Comunidades portuguesas terão papel central na preparação do Portugal pós-troika

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Comunidades portuguesas terão papel central na preparação do Portugal pós-troika

O vice-presidente do PSD, Jorge Moreira da Silva, afirmou sábado, no final do encontro anual das estruturas do PSD na Europa, em Paris, que as comunidades portuguesas pelo mundo terão um “papel central” na preparação do Portugal “pós-‘troika’”.

 “Este é um momento muito importante para Portugal e para todos os portugueses. Não podemos fechar a discussão sobre os grandes desafios naqueles 10 milhões que vivem [no país]. É cada vez mais importante pensar Portugal num contexto global, tirando partido das experiências de todos os que não [vivem] em Portugal”, afirmou.

 As comunidades portuguesas pelo mundo, disse, “terão um papel central” na preparação do período “pós-‘troika’”, uma discussão, explicou, em torno da reforma do Estado, da fiscalidade, e do investimento.

 Jorge Moreira da Silva afirmou que a importância dos portugueses pelo mundo neste debate se verifica a diversos níveis, a começar pelos debates com escala global: “Temos que olhar para o mundo tendo noção de que há novos riscos, como as alterações climáticas, mas também olhar para as novas oportunidades, como a economia digital, a economia do conhecimento, a economia verde”, disse, considerando que as comunidades têm um papel a desempenhar na discussão sobre estes “grandes debates”, influenciando-os.

 O papel das comunidades, acrescentou, será também importante ao nível do crescimento económico, sobretudo no quadro da criação de “confiança” internacional – a partir “daqueles que trabalham junto das empresas, das organizações não-governamentais” – no país.

 Quem está fora pode, sugeriu Moreira da Silva, ajudar na “identificação de boas oportunidades de investimento que existem em Portugal”. É importante, defendeu, “que aqueles que hoje têm liquidez para investir em Portugal possam ter o bom conselho dos portugueses espalhados pela Europa e pelo mundo”.

 E de fora, concluiu, pode também sair uma ajuda para re-forçar as exportações, através da "identificação de novos destinos" para vender produtos portugueses.

 “Acredito muito na capacidade das comunidades no re-forço da confiança e na criação de condições para que Portugal possa vencer”, acrescentou.

 O encontro que decorreu na sede do partido conservador União por um Movimento Popular (UMP) reuniu as principais estruturas do círculo da Europa, nomeadamente Paris, Estrasburgo, Lyon, Bordéus, Toulouse, Alemanha, Bruxelas, Espanha, Luxemburgo, Holanda, Suíça e Rei-no Unido.

 A reunião contou também com a presença do secretário-geral do PSD, José Matos Rosa.

 

* AICEP tem que estar mais atenta ao mundo empresarial das comunidades  – deputado PSD

 

 O deputado do PSD eleito pelo círculo da Europa, Carlos Alberto Gonçalves, considerou que a Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) “tem que estar mais atenta ao mundo empresarial das comunidades”.

 Carlos Alberto Gonçalves falava à agência Lusa depois de, durante o fim de semana, ter efetuado diversos contactos com a comunidade portuguesa na área consular de Orleães (norte-centro de França), em particular com empresários e dirigentes associativos.

 “A AICEP tem que estar mais atenta ao mundo empresarial das comunidades. Temos uma rede importante de empresários, numa comunidade bastante significativa em termos numéricos. Se fôssemos ver qual o contributo das comunidades para as exportações, éramos capazes de chegar a números muito interessantes, nomeadamente no que respeita a bens alimentares”, afirmou o deputado.

 Para o social-democrata, “as comunidades são o parceiro ideal para divulgar Portugal e o que de melhor o país tem”. O potencial destes milhões de pessoas que estão fora do país, disse, “é enorme” e, defendeu, “tem que ser aproveitado”.

 Carlos Alberto Gonçalves lembrou ainda que “existem portugueses no exterior a trabalhar nas áreas da inovação e em lugares de destaque”, considerando que “isso também tem que ser aproveitado”.

 Nos contactos com a comunidade, nomeadamente em Châlettesur-Loing, o deputado ouviu, “mais uma vez”, o “reconhecimento, por parte dos portugueses em França, do sucesso que tem sido esta iniciativa do Governo”.

 “Não há comunidade que eu visite que não me diga que pretende beneficiar das permanências consulares. Considero que esta é a iniciativa mais importante levada a cabo por um Governo nas últimas décadas para aproximar as comunidades portuguesas de Portugal. Está a transformar a relação entre os portugueses no estrangeiro e o ser-viço administrativo português”, considerou.

 As permanências (ou presenças) consulares são deslocações regulares de funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros às áreas não cobertas por consulados ou vice-consulados. Hoje chegam a mais de uma centena de cidades no mundo, e o Governo tem previsto um alargamento desta rede.

 

* Estruturas do PSD na Europa recomendam “acompanhamento muito atento dos fluxos migratórios”

 

 As estruturas do PSD na Europa, reunidas em Paris, recomendam ao Governo, no documento que reúne as conclusões do encontro, que faça "um acompanhamento muito atento dos actuais fluxos migratórios", trabalhando em conjunto "com instituições da vida comunitária".

 Esta recomendação, que se lê no último ponto da lista de conclusões, é feita "num momento em que muitos portugueses se veem obrigados a recorrer à emigração como forma de encontrarem uma saída profissional, o que os torna mais vulneráveis a situações de exploração e a fraudes".

 Militantes e eleitos defendem que "importa que o Governo e os serviços consulares saibam trabalhar com instituições da vida comunitária, de forma a apoiarem os casos mais delicados e a divulgarem ao máximo a informação acerca do fenómeno migratório".

No mesmo documento faz-se apelo ao executivo para que "aumente as medidas de promoção da participação cívica e política das comunidades, encontrando acções que dinamizem especialmente a participação dos jovens na vida associativa".

 Na abertura da apresentação das conclusões do encontro, o deputado Carlos Alberto Gonçalves afirmou que o PSD "deu oportunidades às comunidades", e que "é chegado o tempo em que as comunidades, as ideias, o trabalho, e as propostas sobre as comunidades saem das comunidades para Portugal, e não de Portugal para as comunidades".

 "Toda a gente comenta, toda a gente fala sobre as comunidades. E, infelizmente, são aqueles que percebem de comunidades, que vivem nas comunidades, que nunca são ouvidos sobre matéria de comunidades em Portugal", acrescentou, saudando as medidas que o Governo tem tomado para "aproximar" os portugueses de fora do país.

 O deputado deixou ainda um comentário ao valor das remessas enviadas pelos emigrantes para Portugal – que cresceram 13% no ano passado, para 2,75 mil milhões de euros, atingindo o valor mais alto da última década -, criticando a postura dos anteriores governos socialistas em relação às comunidades.

 "Nós sucedemos a um Governo que dizia que não precisava dos emigrantes. É normal que agora que temos um Governo que acredita nos emigrantes, e que tem emigrantes que acreditam no país, as remessas tenham aumentado, independentemente da questão migratória, independentemente da solidariedade histórica", disse.

 Em Portugal, concluiu, "os agentes económicos voltaram-se novamente para as comunidades portuguesas".

 Este encontro anual reuniu as principais estruturas do círculo da Europa, nomeadamente Paris, Estrasburgo, Lyon, Bordéus, Toulouse, Alemanha, Bruxelas, Espanha, Luxemburgo, Holanda, Suíça e Rei-no Unido.

A reunião contou com a presença do vice-presidente do partido e coordenador permanente da comissão política nacional, Jorge Moreira da Silva, e do secretário-geral do PSD, José Matos Rosa.