Conferência “EU Inspiring Thinkers Series” com jornalista Clara Ferreira Alves em Durban

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Conferência “EU Inspiring Thinkers Series” com jornalista Clara Ferreira Alves em Durban

O chefe da Delegação da União Europeia para a Repú-blica da África do Sul, Roeland van de Geer, o embaixador de Portugal António Ri-coca Freire, com o suporte do Camões Instituto da Cooperação e Língua Portuguesa e da Faculdade de Artes e Desenho da Universidade Tecnológica de Durban, organiza-ram um evento cultural, intitulado ”Camões e Pessoa, dois poetas, dois séculos e duas perspectivas de Portugal”, que foi apresentado em Durban na quinta-feira dia 19 de Março de 2015. Estiveram presentes cerca de 70 pessoas.

 A apresentação do evento cultural foi feita pela escritora e jornalista Clara Ferreira Alves. Ela era  escritora, editora e directora do jornal Expresso e uma crítica literária. Era directora da Casa Fernando Pessoa, uma instituição dedicada ao público para o património literário de Pessoa. É um membro do júri do Prémio Pessoa, o mais importante prémio de Artes, Ciências e Humanidades em Portugal.

 A dra. Sofia de Sousa, vice-chefe da Delegação da União Europeia, deu as boas vindas a todos e sumarizou os objectivos da UE localizada em Pretória, assim como o tema desta apresentação “Inspiring, Thinkers  Series”, uma iniciativa da delegação da UE para África do Sul e os Estados-Membros representados na África do Sul.

 Em seguida o dr. Brian Pearce, reitor adjunto  e professor na Faculdade de Artes e Desenho, agradeceu a presença de todos e explicou alguns dos objectivos e resultados que esta Universidade tem alcançado através do intercâmbio de estudantes, com países tais como a China, Inglaterra, América do Norte, França, etc..  Não somente nas línguas, assim como partilhando as culturas, histórias, músicas, gastrónomias e as tradi-ções.

 A introdução de Fernando Pessoa foi feita por Jeremy Hoddy, ex-professor do Liceu DHS em Durban. Iniciou com os projectos da construção do edifício para o Liceu e a influência do dr. George Campbell. Foi neste liceu que Fer-nando Pessoa matriculou-se em 1889 e estudou. Apesar de ser o aluno mais novo da classe, pelo menos por dois anos de idade, Fernando Pessoa sempre ultrapassou com os melhores resultados académicos entre todos os outros colegas.

 Enquanto os colegas divertiam-se praticando vários desportos, tais como rugby, cricket, football, Pessoa era um introvertido e passava todo o tempo na biblioteca estudando e lendo muitos livros. Passou o exame final com os melhores resultados e foi candidato ao Prémio da Rainha Vitória que incluía uma bolsa de estudo na Universidade de Oxford na Inglaterra. Todavia, foi desqualificado porque era candidato de nacionalidade portuguesa. Julgam que esta decisão fez com que Fernando Pessoa regressasse a Portugal. 

 A apresentação pela escritora e jornalista Clara Ferreira Alves foi excelente, diferenciando entre os dois poetas, Luís de Camões completamente extrovertido, enquanto Fernando Pessoa era introvertido.

 Camões nasceu em 1524 e foi educado pela mãe, pois o pai faleceu enquanto era criança, viveu  com um estilo de vida muito diferente. Escreveu sobre o império português, a sua grandeza, a sua riqueza, as suas realizações, mas por vezes com algumas dúvidas e contradições. Estudou na Universidade de Coimbra mas nunca completou qualquer curso. Decidiu ir para Lisboa e mais tarde foi para Ceuta on-de perdeu uma vista. Regressou a Lisboa e foi para a Índia e Macau, regressando mais tarde.

 

* Padrastro de Fernando Pessoa foi Primeiro cônsul de Portugal em Durban

 

 Fernando Pessoa nasceu numa época mais moderna, vindo para a África do Sul com a mãe para juntar-se ao seu padrasto que foi o primeiro cônsul de Portugal em Durban. Iniciou os seus estudos numa escola de freiras católicas e mais tarde ingressou no Liceu DHS.  Aos 17 anos de idade decidiu regressar a Lisboa e viveu com a avó durante algum tempo, matriculando-se mais tarde na Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa.

 Continuava com uma vida muito solitária e geralmente saía à noite para conviver com alguns amigos. Faleceu em 1935 com 46 anos de idade, deixando um portamalas cheio de poemas, escritos em pedaços de papel, em bilhetes de carris, etc.,.

 Pessoa teve, tem e continua a ter uma grande influência e admiração em muito poetas espalhados por todo o mundo.

Clara Alves concluíu dizendo que perdendo a nossa língua é o mesmo que perder a nos-sa família e a nossa cultura. 

 Seguiram-se várias perguntas que foram respondidas pela apresentadora Clara Alves.

 A dra. Luísa Fragoso, cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, usou da palavra como representante da Embaixada de Portugal na África do Sul. Agradeceu a presença de todos, assim como a assistência e cooperação da Universidade Tecnológica de Durban. Enalteceu os cursos de língua portuguesa que tiveram lugar nesta universidade no passado e presente anos lectivos.

 A língua portuguesa é muito procurada por jovens e adultos. Agradeceu a todos or or-ganizadores pela excelente apresentação, assim como ao cônsul honorário de Portugal em Durban, Elias de Sousa, pelo bom trabalho desempe-nhado por todos no Consulado Honorário.

 A dr. René Smith Executiva Reitora da Faculdade de Artes e Desenho da Universidade Tecnológica de Durban agradeceu a presença de todos em especial dos muitos alunos ali presentes, assim como da UE, do Camões Instituto e todos os organizadores e participantes. Terminou dizendo que línguas é parte do curriculum da Faculdade que preside e os resultados têm ultrapasado as expectativas de todos. Terminou com “boa noite a todos”.

 Para terminar esta apresentação os presentes foram obsequiados com uma recepção.