Compadre Francisco-Xavier de Meireles faz apelo à não alimentação de rumores na Comunidade

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 Na quinta-feira 24 de Janeiro, reuniram-se no restaurante da União Portuguesa 21 pessoas, entre compadres, comadres e convidados. O compadre Jorge Araújo, vice-presidente da Academia-Mãe do Bacalhau presidiu ao almoço, que foi aberto pelas 13h15 com o presidente a soar o badalo.

 O compadre Araújo deu as boas-vindas a todos os presentes em torno da mesa e pediu ao compadre Francisco-Xavier de Meireles para que desse o “tom” do “Gavião de Penacho”. Para a tarefa de “carrasco” foi também o compadre Francisco-Xavier de Meireles a quem tocou a escolha do presidente da mesa.

 O primeiro prato, o da sopa de caldo-verde, bem preparada, foi servido. Seguiram-se as entradas de petingas fritas, moelas guisadas, chouriço assado e azeitonas. Uma bem-vinda variação na ementa do almoço das últimas cin-co semanas seguidas que a Academia-Mãe está na União Portuguesa.

 Os pratos foram servidos em rápida sucessão e logo a seguir ao primeiro prato, foi servido o do bacalhau. O “fiel amigo” esta semana foi preparado frito, com cebolada e batatas fritas às rodelas. O peixe estava bem demolhado e bem confeccionado, com a posta de bacalhau a lascar na perfeição.

 Findo e levantado o prato de bacalhau, o presidente pediu que fosse contadas algumas anedotas para entretenimento de todos. Um momento lúdico no repasto enquanto a sobremesa era degustada.

 O compadre Jorge Araújo deu a palavra ao compadre Francisco-Xavier de Meireles. “Boa tarde a todos”, começou por dizer o compadre De Meireles. “Queria aproveitar a ocasião para desejar a todos, como diz o nosso compadre honorário João Carreira, que o melhor de 2018 seja o pior de 2019. Em segundo lugar, queria dar uma explicação que será oportuna e útil para quem não esteja mais informado. Eu pus ontem uma comunicação à Comunidade portuguesa no site do Consulado e na página do Facebook do Consulado-Geral relativa a dois assuntos muito sérios e deveriam ser tratados com muita seriedade e respeito. Nos últimos dois meses houve duas situações dramáticas relativamente a portugueses. O primeiro, foi o senhor Macedo, desaparecido há 30 anos e cuja família estava convencida que ele estava morto. Apareceu em condições miseráveis. E a razão porque co-mentei, é a seguinte: façam um esforço activo para contrariar esta tentação de ir atrás dos boatos e dos rumores. Alguma dúvida que haja, escrevam que o Consulado-Geral responde aos e-mails em 24 horas. As notícias ou são verdade ou são boatos e como tal, quero esclarecer e dizer novamente que o Consulado-Geral só fala pela voz do cônsul-geral de Portugal e de quem é autorizado pelo cônsul-geral que trabalha no Consulado-Geral de Portugal. Não há equívocos!”

 O compadre De Meireles prosseguiu ao afirmar “tenho uma homenagem sentida a fazer à Sociedade Portuguesa de Beneficência, que fizeram e deram todo o apoio ao senhor Macedo até à hora da sua morte.” “Além disso, tivemos também o caso de uma senhora que necessitou de ajuda, que não possui nacionalidade lusa, mas porque os pais eram portugueses, foi-lhe prestada toda a ajuda por parte do Consulado-Geral de Portugal bem como da Comunidade portuguesa. A senhora em questão não quis ajuda em primeiro, depois já queria e mostrou não estar psicologicamente bem. Eu, enquanto cônsul-geral, impus a condição de que mais ajuda seria sujeita primeiro a uma avaliação psicológica. A senhora recusou. O que é que eu quero dizer com isto tudo? Andam por aí a dizer que o Consulado, o cônsul-geral, os funcionários do Consulado-Geral deviam ter feito mais, não fizeram mais, não fizeram o suficiente. Não é verdade. Se há críticas, ponham-nas por escrito, que nós enviamos a quem de direito para rectificar o que está mal. Peço-vos, não cedam a esta tentação de dar azo a rumores e espalhar o que ouviram dizer”, rematou o compadre De Meireles.

 “Depois, quero-vos dizer que os tempos mudam e mudam-se as vontades, a Academia do Bacalhau, tem que saber modernizar-se  e não pode ter medo disso. Se houve tempo de campanhas eleitorais e hoje temos que andar atrás de quem possa ser presidente, temos que adaptar e encontrar soluções dos tempos que correm. Isso, é prova da vitalidade da instituição nestes tempos, tem espaço e lugar e muitas necessidades para acudir. Eu, enquanto cônsul-geral e como compadre, cá estarei para ajudar e espero que saibamos todos responder às necessidades”.

 O compadre informou do problema da central telefónica do consulado-geral e alertou para vários agentes e pessoas que trabalhavam no Consulado-Geral e que “agora prometem soluções milagrosas para os problemas de sempre”.

 Apelou ao bom senso e que os portugueses não se deixem iludir por facilitismos em tratar de actos civis e consulares por terceiros que não o Consulado-Geral de Portugal.

 O compadre honorário Victor Salazar pediu a palavra ao presidente da mesa, o compadre Jorge Araújo e respondeu ao compadre Francisco-Xavier de Meireles. “Caro compadre”, começou por frisar o compadre honorário Salazar. “Eu servi durante décadas a Academia-Mãe e o compadre se calhar não sabe porque não está cá há muito tempo, mas todas as ditas “crises” eu vias e a Academia-Mãe sobreviveu e passou por todas. Acredito, pelo que vi e pelo que vejo hoje, que a Academia-Mãe do Bacalhau está bem e está forte.”

 “Também acho que este não é o lugar para fazer certas re-ferências que o compadre fez, a órgãos de informação e

outras instituições, porque a Academia-Mãe sempre se alienou dessas coisas, precisamente para não alimentar divisionismos, sectarismos e conflitos. A Academia do Bacalhau trabalha em prol da Comunidade e ajuda sem haver títulos, cargos ou quaisquer outras coisas que gerem diferenciação entre nós”, concluiu o compadre honorário Victor Salazar.

 A palavra final da tarde foi dada ao “carrasco”. O compadre Francisco-Xavier de Meireles, a primeira vez no papel de “carrasco”, distribuiu os castigos e veiculou a sua sentença.

 Já depois da intervenção do “carrasco”, o compadre Ivo de Sousa apresentou ainda o seu convidado, o Carlos Varela. Português muito conhecido e há mais de 53 anos a trabalhar e sócio da União Portuguesa. Este, após a intervenção do compadre Ivo de Sousa, agradeceu-lhe o convite e afirmou ser um prazer ter participado pela primeira vez no almoço da Academia-Mãe do Bacalhau.

  O almoço foi encerrado com o entoar da Marcha da Academia do Bacalhau e com o último “Gavião de Penacho”. Os cafés e digestivos foram levados para a mesa e a tarde prosseguiu com conversa e convívio em torno da mesa.