Comunidades atingidas pela crise financeira em Portugal

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Comunidades atingidas pela crise financeira em Portugal

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, declarou na sua mensagem de Natal, divulgada na quinta-feira, que compreende o desagrado da diáspora portuguesa em relação aos ajustes realizados pelo Governo, mas considera que estes eram inevitáveis.

 “Reconheço que alguns dos ajustes que fomos obrigados a fazer têm impacto sobre algumas delas (comunidades portuguesas). Embora compreendendo o seu desagrado, não posso deixar de assinalar que estas medidas, em tudo semelhantes às adoptadas por outros membros da União Europeia (UE), eram inevitáveis”, referiu Cesário na mensagem.
 Portugal vai encerrar sete embaixadas, quatro vice-consulados e um escritório consular, anunciou em Novembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas.
 Houve também uma redução no número de professores do Ensino do Português no Estrangeiro (EPE). Segundo o Sindicato dos Professores das Comunidades Lusíadas, 149 professores já foram dispensados este ano e 15 mil alunos ficarão sem aulas na diáspora.

 O secretário de Estado afirmou que já esteve em contacto com as comunidades em vários países, ouvindo “as suas aspirações” e “conhecendo os seus problemas”, estando já a trabalhar para a implementação dos objectivos propostos para as comunidades portuguesas.
 Entre esses objectivos, citados por Cesário, estão a valorização das comunidades portuguesas, a desburocratização e a maior proximidade do serviço consular, o fomento da participação cívica e política, apostando também na Língua Portuguesa como elemento estruturante na diáspora.

 “O mundo transforma-se hoje a um ritmo acelerado e as nações procuram adaptar-se à mudança. São conhecidas as dificuldades que Portugal atravessa. Não adianta tentar escondê-las ou nega-las. Os recursos à disposição do país são hoje menores”, sublinhou ainda José Cesário.
 O responsável referiu que é também uma realidade vivida por muitos países, incluindo as economias mais avançadas da UE, que estão a “ajustar-se às novas realidades, que implicam uma cuidadosa afectação dos recursos e impõem escolhas difíceis”.
 “Em diversos períodos da história os portugueses demonstraram determinação, capacidade de trabalho e solidariedade entre os seus elementos, que lhes permitiram ultrapassar situações de enorme dificuldade”, afirmou.

De acordo com José Cesário, “no mundo globalizado em que vivemos, Portugal possui um valor estratégico inestimável para ultrapassar a presente conjuntura”, referindo-se às comunidades portuguesas.
 “A diáspora portuguesa representa um património humano ímpar, fundamental para dar resposta às dificuldades que colectivamente enfrentamos”, frisou o secretário de Estado.
 “As permanências consulares, que visam levar serviços consulares directamente aos utentes estão já em fase de implementação e serão usadas nas localidades nas quais não existe acesso próximo a um posto consular. É uma reforma da maior importância que permite ainda demonstrar como Portugal pode também estar na vanguarda das tecnologias”, declarou José Cesário.

 O secretário de Estado indicou também que “o ensino do português e a divulgação da nossa cultura conheceu uma profunda reforma, estando já a trabalhar-se no sentido de se garantir a certificação de aprendizagens obtidas, de se envolverem mais as comunidades nas suas dinâmicas e de se esbaterem as diferenças entre países”.
 O secretário de Estado também fez questão de lembrar os portugueses com os mais variados problemas nos países de acolhimento e pediu aos cidadãos que observem as normas de segurança nas estradas durante a quadra natalícia, para evitar os acidentes.

 “Num momento em que nos confrontamos com um aumento muito significativo da nossa emigração, a todos queria deixar uma palavra de solidariedade e a certeza de que continuaremos a acompanhar de perto as suas situações e a envidar esforços para que elas melhorem”, acrescentou ainda José Cesário.