CDS exige que RTP explique inquérito que cita Otelo

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CDS exige que RTP explique inquérito que cita Otelo

O CDS-PP exigiu explicações à RTP por colocar em causa a democracia ao perguntar num inquérito no seu sítio da internet, citando Otelo Saraiva de Carvalho, se deve haver um golpe militar para derrubar o governo.

 "Esperamos que o conselho de administração da RTP ou o director de conteúdos nos dê uma resposta satisfatória, que começará com a eliminação desta pergunta, inquérito, sondagem, porque não é digna de lá estar", afirmou o deputado do CDS-PP Raúl de Almeida, que enviou uma pergunta à administração da televisão pública.
 No sítio da internet da RTP é colocada, num inquérito, a seguinte pergunta: "Acha que, se a situação se degradar, as Forças Armadas deveriam levar a cabo uma operação militar para derrubar o governo, como sugere Otelo Saraiva de Carvalho?".
 Para o CDS, colocar esta questão é "estar a perguntar a uma sociedade que está pacificada e que tem dado uma resposta à altura daquilo que o momento exige, se está disposta a ir para a rua com as Forças Armadas, e dizer ‘adeus’ ao estado direito democrático que tanto custou a conquistar".
 "Os portugueses tiveram um século XX horrível, desde o terrível período começado em 1910 com a I República e a ditadura salazarista, que durou até 1974, e temos o operador público do Estado democrático português a pôlo em causa, através de um inquérito, e a levantar à sociedade portuguesa uma questão que ela própria não coloca", argumentou Raúl de Almeida.

 O deputado do CDS sublinhou que "o apelo a uma insurreição civil e a uma participação das Forças Armadas como motor dessa insurreição civil" é "um atentado contra o Estado de Direito, põe em causa a Democracia e é, por via disso, ofensivo da Constituição da República Portuguesa".
 Raúl Almeida está indignado que Otelo Saraiva de Carvalho seja "citado na própria pergunta", num altura em que o antigo militar tem dito "uma série de alarvidades".
 "Preocupa-nos, eu diria mesmo que estamos indignados e queremos esclarecimentos imediatos", afirmou, referindo que o operador público de TV é "pago com o dinheiro dos contribuintes".