Christie´s leiloa colecção privada de Ana Maria Espírito Santo Silva

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Christie´s leiloa colecção privada de Ana Maria Espírito Santo Silva

A colecção privada de Ana Maria Espírito Santo Bustorff Silva (1928-2014), que inclui pintura, mobiliário e porcelanas, vai ser leiloada pela Christie’s a 29 de abril, em Londres, anunciou a leiloeira.

 De acordo com a Christie’s, a colecção consiste em cerca de 150 lotes de peças francesas, italianas, inglesas e chinesas, e reúne ainda pratas e desenhos, entre outras peças de artes decorativas.

 A leiloeira destaca, na colecção, uma rara taça chinesa do período Qianlong (1736-1795), decorada a partir de uma pintura de William Ho-garth, que pode atingir os 140 mil euros.

 Neta de José Maria Espírito Santo Silva (1850-1915), fundador do banco com o mesmo nome, em 1884, Ana Maria Espírito Santo Bustorff Silva (1928-2014) era a filha mais nova de Ricardo Espírito Santo Silva (1900-1955), que se destacou como um dos maiores coleccionadores de arte do país.

 "Verdadeiro conhecedor, ele foi um dos maiores coleccionadores do seu tempo e um dos mais importantes patronos das artes em Portugal", salienta a leiloeira no comunicado sobre o leilão.

 "A colecção privada de Ana Maria é o mais consistente núcleo da colecção original de peças francesas, chinesas, italianas e inglesas, que ela cuidou e manteve até falecer, em abril de 2014", acrescenta a Christie´s.

 A leiloeira recorda ainda que Ana Maria Espírito Santo Bustorff Silva, nascida em Lisboa, seguiu o exemplo e conselho dos pais sobre escolhas de obras de arte.

 Sublinha ainda que a perda do pai, com apenas 26 anos, levou-a a perpetuar o seu legado, quer através das peças que herdou da colecção privada de Ricardo Espírito Santo Silva, quer da colecção com cerca de 2.000 peças de mobiliário, pratas, têxteis, pintura e cerâmica deixadas na fundação em seu nome, museu e escola de artes decorativas em Lisboa.

 Em novembro do ano passado, a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) abriu um processo de classificação da colecção de obras de arte da Fundação Ricardo do Espírito Santo Silva (FRESS), por a considerar relevante para o património cultural português.

 A abertura do processo surgiu dois meses depois da FRESS ter anunciado que iria procurar tomar medidas para garantir a sustentabilidade financeira da entidade na sequência da crise que atingiu os seus mecenas principais, do Grupo Espírito Santo.

 Contactada pela agência Lusa, fonte oficial da DGCP esclareceu que "a abertura do procedimento de classificação em curso, diz respeito à colecção inicial, referida nos estatutos aquando a criação da fundação, relativa aos bens inventariados pelo seu fundador".

 "A coleção referida no leilão da Christie’s é outra colecção", indicou a DGPC.