Coligação mantem-se e Governo não cai

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Coligação mantem-se e Governo não cai

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, afirmou que os elementos dos órgãos do partido reunidos no sábado no Porto lhe pediram "especial empenho" na questão da Taxa Social Única, e lhe transmitiram a recusa de uma crise política. "O partido disse que a coligação com o PSD é para durar quatro anos", afirmou Paulo Portas.

 O ministro de Estado e dos dos Negócios Estrangeiros, que no sábado esteve  reunido com o Conselho Nacional e com a Comissão Política do partido durante 12 horas, esclareceu que teve conhecimento da medida que altera a TSU mas, apesar de "defender outros caminhos", não bloqueou a decisão por temer o "caos que iria desperdiçar o esforço dos portugueses".
 "Se Portugal não tivesse um governo estável abriria caminho para um novo resgate. Um novo programa é sempre um programa mais duro e, no caminho para um novo resgate, quem é pobre ficaria mais pobre", disse Portas.
 O líder do partido da coligação sublinhou ainda que "não seria responsável por uma crise", acrescentando ainda que, se o País ficasse sem governo, não encontrava uma "alternativa credível". "Não bloqueei a decisão [subida da TSU] porque isso era trágico para Portugal", acrescentou o ministro.
 Confrontado com a participação do ministro do CDS-PP Pedro Mota Soares na preparação da medida, conforme revelou o primeiro-ministro, Paulo Portas respondeu que "era o que faltava que houvesse greve de zelo dentro do Governo".
 Portas disse ainda que vira "essa página, até porque, entretanto, muitas coisas aconteceram" e "a proposta não está definida em todos os seus contornos".
 Ainda no sábado, o vice-presidente do CDS-PP Nuno Melo tinha afirmado que o líder do partido, Paulo Portas, "teve conhecimento" da medida de redução da TSU, discordou dela e apresentou alternativas, mas "não quis abrir uma crise política".

* Paulo Portas desdramatiza diferenças na coligação

 O presidente do CDS-PP, Paulo Portas, desdramatizou ontem as "diferenças" dentro da coligação governativa, que disse serem ultrapassadas na procura do "compromisso e do equilíbrio", tendo em conta "que uns tiveram mais votos e outros tiveram menos".
 "Os contratos que se assinam são contratos que se cumprem", afirmou Paulo Portas, referindo-se à coligação com o PSD no Governo.
 O líder democrata-cristão argumentou que "é normal haver diferenças dentro de uma coligação, por isso é que uma coligação não é uma fusão", sendo que "o essencial é perceber qual é a atitude cimeira das forças políticas que compõem uma coligação".
 "A atitude essencial só pode ser uma: a procura do compromisso e do equilíbrio. E quando digo equilíbrio não desconheço que uns tiveram mais votos e outros tiveram menos votos", afirmou, referindo-se ao menor peso eleitoral do CDS-PP, que teve 12 por cento de votos nas eleições legislativas.
 A procura do compromisso é, assim, o que prevalece quando os partidos que compõem a coligação alteram as referências objectivas porque se regem, no caso o programa eleitoral.
 "É evidente que, como a realidade evolui, os programas não são estáticos, mas sempre que for necessário avaliar uma alteração do programa, o nosso dever mútuo é sentarmo-nos à procura de um compromisso como quando nos sentámos quando foi feito o programa", disse.
 "Eu acredito sinceramente que é esta a atitude que existe nos dois partidos que formam a maioria, para que Portugal tenha um Governo, faça as suas reformas, atravesse este caminho doloroso, mas no fim tenha um resultado", acrescentou.