Comissão de trabalho da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa visitou a Comunidade Portuguesa em Joanesburgo

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Na segunda-feira 8 de Julho decorreu no Lar Rainha Santa Isabel em Albertskroon, Joanesburgo uma visita e reunião de trabalho por parte de uma equipa técnica da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O Século de Joanesburgo foi convidado pela instituição da Terceira Idade para dar cobertura ao evento, mas a pedido do cônsul-geral de Portugal em Joanesburgo, Francisco-Xavier de Meireles a reunião foi interdita à Comunicação Social.

  A equipa, constituída por Francisco Pessoa e Costa, director dos estudos, planeamento e controlo de gestão da Santa Casa; Alda Matias, directora de gabinete para os assuntos dos fundos externos da Santa Casa; e Maria da Luz Cabral, directora da unidade de missão Santa Casa programa “Lisboa, Cidade de Todas as Idades”. Foram recebidos pelo presidente do executivo do Lar de Santa Isabel, Henrique Pereira e por Luísa Martins, membro do Board of Trustees do Lar. Estava também presente na equipa Sandra Crawford, actual directora do Lar. A comitiva foi também composta pelo embaixador de Portugal, Manuel de Carvalho. A equipa visitou as instalações, primeiro o refeitório e cozinha em remodelação, foi-lhes explicada a árvore de doa-dores e mecenas do Lar, visitaram depois no rés-do-chão a enfermaria do Lar, a unidade de cuidados continuados ou “Frail Care”. Ali viram os quartos, o solário, a sala de consultas médicas, o posto de enfermagem e tiveram oportunidade de interagir com algumas enfermeiras e residentes. Dali partiram para o primeiro andar onde foi visitado o salão de estar e biblioteca do Lar, a capela e depois a unidade de cuidados intermédios ou “Mid Care”. Foram visitados alguns quartos, dos mais recentemente renovados e a equipa pode interagir e cumprimentar alguns residentes do Lar. Foi também feita uma visita às casas da Villa Santa Isabel e foi explicado à equipa da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa a razão da construção e o processo da edificação da Villa Santa Isabel.

  Teve depois lugar uma reunião de trabalho entre a Direcção do Lar e a equipa da Santa Casa, uma apresentação feita pelo presidente do Board of Trustees do Lar, o comendador Gilberto Martins à qual toda a Comunicação Social foi impedida de testemunhar.

 

* Possíveis ajudas e apoios da União das Misericórdias

 

  O Século de Joanesburgo teve oportunidade, antes da reunião de trabalho, de entrevistar a equipa da Santa Casa da Misericórdia em conjunto com o embaixador e o cônsul-geral de Portugal.

  Michael Gillbee: O propósito desta visita não foi só para visitar a Sociedade Portuguesa de Beneficência?

  Francisco Costa: Não. Primeiro agradecer de estar aqui, agradecer ao senhor embaixador, ao senhor cônsul-geral. No fundo nós estamos aqui a fazer uma visita que nos foi solicitada à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa por parte da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas e à qual se aliou também, segundo o que sei, o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, ao qual a Santa Casa reporta. E o objectivo desta nossa visita, em princípio primeira visita, era tomar contar contacto com a realidade portuguesa na África do Sul, neste capítulo. É uma visita eminentemente técnica, de tentarmo-nos aperceber das dificuldades que existem, dos desafios que existem, do ponto de situação nestas áreas como este Lar, dos cuidados, do apoio à população mais idosa. Também de outras áreas na parte da preservação da cultura portuguesa na África do Sul nos diversos clubes que no fundo servem para essa mesma preservação. De própria animação das Comunidades portuguesas que estão fora de Portugal e que muito bem tentam preservar a cultura portuguesa e o sentido português nos sítios onde estão. E depois, tentarmos com os dados que formos recolhendo, perceber de que forma é que a Santa Casa, através dos organismos institucionais, através da Secretaria de Estado, do Ministério, pode colaborar tentando resolver os desafios. Sendo que, aquilo que nós podemos fazer é colaborar, é tentar perceber que desafios existem, tentar ajudar naquilo que somos ou que consideramos que podemos ajudar.  A Santa Casa é muito conhecida e reconhecida pela parte que desenvolve no domínio da acção social, exactamente exemplo do que vimos aqui. Aproveito também para elogiar o que vi aqui [no Lar de Santa Isabel], eu estava à espera de ver uma realidade diferente. Vi instalações muito dignas, vi algo muito bem organizado, algo muito bem preservado. Vi sobretudo, eu e as minhas colegas, é evidente o carinho com que as pessoas que aqui trabalham tratam as pessoas que aqui estão. Com as dificuldades que têm, com os desafios que têm que ultrapassar. Mas pronto, eu que a parte que mais importante ou o que há de salientar de mais importante é a nossa disponibilidade para tentar perceber o que se passa, tentar perceber quais são os desafios e tentar dentro das nossas possibilidades e dentro das áreas técnicas que dominamos, encontrar caminhos para aquilo que é esses mesmos desafios.

  MG: E esta visita técnica, é de quantos dias?

  FC: Nós chegámos hoje [segunda-feira dia 8 Julho], estamos aqui, estivémos primeiro com o senhor embaixador que nos deu esse privilégio de sermos recebidos logo pela embaixada. Que está muito envolvida neste processo, atrever-me-ei a dizer que é a razão ou a res-ponsabilidade de nós estarmos aqui é da embaixada. Do trabalho que a embaixada desenvolveu no sentido de sensibilizar as pessoas para esta necessidade ou para esta oportunidade. E durante hoje, amanhã, quarta e um bocadinho de quinta-feira vamos estar cá, portanto vamos estar cá três dias.

  MG: Só em Joanesburgo?

  FC: Não. Em Joanesburgo e Pretória. Onde vamos exactamente visitar, para além deste Lar que estamos hoje a visitar, que foi o início, vamos visitar outras instituições, outros Lares, outras infraestruturas desta área e também, lá está, dos clubes, da animação cultural, do apoio à tal preservação da Cultura e dos Costumes portugueses.

  MG: Qual é o resultado final desta visita? Possíveis ajudas vindouras?

  FC: O resultado final ainda não sabemos, porque começámos agora.

  MG: Eu troco-lhe a pergunta por miúdos, portanto, fazem a visita técnica, compõem um relatório…

  FC: Fazemos a visita técnica, compomos um relató-rio…nós, somos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Portanto, o nosso relatório é aquilo que considerarmos tecnicamente relevante para transmitir ao senhor provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Penso que fará sentido ou que pode vir a fazer sentido, haver novas visitas, novas interacções sejam presenciais, não sejam presenciais, mas novas interacções. Neste momento não consigo dizer qual é o resultado final da visita. Posso lhe dizer uma coisa, posso lhe dizer que até pela forma e pela velocidade com que foram decididas estas coisas, com que  nós constituímos a delegação e com que nós viemos ter cá e também pelo programa razoavelmente intensivo que vamos ter nestes dias, a nossa grande preocupação é conseguir ter uma “fotografia” exacta daquilo que é a realidade nestas áreas, daquilo que é a realidade técnica do que vamos encontrar. Acredito que tendo havido esta iniciativa e tendo sido dada esta importância a esta iniciativa, é porque de alguma forma as pessoas estão sensibilizadas pelo menos que é preciso olhar para este tipo de situações e para este tipo de desafios e instituições. Não tenho a sensação que seja uma visita de turismo. Isso não é! E a sensação que eu tenho e o que senti quando fui convidado com as minhas colegas a integrar esta delegação da Santa Casa, é que havia um interesse real por perceber a situação e por dentro daquilo que são as nossas possibilidades e dentro daquilo que é o trabalho que desenvolvemos, cola-borar no encontrar de algum caminho.

  MG: Basicamente a equipa de trabalho vem-se aperceber das necessidades mais prementes na Comunidade portuguesa.

  FC: Sim. Não reduziria tanto, vimos saber o que se passa, vimos tentar perceber e caracterizar a situação nas quais as instituições, a Comunidade, as infraestruturas estão e obviamente vimos também tentar perceber se há algumas oportunidades onde nós possamos ajudar a analisar para ajudar a ultrapassá-las.

  MG: E depois como é que poderemos saber “feedback”? Contactamos directametne com a Santa Ca-sa ou através da Embaixada?

  FC: Sempre através da Embaixada. Como digo, nós agora iremos ter um relatório da visita, iremos transmitir esse relatório ao senhor provedor e o senhor provedor conjuntamente com a Embaixada, juntamente com a Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas de certeza que tornará público esse relatório. Público não quer dizer que seja público em termos de conteúdo, mas dará “feedback” através da Embaixada às Comunidades que foram envolvidas. Temos sido muito bem-recebidos, quer na embaixada, quer agora. E portanto, não faria sentido, em nenhuma situação faria sentido, mas sendo tão bem recebidos, ainda menos sentido faz nós não partilharmos depois aquilo que são as nossas opiniões e que são os possíveis caminhos que nós identificámos. Sempre com um cuidado que eu penso que é importante referir, é que não somos nós que estamos no terreno, não somos nós que vimos encontrar soluções milagrosas, nós só podemos ajudar naquilo que sabemos fazer.

  MG: A colmatar lacunas.

  FC: Temos, como disse, a Santa Casa é uma referência na área de acção social.

  MG: São mais de 500 anos a ajudar.

  FC: São mais de 500 anos, são neste momento 521 anos e somos além disso, somos reconhecidamente uma das entidades que melhor conhece esta realidade de que estamos a falar. E aí, penso que podemos dar um contributo grande nessa área técnica da acção social, por outro lado, somos uma instituição que pelas responsabilidades que temos, porque temos como sabem o exclusivo das receitas do jogos da Santa Casa, somos uma instituição que estamos habituados a olhar para os projectos não só sobre a perspectiva que gostaríamos de fazer, mas também sobre a perspectiva como é que este projecto se pode tornar autossuficiente no Futuro. Como é que ele pode evoluir? Como é que se pode assegurar a sua sustentabilidade? Que daqui a uns anos não fecha porque aquilo que pensámos fazer afinal daqui a 10 anos não teve base financeira para continuar a existir. E aí, eu penso que podemos dar um contributo grande. Mas, não somos nós que estamos cá, o esforço é todo da Comunidade local, o envolvimento é todo da Comunidade local, mesmo que nós tenhamos um programa muito agressivo de apoio de visita, de apoio técnico, ele dura o tempo que for necessário, mas no final quem fica cá depois são depois as Comunidades e são elas que têm que garantir que conseguem continuar com esta missão tão boa que tem desempenhado até agora. E que arranjam forma de o fazer.

  MG: E que outras instituições é que vão visitar?

  Cônsul-Geral de Portugal: Nós temos reunião com a Sociedade Portuguesa de Beneficência agora, vamos visitar a escola do Lusito e conhecer o projecto da es-cola, almoçamos no Núcleo de Arte e Cultura que tem um centro de dia, visitamos a seguir a União Portuguesa, visitamos depois o Luso África onde há também um centro de dia e terminamos no Lar da Terceira Idade em Benoni.

  MG: E em Pretória não visitam o Lar de S. Francis-co de Assis?

  Embaixador de Portugal: Será no outro dia que irão ao Lar de S. Francisco de Assis e depois há aí um momento para voltarmos a sentarmo-nos depois de ter feito uma boa volta há um momento para nos sentarmos e pensarmos. [pondera por algum tempo em silêncio] Esta vinda, aliás há uma certa ironia no bom sentido, começa numa conversa que eu tive aqui no Magus-to ou que foi tida comigo – talvez ao contrário – pelo actual presidente da Academia do Bacalhau em No-vembro passado. E em que na conversa entre castanhas e água pé, que veio à conversa a Santa Casa. Eu transmiti essa ideia ao secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, tendo em conta todo o reserva-tório de capacidades e competências que a Santa Casa tem. Que pegou no assunto, falou com o provedor e digamos essa conversa é de Novembro a princípio de Julho, até se constituir delegação. Com toda a franque-za e ainda hoje de manhã estivemos a falar nisso, com toda a competência que a Santa Casa tem, a Santa Casa não costuma fazer projectos destes e nãos e costuma envolver. Isto é uma coisa nova para a Santa Casa! Portanto, foi preciso um bocadinho de sensibilização da própria Santa Casa para explicar o tipo de questões que aqui temos, o perfil da Comunidade portuguesa, as instituições que existem, os desafios que existem e as oportunidades que existem. Houve um trabalho, já houve esse primeiro levantamento de terreno, na sequência disso e em contacto com a Santa Casa, foi concluído que o melhor era vir uma equipa técnica para com os olhos técnicos que eles têm, fazer um primeiro levantamento e primeira observação.

 Um longo caminho começa-se com um passo e a gente não sabe onde esse caminho nos vai levar, há vontade de chegar a algum sítio isso aí posso lhe garantir. Não sei exactamente onde mas digamos que para chegar a este ponto que aqui estamos, já houve contactos e explicações e trabalho de explicações. Não lhe posso dizer mais nada para além de que vamos procurar desta visita venha a resultar uma informação articulada sobre a realidade, das suas dificuldades e das oportunidades para passar à mesa da Santa Casa e às autoridades portuguesas. Processo no qual, eu embaixador de Portugal, estou empenhado. A seu tempo e em função de cada curva na estrada, guiarei o automóvel de maneira a que ele não pare.

  MG: A haver uma ajuda concreta, seja ela financeira ou técnica, em forma de meio, será sempre atra-vés da Sociedade Portuguesa de Beneficência para a Comunidade portuguesa?

  Embx: Espere aí, devagarinho. Primeiro estamos num primeiro levantamento. Isso é saltar para a conclusão! Eu diria que isso sobre a qual hoje não nos queremos pronunciar. Primeiro queremos permitir que este levantamento seja feito e vamos ouvir o resultado das observações de quem sabe. As conclusões vêm no fim.

 MG: As primeiras impressões da África do Sul? As pessoas vêm da Europa com ideias feitas e pré-conceitos sobre o que é a África do Sul e por acréscimo esta Comunidade.

  Maria da Luz Cabral: Eu conhecia África, já duas localidades, mas não conhecia a África do Sul. Fiz uma visita muito rápida ao Kruger mas não conhecia especificamente Joanesburgo. Eu partilho da mesma opinião que o engenheiro Francisco Pessoa e Costa lhe dá, eu também conheço Maputo e a sociedade moçambicana um bocadinho mais em profundidade e Luanda a sociedade angolana. Também diria com esse não pré-conceito, um conceito feito à partida, eventualmente desse ponto de vista, partilho da mesma opinião. Encontramos aqui uma sociedade sul-africana e no que diz respeito a estas estruturas e a começar por aqui e pelo que, entretanto, vimos até agora, uma realidade dife-rente daquilo que são as outras que, entretanto, nomeei. Desse ponto de vista, positivamente agradada com o que foi visto até agora.