Classificação de Património Mundial no Douro vai ser mantida

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Classificação de Património Mundial no Douro vai ser mantida

O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, garantiu, em Lisboa, que tudo fará para valorizar e manter a classificação de Património Mundial concedido pela UNESCO, na região do Douro.

 À chegada ao Museu Nacional de Etnologia para participar na abertura de um encontro para assinalar o Dia Internacional de Monumentos e Sítios, o governante foi confrontado com uma manifestação de cerca de duas dezenas de militantes do Partido Ecologista Os Verdes e de associações de ambientalistas.
 Em frente ao museu, foram colocadas faixas em defesa da Linha do Vale do Tua, na região do Alto Douro Vinhateiro, e contra a barragem de Foz Tua, criticando o seu "im-pacto negativo irreversível".
 Em declarações aos jornalistas, Francisco José Viegas destrinçou: "Uma coisa é a construção de uma barragem, outra é a Linha do Tua. Há posições diferentes e processos diferentes para cada um de-les".
 "A cultura sempre tomou uma posição sobre a barragem, um parecer vinculativo que foi desrespeitado. Nós acabámos de chumbar a linha de alta tensão Tua-Armamar, portanto fazemos o nosso trabalho", apontou o secretário de Estado.
 Especialistas da UNESCO criticaram, num relatório entregue no Verão de 2011 ao Governo e divulgado no final desse ano, o modo como as autoridades portuguesas têm gerido o património da região vinhateira e alertaram para os impactos negativos da construção da barragem.
 "Tudo faremos para conservar o estatuto e as condições que permitam valorizar o acesso e protecção da zona", garantiu o secretário, rejeitando a hipótese a classificação vir a ser retirada pela UNESCO, a organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura.
 "A cultura sempre tentou minimizar o impacto dessa construção. A única coisa que não admitimos é perder a classificação de Património Mundial. Isso para nós é uma bandeira e uma condição inexpugnável", disse Francisco José Viegas.

 Quanto à Linha do Tua, o secretário de Estado ressalvou que é um processo completamente diferente: "Pelo que sei há uma hipótese muito credível e aceitável de reconstrução que, aliás, faz parte de um dos cadernos de encargos para o desenvolvimento regional da zona".
 Sobre as comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios – para assinalar o 40.º aniversário da Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural da UNESCO, no quadro da qual foi estabelecida a conhecida "Lista do Património Mundial" – o secretário de Estado sublinhou que o património "é e vai continuar a ser uma aposta fundamental deste Governo".
 “O património vai ser daqui a uns anos o nosso grande bem disponível para o desenvolvimento económico e a criação de riqueza”, salientou.
 Na abertura do encontro, que decorreu durante todo o dia para debater os novos desa-fios para a salvaguarda e a valorização, estiveram ainda António de Almeida Ribeiro, presidente da Comissão Nacional da UNESCO, Elísio Summavielle, director-geral do Património Cultural, Ana Paula Amendoeira, presidente do Icomos Portugal (entidade internacional não-governamental de defesa do património) e Kerstin Manz, do Centro do Património Mundial da Unesco.