Comissão Europeia deve ser responsabilizada por previsões que prejudicam Portugal

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Comissão EuropeiaO secretário de Estado da Administração Local, José Junqueiro, defende que devem ser pedidas responsabilidades à Comissão Europeia pelos prejuízos provocados pelas suas previsões.

 “Devemos pedir responsabilidades à Comissão Europeia porque não podemos estar debaixo de fogo durante um ano, dizendo que não vamos crescer e afinal crescemos, que não vamos ter exportações e temos exportações, sempre em números três, quatro vezes superior às previsões, e no final do ano nem um pedido de desculpas”, considerou.
 José Junqueiro comentava aos jornalistas, em Mangualde, as previsões da Comissão Europeia, que estimam que Portugal cresça 1,3 por cento este ano e entre em recessão em 2011, com uma contracção de um por cento.

 Para o secretário de Estado, tratam-se de “previsões analfabetas e incompetentes e que prejudicam o país”.
 “E pergunto sempre quem é que vai ressarcir o país desses prejuízos, porque as agências de ‘rating’ e o sistema financeiro internacional é com base nestes números que fazem as suas acções”, frisou.
 José Junqueiro entende também que devem ser pedidas responsabilidades “às oposições, porque ao fazerem coro com estas previsões infundadas, estão a ser parte do problema e não parte da solução”.

 “E nós todos não somos demais para triunfar. Nós precisamos das oposições para ajudar Portugal a vencer esta crise e, portanto, responsabilidades têm que ser pedidas a quem colabora para o problema e não faz connosco parte da solução”, realçou.
 Na sua opinião, “não é o Governo que está em causa: discordar do Governo é normal, o que nós não podemos pactuar é que em vez de atacar o Governo se esteja a atacar o país”.

* Comissão Européia devia ser prudente nas previsões – Basílio Horta
          
 O presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) considerou que a Comissão Europeia devia “ter alguma prudência e alguma discrição quando analisa o futuro”, discordando das previsões que faz para 2011.
 Em declarações aos jornalistas em Mangualde, no final da assinatura de protocolos de investimento da “Diplomacia Económica Local”, Basílio Horta reagiu com indignação às previsões da Comissão Europeia.

 “A Comissão Europeia para este ano tinha previsto um crescimento do produto de 0,3 por cento e um crescimento das exportações de três por cento”, lembrou, frisando que estes números, para um país com a dívida de Portugal, foram encarados como “um resultado negativo” pelos analistas.
 Por outro lado, “as agências de ‘rating’, com base nesses números, dão uma imagem de Portugal como um país que tem dificuldades de pagar a sua dívida, logo as taxas de juro sobem e as dificuldades de financiamento crescem”, acrescentou.
 No entanto, “a Comissão Europeia vem dizer que afinal se enganou, que não é 0,3 por cento (de crescimento), é 1,3 por cento. Que afinal não são três por cento das exportações, são 9,4”, criticou.

 Na opinião de Basílio Horta, teria havido uma grande diferença “na análise da economia portuguesa se a Comissão Europeia não se tivesse enganado”.
 “Perante esta situação, eu acho que a Comissão Europeia devia ter alguma prudência e alguma discrição quando analisa o futuro. Porque quem se enganou tanto no presente, deve ter algum cuidado em relação ao futuro”, frisou.
 O presidente do AICEP entende que não houve esse cuidado quando aponta para uma recessão em 2011, “sabendo perfeitamente que isso vai dar um efeito muito negativo no sistema financeiro internacional, nas agências de ‘rating’ e nas dificuldades de financiamento” à economia portuguesa.
“Estou convencido de que se vai enganar, de que se Portugal não for mais prejudicado e se não houver uma intenção deliberada de atirar abaixo a nossa economia, nós para o ano podemos não ter recessão”, afirmou.

 Para Basílio Horta, em 2011 Portugal poderá ter um crescimento “menor do que este ano, mas se as exportações se continuarem a aguentar como se estão a aguentar agora” não haverá recessão.
 O presidente do AICEP considera que nem o presidente da Comissão Europeia, o português Durão Barroso, se deve sentir confortável “se efectivamente os seus serviços se enganam desta maneira em relação ao seu país”.

“Há uma grande diferença, num momento de crise para um país pequeno como o nosso e uma economia aberta como a nossa, crescer a 0,3 ou a 1,3. Quando nós sabemos que a Irlanda está a descer a 1,3 por cento, faz toda a diferença Portugal estar a subir a 1,3”, sublinhou, ex-plicando que, neste momento, o crescimento é até superior, de 1,5 por cento.