Com a falta de apoio são cada vez mais reduzidas as actividades nas nossas colectividades

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Com a falta de apoio são cada vez mais reduzidas as actividades nas nossas colectividades

Se compararmos os eventos que hoje são levados a efeito pelas nossas colectividades, comparados com os que no passado habitualmente eram realizados, deparamos com uma drástica redução, infelizmente cada vez mais acentuada, e pelo que vamos assistindo cada vez menos afluência às poucas festas que vão sendo promovidas, e com esse estado de transformações a desencorajar, salvo algumas excepções, os directores que as vão dirigindo, a começar pelo desinteresse das pessoas, as mais idosas que com o peso dos seus anos vão preferindo ficar acomodados em casa, as mais jo-vens a optar por outros meios de distracção, e a agravar ainda mais a situação os roubos em assaltos a pessoas, re-sidências e bens, de que frequentemente vamos assistindo ou tomando conhecimento, um mal que na actualidade infelizmente parece alastrar por todo o mundo, até se acentuando a uma escalada desordenada no nosso anterior pacífico Portugal.

 Por outro lado também em parte terá contribuído para esse afastamento dos mais ido-sos, por um lado a “RTP” e a “SIC” Internacional com os seus programas diários, a que recostados nos seus sofás acompanham sem sair de casa e na sua língua, e ainda por outro o facto de hoje nas nossas colectividades pouco se falar português, e a maior parte não dominar bem o inglês, acabando por ser para eles um “frete” os discursos que nelas são proferidos de que pouco ficam a perceber, e como se isso não bastasse, o estrondoso som para a maioria incomodativo das músicas das discotecas, certamente para satisfazer o gosto da juventude.
 Por exemplo em Pretória, que acompanhamos de perto, vimos ficar pelo caminho tradições que antes nunca imaginamos fosse possível acontecer, dado o entusiasmo e interesse com que eram realizadas, dando a entender serem para prosseguir, e nunca desaparecer, certamente confiados na continuidade por parte dos nossos descendentes, e nunca pensando que as coisas levassem este rumo ou chegassem a este ponto.
 Por exemplo nas três consideradas principais colectividades, eram promovidos com regularidade variados eventos, com destaque para os carnavais, os bailes da pi-nhata, os santos populares, as eleições de rainhas, os dias da mãe e do pai, as festas de despedida de direcções, as marchas populares, os festivais de folclore e os aniversários das agremiações, efemérides estas que para alguém até já é coisa do passado.
 Que saudades por exemplo na ACPP dos bailes de finalistas quando ali existiam as escolas de português, dos grandiosos concursos “marrabenta”e “farra angolana”; na Casa do Porto dos grandiosos festejos de S. João e Santa Eufêmia da Carriça; e na Casa Social da Madeira das tradicionais festas em honra da Senhora da Luz e Santa Maria Madalena.
 Enquanto ACPP e a Casa Social da Madeira, esta agora com o novo salão inaugurado em Agosto do ano transacto, vêm continuando com maior ou menor regularidade a fazer as suas festas, a Casa do Porto, segundo a indicação no painel colocado por cima dos portões de entrada, a designá-la por Casa do Porto do Norte, além do restaurante ali explorado actualmente por Avelino Cancela e seus filhos Sérgio e José, e logo ao lado outra dependência utilizada por Johnny Fernandes para o seu “catering”, tem sido a menos activa, não nos constando que depois da noite de gala dedicada aos seus atletas em 27 de Novembro de 2010, a que marcou presença Filomena Pinto da Costa, então esposa do presidente do FC do Porto, Pinto da Costa, tenha feito qualquer outra festa, nem sequer se fazendo representar este ano em futebol por qualquer equipa nos campeonatos amadores prestes a terminar em Pretória.
 Nos restantes clubes que na capital sul-africana representam baluartes do nosso futebol, como é o caso da Casa do Benfica com os seus almoços mensais de convívio, o Sporting Clube de Pretória, e o Club Sport Marítimo, este com jantares mensais e outras normais actividades, como mais importante a meia maratona que em atletismo organiza anualmente com a participação de milhares de corredores das diversas na-cionalidades, apenas a representação leonina tem estado ultimamente algo inactiva, pois que nos lembre, além do Natal da Criança festejado a 11 de Novembro do ano transacto, não voltou a promover qualquer outro evento.
Não queremos com isto culpar apenas as direcções que por elas têm passado, cada qual certamente fazendo o melhor ao seu alcance, a culpa de tudo isto é de todos nós, reflectida na falta de apoio que por direito devíamos dar a esses elencos directivos, a começar pelo afastamento aos eventos que vão promovendo, e com as reduzidas verbas que vão conseguindo, se vêm aflitos para satisfazer os seus compromissos no respeitante a despesas tidas como habituais.
 Infelizmente, e isso está no espírito português, só nos preocupamos em criticar e apontar defeitos, por vezes até onde os não há, e em vez de ajudar, apoiar e colaborar, como seria nosso dever, até na maior parte das vezes nos esquecendo dos sacrifícios que os seus líderes fazem pa-ra manter abertas as portas das nossas agremiações, indo por vezes ao ponto de injustamente até acusar alguém de falta de honestidade, como de vez em quando se ouve aqui e ali a cochichar na comunidade de não quererem largar o tacho, coisa que para a esmagadora maioria, para não dizer no geral, nem por sombras merece tal tratamento. Se entre todos esses corpos directivos, um ou outro no seu comportamento é tido ou apontado como duvidoso nes-se aspecto, os restantes não têm culpa nenhuma disso, pelo que a nosso ver não de-verá ser posto em causa o seu carácter, nem tão-pouco beliscada a sua dignidade.
 Em vez disso, pouco elogiamos ou damos valor a quem trabalha em prol do associativismo, que o mesmo é dizer do considerado bem comum, mais propriamente a quem à custa de muito sacrifício, abdicando até por vezes das suas horas de descanso e do próprio convívio familiar, procura fazer um bom mandato, ou com as economias amealhadas ainda consegue remodelar instalações ou au-mentar o património da colectividade a que preside, a quem em reconhecimento até deveríamos tirar o chapéu.