundador Pericão fosse feito compadre honorário de todas as Academias. A proposta inicial era de que fosse também presidente honorário de todas as Academias, mais tarde relegada para a posição de vice-presidente honorário de todas as Academias, igualmente chumbada, mas para não criar divisionismo nem haver “duas ca-beças”, foi decidido manter apenas o compadre Durval Marques como presidente ho-norário de todas as Acade-mias do Bacalhau.

Numa sessão conturbada, com várias intervenções e discussões de assuntos já aprovados em congressos anteriores, como a questão das quotas das Academias à Academia-Mãe, o tempo destinado para os trabalhos não chegou e foi excedido com o almoço, que encerra os trabalhos, a atrasar-se em mais de uma hora. Vários presidentes não tiveram oportunidade de tempo para apresentarem as suas exposições, algo que deixou um dissabor em mui-tos deles, que percorrem mi-lhares de quilómetros para estarem presentes. Exemplo disso foram os compadres da Venezuela e das Américas, Sidney e de África.

 Foi decidido o local do próximo congresso, com vários compadres já de pé e muitos outros que deixaram a sala do teatro Bernardim Ribeiro. Por impossibilidades económicas, sociais e políticas, as Academias da Venezuela não se candidataram à organização, mesmo tendo o direito de rotatividade de o fazer. A Academia de Toronto também se escusou e portanto, chegou-se a um compromisso de ser realizado na Ilha Terceira dos Açores. Algo que foi unanimemente aceite e aplaudido.

 O nome do congresso, dado pelo compadre Durval Marques, foi de “amizade e compreensão”. Os trabalhos foram seguidamente encerrados e dali, os compadres partiram para o Parque das Feiras e Exposições para o almoço. Este, extremamente demorado e que entre os pratos servidos houve uma longa espera, que terminou perto das 16h30 a refeição propriamente dita. Foi durante o almoço, que também actuou o “Grupo Coral das Autarquias do Seixal”. Um espectáculo único e que mostra um dos patrimónios imateriais da Humanidade, mas que, devido à demora da refeição, perdeu-se no burburinho das conversas durante a refeição.

 Do Parque das Feiras e Exposições, vários compadres e comadres partiram para a praça de touros de Estremoz, onde decorreu uma demonstração de toureio e equitação.

 

* Jantar de gala

 

 Pelas 20horas, teve lugar o jantar de gala do congresso. Mas, a refeição propriamente dita só começou a ser servida já passava das 22horas. Uma refeição muito demorada e cujo final, a sobremesa, só foi servida às 00horas. Pratos típicos alentejanos constituíram o repasto, mas era visível e audível o descontentamento de vários dos compadres devido à demora entre os pratos.

Durante o jantar, os compadres vice-presidentes da Academia de Maputo António David e Alfredo Gama, entregaram ao Século de Joanesburgo, na pessoa do director Rogério Varela Afonso, uma medalha do 25º aniversário da Casa do Gaiato de Maputo e uma brochura de ilustração da efeméride.

 No jantar esteve presente o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro. Este que no seu discurso elogiou o movimento da diáspora que é a Academia do Bacalhau, a solidariedade social que levam a cabo nas suas áreas geográficas de actividade e o facto de estarem todos presentes, em Portugal, para o congresso e sempre ligados à pátria-mãe através das tertúlias. A José Luís Carneiro foi entregue uma medalha comemorativa do congresso e um diploma de participação, bem como várias outras lembranças comemorativas do evento. Também, foram entregues por parte de várias Academias à Academia anfitriã, lembranças que assinalaram o evento.

 Também tarde, começou a animação e entretenimento do jantar de gala, com as actuações de dança da Ginarte Dance, com uma sessão de fados e música para dançar com a Orquestra Caravan, entretenimento que se prolongou pela madrugada adentro, mas com a maioria dos participantes do congresso a regressarem aos seus locais de dormida devido ao adiantado da hora.

 No domingo, o congresso foi encerrado com um almoço convívio e com a actuação do orfeão de Estremoz “Tomaz Alcaide” e um concerto dado pela banda filarmónica Lusitana.