Comunidades acabarão por desaparecer se as associações portuguesas não gerarem influências

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Comunidades acabarão por desaparecer se as associações portuguesas não gerarem influências

O secretário de Estado das Comunidades defendeu sábado, em Paris, que as associações portuguesas pelo mundo precisam de criar redes de contactos e de “gerar participação e influência” ou “as comunidades acabarão por desaparecer”.

 José Cesário participou no encontro de jovens luso-descendentes organizado pela associação de autarcas portugueses eleitos em França Cívica e considerou que “a participação é a chave do sucesso para o futuro das instituições das nossas comunidades”.
 “Ou temos a capacidade de nos mobilizarmos para causas, de alargarmos o âmbito de acção das associações, incluindo novos actores, como os jovens e as mulheres, ou então as nossas comunidades acabarão por desaparecer”, afirmou.

 O secretário de Estado estimou que as comunidades portuguesas pelo mundo tenham mais de 2.700 associações e lamentou que, apesar disso, “o défice de participação seja enorme”. As associações, afirmou, “limitam-se a ser locais de encontro e é preciso ir mais longe”.
 “Temos que ser capazes de, através da participação, gerar influência e capacidade de decidir. Sobretudo, neste momento não podemos desprezar o que é já o grande universo das nossas comunidades: os que já nasceram fora de Portugal e que, falem ou não português, se sentem portugueses”, acrescentou.

 José Cesário sublinhou que é desta mudança e mobilização que depende a defesa dos interesses da comunidade portuguesa, seja na educação, na cultura, no ensino da língua ou na promoção dos produtos portugueses no estrangeiro.
 “Queremos fazer do associativismo o centro das políticas a dirigir à diáspora, que as associações sejam os pontos centrais para motivarmos as comunidades. Mas isto não se faz sem organização, sem uma rede de contactos”, acrescentou.
 O secretário de Estado afirmou ainda que em breve vão começar a ser feitas permanências consulares com instrumentos diferentes e que o Governo conta com as associações como parceiras no terreno.

 Também o presidente da associação Cívica, Paulo Marques, considera que “está nas mãos dos portugueses de segunda geração” fazerem com que França “passe cartão” à comunidade: “Eles têm que participar e convencer os
outros a participar, cívica e politicamente”, disse.

 O encontro reuniu cerca de meia centena de autarcas, empresários, professores, economistas e dirigentes associativos de ascendência portuguesa.