Completada pintura do quadro de homenagem ao comendador António Braz em Tondela

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A propósito da homenagem feita ao comendador António Braz pelo Município de Tondela de onde era natural e pela sua Fundação, foi completado um quadro pintado por uma artista tondelense, Patrícia Matos. Quadro esse que celebra a vida e obra do comendador e que lhe foi encomendado, a propósito das comemorações dos 100 anos de nascimento de António Braz, realizadas no passado mês de Julho.

 Em entrevista ao Século de Joanesburgo, jornal por ele fundado em Junho de 1963, a pintora explicou-nos todo o processo de criação da peça artística.

 Michael Gillbee – Quais as técnicas que utilizou? Óleos, aguarelas, guache…

 Patrícia Matos – Utilizei uma pintura a óleo sobre tela, nas dimensões de 90x70cm.

 MG – Quanto tempo levou a completar a peça artística?

 PM – A peça foi desenvolvida ao longo de cerca de um mês. Esse espaço de tempo incluiu uma primeira fase de recolha de informação e contextualização, uma segunda fase de estudo em termos de cor e de composição e, finalmente, a execução do retrato propriamente dito.

 MG – A obra estará exposta na Biblioteca Municipal de Tondela. Até quando?

 PM – Até à data do encerramento da exposição dedicada ao Comendador.

 MG – Depois, o quadro irá para onde?

 PM – Neste momento não há certezas em relação ao seu destino… idealmente seria integrado na Fundação António Braz. Prevê-se ainda que seja referido e mostrado num documentário sobre o Comendador que actualmente se encontra em processo de produção.

 MG – É um retrato que tem uma interpretação sua. Como tem as folhas de bananeira e é baseado numa fotografia tirada ao comendador. Qual é a sua interpretação artística?

 PM – A fotografia que refere (sem dúvida icónica) foi de facto a imagem que serviu de ponto de partida. Contudo, não queria de todo restringir o retrato a essa imagem nem tão pouco a essa tão tenra idade. Como tal, tentei por um lado que o conjunto compositivo sugerisse a intemporalidade, visto que alude em simultâneo a um antes, a um depois e a um sempre na vida de António Braz.

 Por outro lado, tentei que as feições lhe apontassem para o início do meio da vida, quando o seu império se encontrava em plena construção. A este ponto não posso deixar de mencionar a dificuldade da tarefa que é captar de forma fidedigna as feições e as expressões de uma pessoa que não conheci ou vi em carne e osso.

 Para um pintor, é sempre uma grande mais-valia observar presencialmente a pessoa para lhe captar as subtilezas. Não sendo possível neste caso, a solução passou por fazer uma recriação mental, aliando a imaginação às evidências fotográficas e depois traduzir essa “versão virtual” em termos de cores e de pinceladas.

 Acima de tudo, trata-se de uma personalidade de um carácter muito rico, multifacetado e nobre, pelo que não faltaram focos de inspiração.

 Quanto às folhas de bananeira que mencionou, fizeram de facto parte de estudos compositivos preliminares e que optei, contudo, por abandonar.

 MG – Com essa interpretação, que mensagem quis passar?

 PM – A minha preocupação foi tirar proveito das ferramentas de que o pintor dispõe para criar uma imagem pictórica associável ao Comendador António Braz, na qual se lhe reconhecessem não só feições, mas também feitios e feitos. Feições – As maçãs do rosto proeminentes. Os olhos escuros vivos. Os lábios am-plos e em sorriso cândido. A ligeira separação entre os incisivos frontais, que lhe acentuava a graça jovial. A testa alta e “penteada para trás”. Feitios – Vivacidade e folia: na paleta de cores garridas; na pincelada rítmica e expressiva.  O zelo e critério no vestir: o fato completo, a ornamentação da gravata. Altruísmo: nas mãos grandes, em aura. Sensibilidade: na rosa que, conforme consta, colhia diariamente para a esposa… Feitos – A África: na paleta de cores saturadas quentes. A TONY’S BRAND: na paleta gráfica e contrastante, com as cores do logótipo da marca. A soberania de um “king”: na figura frontal, central e alta, qual tro-no! Das origens, na carpintaria, à construção de um legado: a evolução do seu percurso é invocada pela sublimação de estruturas que se observa na vertical e em sentido ascendente das madeiras aos saberes, conhecimentos e experiências necessários para edificar impérios. E a guiar, coroando? A iluminação: que trazia na cabeça e no coração.

 MG – Tem alguma coisa a acrescentar?

 PM – Pintar o retrato de uma personalidade como o Comendador António Braz foi uma honra e um desafio que aceitei com enorme gosto. Aqui deixo os meus agradecimentos a todos os organizadores das comemorações do centenário do seu nascimento. E agradeço também ao Século de Joanesburgo!