China concedeu 10 mil milhões de dólares a Angola entre 2009 e 2010

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AngolaA China concedeu a Angola, entre 2009 e 2010, financiamentos no montante de 10 mil milhões. Daquele montante global, 1,5 mil milhões de dólares foram desembolsados pelo Banco de Desenvolvimento da China, 2,5 mil milhões de dólares pelo Banco Comercial e Industrial da China e 6 mil milhões de dólares pelo Banco de Exportações/Importações (Exim) da China.

 A informação foi avançada por Sofia Fernandes, do Instituto Universitário de Lisboa, durante um encontro realizado em Luanda subordinada ao tema "China em África: desafios e oportunidades para Angola", que acrescentou que "para além das linhas de financiamento oficiais, criou-se, em 2006, o Gabinete de Reconstrução Nacional (CRN) para gerir uma linha de crédito privada, com base no China International Fund, de 2,9 mil milhões de dólares que o Banco Mundial admite, no entanto, rondar 10 mil milhões de dólares".

 Segundo a mesma especialista, entre 2004 e 2007 o investimento privado chinês em Angola atingiu 2 mil milhões de dólares, ao qual foi acrescentada mais tarde uma verba adicional de 500 milhões de dólares.
 Ainda em 2007 foi assinado um novo acordo no valor de 2 mil milhões de dólares dirigido prioritariamente para sectores de abastecimento de água e energia.
 Em 2009, segundo Sofia Fernandes, um outro acordo teria sido rubricado, desta vez por via do Banco de Desenvolvimento da China, destinado ao desenvolvimento de projectos do sector agrícola.

 De acordo com dados deste banco, durante a visita do vice-presidente chinês, Xi Jinping, a Angola, em Novembro de 2010, foi acordado um outro financiamento entre Angola e a China avaliado em mais de 400 milhões de dólares para reconstrução de infra-estruturas e segurança alimentar, para além de outros 100 milhões de dólares, destinados ao financiamento de pequenas e médias empresas.

 Durante a conferência, Sofia Fernandes, baseando-se em dados da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), referiu que 92,6 por cento do investimento privado chinês em Angola está concentrado em Luanda, sendo 77,3 por cento no sector da construção civil, na sua maioria em equipamento importado da China para desenvolvimento de projectos.
 "Da restante verba, cerca de 11,9 por cento do investimento foi destinado ao sector industrial e 1,25 por cento para o comércio e retalho", assinalou ainda Sofia Fernandes, que indicou que 76,8 por cento do investimento total ocorreu em 2008.

 No sector industrial, as áreas mais importantes foram o fabrico de equipamentos de controlo industrial, equipamento de transportes, fabrico de estruturas como portas e janelas, num investimento total de 14,4 milhões de dólares, na sua maioria em projectos desenvolvidos em Luanda.

 Sofia Fernandes destacou também o investimento de 5 mil milhões de dólares na produção de produtos farmacêuticos e afins para utilização médica, no Cuanza Sul, e sublinhou a presença de interesses chineses na Zona Económica Especial (ZEE) de Viana, em Luanda, em que investidores da China estão presentes numa fábrica de cerâmica e numa de produtos metalúrgicos.