Começa amanhã o Conclave para eleger sucessor de Bento XVI

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Começa amanhã o Conclave para eleger sucessor de Bento XVI

O Vaticano anunciou na sexta-feira que o Conclave para eleger o próximo Papa vai começar na terça-feira, dia 12. Uma declaração oficial saída da reunião dos cardeais fixa assim a data do início da reunião em que será escolhido o sucessor de Bento XVI, que anunciou a sua resignação em 11 de Fevereiro.

 Esta espécie de pré-conclave está a decorrer em Roma, desde a passada segunda-feira, com mais de 150 cardeais eleitores (com menos de 80 anos, à data da resignação) e não eleitores.

 Segundo o comunicado oficial, o dia 12 será marcado por uma eucaristia conjunta e depois, durante a tarde, os cardeais recolherão à Capela Sistina, onde ficarão em conclave, para a eleição do novo Papa.

 Esta fase interina começou a 28 de Fevereiro, com a resignação efectiva de Bento XVI, de 85 anos.

 O Vaticano já indicou esperar a eleição de um novo Papa “até à Páscoa”, a 31 de Março, e muitos cardeais manifestaram vontade de regressar aos seus países para o Domingo de Ramos, a 24 de Março.

 O último chefe da Igreja Católica a renunciar foi Gregório XII, no século XV (1406-1415).

Um dos três cardeais portugueses, D. Manuel Monteiro de Castro, de Santa Eufémia de Prazins, Guimarães, tem o poder de participar na escolha do sucessor de Bento XVI, mas, quando regressa à terra natal “põe-se ao serviço” do pároco local.

 Com D. José da Cruz Policarpo, Patriarca de Lisboa, D. Manuel Monteiro de Castro é um dos dois cardeais portugueses com direito de voto no Conclave que começa na terça-feira na Capela Sistina, em Roma. O terceiro cardeal, José Saraiva Martins, por ter mais de 80 anos, não pode votar, mas pode ser eleito Papa.

 Em declarações à agência Lusa, António, irmão de Manuel Monteiro de Castro, confessou ter “fé” de que o “divino Espírito Santo” guie o conclave para que a escolha não recaia sobre o irmão.

 “Já não tem a idade que a Igreja precisa que este novo papa tenha”, explica, embora as gentes da terra admitam que teria “piada” que fosse dali o sucessor de Bento XVI – que resignou ao pontificado no dia 28 de Fevereiro.

 Segundo António Monteiro de Castro, o irmão cardeal deixou o Minho “cedo”, para “partir por esse mundo fora em missão”.

 Para este engenheiro civil, o irmão é “um diplomata da igreja”, que vive a fé de forma “muito intensa”, como todos aprenderam em casa.

 “Tivémos todos a mesma educação. A fé e os valores cristãos acompanharam-nos a todos, mas só ele seguiu este caminho”, explicou.

 Já se imaginou irmão do papa? “Não. Aliás, espero que o divino Espírito Santo ilumine o conclave para que isso não aconteça”, respondeu, embora salientando que é pelo irmão “já não ser novo” e porque “também nunca ambicionou ser papa”.

 Manuel Faria é o pároco da terra. De Manuel Monteiro de Castro disse que este é, “aci-ma de tudo, um servo de Deus”, a quem destacou a “humildade” no trato, apesar de ter o “poder” de votar na escolha do Sumo Pontífice.

 “Ele é um cardeal, eu um simples padre. Ainda assim, quando vem cá, faz questão de dizer que está ao meu ser-viço para ajudar na eucaristia e no que eu quiser. Poucos têm esta noção de missão e de servir a Igreja”, apontou, num elogio ao actual penitenciário-mor da Santa Sé.

 No largo da Igreja de S. Eufémia, Maria Silva, “Micas”, 75 anos, revela que o “senhor bispo cardeal” é o “orgulho” da freguesia, que conta com cerca de 1.100 habitantes, e que a casa da família Monteiro de Castro é “referência” na terra.

 “Aqui todos sabem onde a família Monteiro de Castro mora. Afinal, não há um cardeal em todas as esquinas”, salientou ‘Micas’, em conversa com a Lusa no largo da igreja local.

 “Somos poucochinhos, mas temos um cardeal”, regozijou-se.

 Gostava que o próximo papa fosse aqui da terra? “Oh Senhor Deus. Era um gosto. O que eu não ia chorar. Mas isso pode ser?”, questionou.

 Pode. “Era uma alegria”, respondeu. Depois de alguns segundos a pensar na possibilidade do sucessor de Bento