Comissão Europeia reconhece evolução positiva da economia portuguesa

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A Comissão Europeia defendeu na quarta-feira que Portugal deve prosseguir reformas estruturais para fazer face aos desequilíbrios económicos que subsistem, mas argumentou que agora é  de destacar o que já foi feito, “um copo cheio a três quartos”.

 Na conferência de imprensa de apresentação do “pacote de inverno” do semestre euro-peu de coordenação de políticas económicas e orçamentais na União Europeia, em Bruxelas, o vice-presidente responsável pelo Euro, Valdis Dombrovskis, e o comissário dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, destacaram o facto de ter sido desagravado o procedimento de desequilíbrios macroeconómicos a Portugal, que deixaram de ser considerados “excessivos”.

 “Antes de tudo o mais, o que quero sublinhar é que esta decisão significa que houve progressos extremamente substanciais na situação de Portugal, na tendência que o país segue, e é isso que queremos sublinhar e encorajar”, comentou Moscovici, reforçando que quando um país atravessa uma crise e sai de um programa de assistência como fez Portugal, cuja situação está melhor “em todas as frentes”, há que “traduzi-lo”, e foi isso que o executivo comunitário agora fez.

 Notando que “naturalmente restam esforços por fazer”, até porque Portugal deixou de ser considerado um Estado-membro com “desequilíbrios excessivos, mas continua com desequilíbrios, como

outros países da União Europeia“, o comissário francês argumentou que hoje é altura para sublinhar antes os progressos alcançados, recorrendo à imagem do “copo meio cheio ou meio vazio” para defender que actualmente não há ambiguidades e diferentes formas de olhar para a situação do país.

 “Hoje em dia estamos com um copo a três quartos cheio”, disse, argumentando que a reclassificação de hoje no quadro dos desequilíbrios macroeconómicos “marca um progresso, e é essa a mensagem da Comissão”.

 Ainda assim, acrescentou, Bruxelas vai pedir ao Governo “que prossiga” os esforços, e apontou como exemplos de desafios que persistem “o sector financeiro, a produtividade no trabalho, as desigualdades salariais, que continuam elevadas, as fragmentações do mercado de trabalho, assim como o nível de investimento que, apesar de ter melhorado, continua muito fraco”.

 Dombrovskis precisou que a Comissão Europeia vai escrever uma carta dirigida ao Governo português “a sublinhar a importância de um Programa Nacional de Reformas ambicioso e detalhado para lidar com os desequilíbrios que restam”, comentando que “claro que é importante que Portugal prossiga a implementação de reformas estruturais”.