Com o drama do “Coronavírus” que futuro estará reservado às nossas colectividades?

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  Com a pandemia instalada por todo o mundo e infelizmente sem a descoberta de vacina ou outro medicamente eficaz para a combater, daí ir alastrando assustadoramente por todo o universo, com vários países a aumentar diariamente o número de infectados e vítimas mortais, prisma em que infelizmente se situa a África do Sul, são muito remotas às nossas colectividades, isto as que conseguirem sobreviver a este trauma, vol-tarem a ser o que foram, em termos de programação de actividades.

  Na sua maior parte traduzidas em divulgação de tradicionais eventos regionais do nosso país, especialmente os mais característicos e de maior afluência para os presenciar, além de outros que cada uma delas foi implantando, na mira de com isso conseguir captar maior número de aderências e consequentes receitas, para poder fazer face às suas habituais despesas.

  Inactivas praticamente desde Março último, não se sabendo quando poderão voltar a abrir em pleno as suas portas para o retomar de actividades, pergunta-se com que fundos poderão satisfazer os seus compromissos, isto para além de outros e como certos os consumos de água e luz a cobrar pelos serviços camarários, que por certo não se compadecem com os efeitos negativos provocados pela “Covid-19”, além dos salários a pessoas certamente incumbidas de zelar pela segurança e respectiva limpeza de instalações.

  Se já antes praticamente todas elas se debatiam com dificuldades e dores de cabeça para irem satisfazendo os seus compromissos, isto devido à gradual redução de afluência às poucas festas que iam promovendo, e com esse estado de transformação a desencorajar os directores que as dirigiam, uma vez que os mais idosos iam preferindo ficar acomodados em casa, e os mais jovens a optar por outros meios de distracção fora do nosso ambiente, e a agravar ainda mais a situação, a instabilidade que em segurança vamos assistindo ou tomando conhecimento, um mal que infelizmente parece alastrar por todo o mundo.

  Por outro lado, também em parte terão contribuído para o afastamento dos mais idosos, por um lado a “RTP” e a “SIC” Internacional com os seus programas diários, a que recostados nos seus sofás acompanham sem sair de casa e na sua língua, e ainda por outro o facto de hoje nas nossas colectividades pouco se falar português, e a maior parte não dominar bem o inglês, acabando para eles se tornarem um “frete” os discursos que nelas são proferidos, dado pouco ficarem a perceber, e como se isso não bastasse, o estrondoso barulho incomodativo da música de discotecas, neste caso certamente para satisfazer o gosto da pouca juventude que ainda as vai frequentando.

  Essas situações acabam por se tornar ingratas e uma dor de cabeça para quem as dirige, atendendo a que para satisfazer os mais idosos, aca-bam por afastar os mais  jovens e pessoas de outras nacionalidades que não dominam o português e vice-versa, daí cada vez se tornar mais difícil em assembleias gerais arranjar quem queira dirigir os nossos clubes, para assim evitar essas chatices, nunca antes se imaginando  que as coisas levassem este rumo ou chegassem a este ponto, infelizmente como tudo indica, com tendência a agravar.

  Para além desses negativos factores e como se isso não bastasse, estar infelizmente no espírito do português só se preocupar em criticar e apontar defeitos, por vezes até onde os não há, e em vez de ajudar, apoiar e colaborar, como seria seu dever, esquecendo os sacrifícios que os seus líderes fazem para manter abertas as portas das nossas agremiações.

  Se houve aqui e ali a cochichar, como mais frequentes em acusações de que fazem isso com o intuito de poderem chegar a comendadores, se lá estão é porque lhe convém, etc., indo por vezes até ao ponto de  injustamente acusar alguém de falta de honestidade, coisa que para a esmagadora maioria por fazer isso por amor à causa, nem por sombras merece tão injusto tratamento, muito menos essa difamação.

  Em vez disso, poucos elogiamos ou damos valor aos que trabalham em prol do associativismo, que o mesmo é dizer do considerado bem comum, mais propriamente a quem à custa de muito sacrifício, abdicando até por vezes das suas horas de descanso e do próprio convívio familiar, procura fazer um bom mandato.

  Por vezes com as economias que vai amealhando, ainda consiga remodelar instalações afim de aumentar o património da colectividade a que preside, contribuindo até provavelmente para esse efeito, em certos casos, com material ou algum dinheiro do seu bolso, a quem em reconhecimento a essa sua dedicação até nos deveríamos curvar e tirar o chapéu.

  Aquando da chamada descolonização, em que não obstante Portugal deixar quem na altura residia nesses territórios ultramarinos praticamente abandonados à sua sorte, alguns não obstante esse descalabre chamaram de exemplar, quantas das nossas colectividades serviram de acolhimento a muitas famílias, tanto de dormitório, como refeitório e até de posto médico em primeiros-socorro aos compatriotas, que procedentes de Angola e Moçambique chegavam em desespero à África do Sul, muitos deles apenas com a roupa que traziam no corpo.

  Para esses refugiados poderem recordar os bons tempos vividos em Angola e Moçambique, foram posteriormente organizados em colectividades de Pretória os chamados concursos de “Marrabenta de Moçambique e Merengue de Angola”.

  Com atribuição de prémios aos pares vencedores, onde num desses festejos actuou Filome-na da Silva, fazendo-se acompanhar à viola, na interpretação de melodia sentimental da sua autoria, dedicada ao pôr-do-sol em terras angolanas de Quanza Sul, terminando com esta imploração ao Altíssimo:

  “Abençoa Deus Angola e faz com que ali o lindo sol nunca perca o seu esplendor,  torna a dar esperança às famílias despedaçadas pela guerra, providencia auxílio e protecção ao menino da rua, consolo àquele que morre de fome, a esperança seja a bandeira do desamparado, e não faltes com a coragem à mãe negra para que na sua missão possa ser um estandarte de fé, amor e dedicação”.

  A reforçar a importância das nossas colectividades há a referir ainda que para além da embaixada, ser a elas também que os membros do governo português que a qualquer pretexto visitam a África do Sul se dirigem, para auscultar preocupações e anseios, ou deixar à nossa comunidade as mensagens de que são incumbidos, daí toda a vantagem de continuarem a ser mantidas.

Vicente Dias