Comissão Europeia autoriza recapitalização da Caixa em 3,9 biliões de euros

0
14
Comissão Europeia autoriza recapitalização da Caixa em 3,9 biliões de euros

A Comissão Europeia autorizou na sexta-feira a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), no montante de 3,9 mil milhões de euros, após concluir que a operação não constitui um novo auxílio a favor do banco público.

 “O plano de negócios apresentado por Portugal prevê uma transformação estrutural da CGD e permitirá ao banco tornar-se rentável a longo prazo. A nossa apreciação revelou que o Estado português, enquanto accionista único da CGD, investe nas mesmas condições que um proprietário privado estaria disposto a aceitar. Por conseguinte, a recapitalização pelo Estado não constitui um novo auxílio estatal”, anunciou a comissária da Concorrência, Margrethe Vestager.

 Ao início da tarde, numa conferência de imprensa no final da cimeira de líderes da União Europeia que teve lugar em Bruxelas, o primeiro-ministro, António Costa, já revelara que a Comissão Europeia iria aprovar finalmente o processo de capitalização da Caixa, o que considerou “um facto muito positivo”, não só para o banco mas também porque resolve simultaneamente “parte substancial” do problema do crédito mal parado no sistema bancário português.

 

* CGD com prejuízos históricos de 1.859 ME em 2016

 

 A Caixa Geral de Depósitos (CGD) teve um prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016, mais de dez ve zes superior aos resultados negativos de 171,5 milhões registados em 2015, divulgou na sexta-feira o banco público.

 Este é o sexto ano consecutivo de prejuízos do grupo e os 1.859 milhões de euros são resultados negativos históricos.

 Ainda em 2016, o banco estatal constituiu provisões e imparidades (para fazer face a potenciais perdas, sobretudo para crédito) de 3.017 milhões de euros, o que compara com os 715 milhões de euros do ano anterior, e que a instituição diz que "foi decisivo para o resultado líquido".

 Os resultados de 2016 são referentes às administrações lideradas por José de Matos, até final de agosto (parte importante do tempo em gestão), e de António Domingues, de setembro até final de dezembro.

 Desde o início do ano, após a saída de Domingues com a polémica envolvendo as suas declarações de rendimentos e património, que o banco tem Paulo Macedo como presidente executivo e Rui Vilar como presidente não executivo (‘chairman’).

 

* Caixa fecha mais de metade dos balcões e dispensa 2.200

trabalhadores até 2020

 

 O grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai cortar 2.200 postos de trabalho, através de pré-reformas e rescisões amigáveis, e fechar mais de metade dos balcões até 2020, no âmbito do acordado com Bruxelas.

 De acordo com os dados  apresentados na sexta-feira, no final de 2016 o banco tinha 8.133 trabalhadores em Portugal, menos 297 do que no final do ano anterior, quando eram 8.410.

 Em termos de agências, o banco fechou 42 em 2016, tendo no final de dezembro passado a ter uma rede de 1.211 unidades comerciais.

 Nos próximos anos, no âm-bito do plano estratégico negociado com Bruxelas, a CGD prevê dispensar 2.200 pessoas, o que o presidente executivo, Paulo Macedo, disse que se fará através de "pré-reformas e eventualmente rescisões por mútuo acordo".

 O gestor não quis adiantar, contudo, quantos trabalhadores deverão sair já este ano.

 Em termos de agências, a CGD quer chegar a 2020 com um número entre 470 e 490.

 O banco prevê gastar 150 milhões de euros com as saídas de trabalhadores até 2020.

 

* Marcelo diz que prejuízos foram

"desagravados" e que isso traz tranquilidade

 

 O Presidente da República relativizou os prejuízos de perto de dois mil milhões de euros registados pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), dizendo que foram "desagravados" face aos três mil milhões anteriormente apresentados junto das instituições europeias.

 Marcelo Rebelo de Sousa, que falava aos jornalistas no final de um seminário, na Reitoria da Universidade de Lisboa, considerou que esta apresentação de contas é um factor que contribui para a tranquilidade do banco público.

 Questionado sobre os prejuízos agravados da CGD, o Chefe de Estado corrigiu: "Eu diria desagravados, porque o número apresentado à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu era três mil milhões e a recapitalização prevista era em função de três mil milhões".

 "A notícia que tivemos hoje é a de que os prejuízos não são três mil milhões, são 1.900 milhões, o que significa que os portugueses terão de entrar com menos dinheiro e que a recapitalização feita pelo Estado será ligeiramente abaixo daquilo que estava previsto", acrescentou.

 O Presidente da República reforçou esta mensagem: "Sabendo nós que o panorama que tínhamos no passado não era bom, apesar de tudo, a notícia é a de que os prejuízos apurados são quase metade do que se pensava. Portanto, a recapitalização vai descer um pouco".

 Interrogado se considera que faz sentido o Parlamento ouvir o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o presidente executivo da CGD, Paulo Macedo, sobre os prejuízos do banco público, Marcelo Rebelo de Sousa respondeu que "pode acontecer que seja interessante saber por que é que, em vez de ser um prejuízo tão grande como o que se pensava, de três mil milhões, tenha passado para 1.900 milhões".

 O Chefe de Estado referiu que "o valor de três mil milhões já tinha sido apresentado pela administração anterior e pelo ministro das Finanças".

 O PSD anunciou que quer ouvir Mário Centeno e Paulo Macedo com urgência, para prestarem esclarecimentos no Parlamento.

 "Que fique claro, há aqui um agravamento drástico dos resultados e esse agravamento deve ser explicado a todos os portugueses", justificou o deputado social-democrata Duarte Pacheco.

 Nestas declarações aos jornalistas, questionado se espera que a tranquilidade regresse à CGD, o Presidente da República contrapôs: "Já está. Um exemplo de tranquilidade é a apresentação de contas, que têm um prejuízo bastante inferior àquele que se pensava".

 Como outros fatores de tranquilidade na CGD, Marcelo Rebelo de Sousa indicou "o estar a avançar com um plano de reestruturação, o estar a avançar com um plano de recapitalização, o estar a avançar a primeira fase de emissão".

 

* Passos acusa Governo de ter criado “ficção” sobre prejuízos da CGD

 

 O líder do PSD acusou na sexta-feira o Governo de ter criado "uma ficção" sobre a origem dos prejuízos da Caixa Geral de Depósitos e salientou que o executivo ainda não colocou "um euro de dinheiro fresco" no banco público.

 Num discurso perante algumas centenas de mulheres sociais-democratas, em Lisboa, Pedro Passos Coelho reagiu à notícia de que os prejuízos da CGD ascenderam em 2016 a 1.859 milhões de euros e de que o aumento de capital do Estado será de 2.500 milhões de euros.

 Apontando a situação da Caixa como "uma área onde é bem visível a ficção" criada pelo Governo do PS, o líder do PSD salientou que a única parte da capitalização que já foi feita foi com dinheiro deixado pelo anterior executivo PSD/CDS-PP.

 "Até hoje o Estado não pôs um euro fresco dentro da Caixa Geral de Depósitos", criticou.

 Por outro lado, Passos Coelho contestou o argumento do Governo de que os prejuízos da Caixa são elevados porque o anterior executivo "andou a esconder a situação" do banco público.

 "Qual situação? A que nos deixaram em 2011. Os socialistas hoje culpam-nos por não termos limpo mais imparidades daquilo que foram os anos de gestão socialista", disse, apontando que foi antes de o PSD chegar ao Governo que foi concedido o crédito de risco no banco público

 "Se o Estado vai meter [na Caixa] 2,5 mil milhões de euros, isso deve-se a, na gestão anterior a 2011, se ter concedido crédito com risco a mais", afirmou, defendendo que "essa é a primeira coisa que os portugueses têm de ouvir".

 

* Paulo Macedo espera regresso aos lucros em 2018

               

 O novo presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos (CGD) estimou na sexta-feira que o banco público voltará aos lucros em 2018, depois de em 2016 ter apresentado prejuízos históricos de 1.859 milhões de euros.

 Segundo disse Paulo Macedo em conferência de imprensa, o banco espera ter já este ano resultados positivos na actividade corrente mas, por efeito de operações extraordinárias (como poderão ser mais provisões e imparidades), o resultado de 2017 ainda deverá ser negativo.

 Já em 2018 o banco deverá conseguir "um lucro líquido marginalmente positivo".

 A Caixa Geral de Depósitos divulgou hoje um prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016, mais de dez vezes superior aos resultados negativos de 171,5 milhões registados em 2015, sendo o sexto ano consecutivo de prejuízos do grupo.

 Ainda em 2016, o banco constituiu provisões e imparidades (para fazer face a potenciais perdas, sobretudo para crédito) de 3.017 milhões de euros, o que compara com os 715 milhões de euros do ano anterior, e que a instituição diz que "foi decisivo para o resultado líquido".

 A CGD está num processo de recapitalização e na sexta-feira a Comissão Europeia aprovou a parte dessa operação que faltava ter ‘luz verde’ e que passa por uma injecção de dinheiro do Estado de 2.500 milhões de euros (abaixo dos 2.700 máximos previstos) e uma emissão de dívida soberana de 930 milhões de euros.

 A primeira fase dessa emissão, de 500 milhões de euros, avançará já este mês, anunciou o banco público.