Cavaco Silva saudou Bento XVI com júbilo sublinhando necessidade de mensagem de esperança

0
121
Presidente da República

Presidente da RepúblicaO Presidente da República saudou na terça-feira com “profundo júbilo” a chegada do Papa a Portugal, um país “livre e plural” que precisa de “quem traga uma mensagem de esperança” e que recebe Bento XVI “em tempos de incerteza”.

 “É com profundo júbilo que, em meu nome e em nome de todo o povo português, dou as boas vindas a Vossa Santidade, no início de uma visita plena de significado para Portugal”, afirmou o chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva, no aeroporto de Lisboa, minutos depois de o avião que transportou Bento XVI desde Roma ter aterrado.
 Sublinhando a hospitalidade do povo português, Cavaco Silva disse que a esse sentimento os fiéis juntam uma “profunda alegria e intenso fervor” por receber Joseph Ratzinger num país “livre e plural”, que se rege pelos princípios da dignidade da pessoa humana, da justiça e da paz.

 “Um país onde a separação entre a Igreja e o Estado convive com as marcas profundas da herança cristã presente na cultura, no património e, acima de tudo, nos valores humanistas que determinam o nosso modo de ser e de estar no mundo”, salientou.
 Um modo de ser e de estar, acrescentou o chefe de Estado, que se revê na procura do “diálogo com outros credos e com o mundo da cultura” e que, depois de noutros tempos ter contribuído para a expansão da fé cristã, abriu o mundo ao diálogo universal.

 “Somos, por isso, um povo vocacionado para o reconhecimento do valor da diversidade”, declarou, considerando que esta é uma atitude particularmente adequada num tempo em que “se reclama um entendimento entre o discurso da razão e o discurso da fé”.
 Na sua primeira intervenção no âmbito da visita de Bento XVI, o Presidente da República destacou ainda os “tempos de incerteza” que se vi-vem e que “põem à prova a solidez das convicções e a força dos laços que unem as comunidades”.

 “Nestes momentos, os homens precisam de quem traga uma mensagem de esperança à sua sede de justiça e de solidariedade”, referiu, enfatizado a necessidade de solidariedade entre nações e entre pessoas, “em particular quando se fazem sentir, tantas vezes de forma brutal e injusta, os efeitos de uma crise económica de dimensões globais”.

 “Os portugueses vão escutar-vos”, disse o chefe de Estado.
 Nas primeiras palavras que dirigiu ao Papa, Cavaco Silva recordou ainda as relações de Portugal com a Santa Sé, lembrando que foram essas “relações multisseculares” que ditaram a existência do país como realidade política independente em 1179 e que encontram hoje a sua expressão normativa na Concordata assinada pelo Estado português e pela Santa Sé, em 2004, em que o Estado português reconhece o papel da Igreja e “respeita e apoia o serviço inestimável que presta à sociedade”.

 “Foi em nome do povo português que vos convidámos a visitar Portugal. É, pois, com profundo regozijo e sentida emoção que, também em no-me dos Portugueses vos digo: sede bem-vindo Santo Padre”, disse ainda o Presidente da República.