Cavaco Silva exorta empresas a criarem emprego e exportarem a partir de Portugal

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Cavaco Silva exorta empresas a criarem emprego e exportarem a partir de Portugal

O Presidente da República salientou a importância de as empresas criarem emprego e apostarem nas exportações, contribuindo para a economia nacional.

 O chefe de Estado falava no encerramento das comemorações dos 90 anos da fábrica de Avanca da Nestlé, impulsionada por Egas Moniz, Nobel da Medicina português, e que foi a primeira unidade do grupo em Portugal.

 “É muito importante, sobretudo no actual momento que Portugal atravessa, que empresas como a Nestlé contribuam de forma significativa para criar emprego e que apostem a partir de Portugal, não só no mercado interno, mas também nas exportações, contribuindo assim duplamente para a economia nacional”, disse.

Cavaco Silva explicou a sua presença no aniversário da fábrica de Avanca da Nestlé, que emprega 1850 trabalhadores e aposta na investigação e na inovação, realçando o compromisso que a empresa assumiu de criar 500 novos empregos para jovens portugueses.

 “Não posso deixar de me colocar ao lado de todas as empresas que investem, exportam e criam emprego, em particular daquelas que fazem um esforço para nos ajudar a reduzir o desemprego dos jovens. Portugal ainda tem uma taxa de desemprego elevada, mas sem o contributo de empresas como esta, sem conseguir colocar a economia portuguesa a crescer de for-ma sustentada, não conseguiremos baixar rapidamente o desemprego que ainda temos”, comentou.

 O director geral da Nestlé, Jacques Reber, que deu as boas vindas ao Presidente da República e o acompanhou na visita à fábrica, disse que actualmente são produzidas em Avanca 37 mil toneladas anuais de produtos alimentares, metade das quais para exportação.

 O responsável da Nestlé salientou ainda que, “desde sempre, a Nestlé privilegiou os fornecedores nacionais”, revelando que 84% das compras são feitas no mercado nacional, sobretudo leite e também cereais.

 A fábrica de Avanca foi o “embrião” da Nestlé em Portugal, impulsionada por Egas Moniz que, com outros sócios, criou, em 1923, a Sociedade de Produtos Lácteos, Lda, com o objectivo de suprir as necessidades alimentares infantis, sendo a primeira fábrica de leite em pó do país.

 Em 1933, a sociedade ficou com o exclusivo do fabrico dos produtos Nestlé, cujo fundador havia desenvolvido uma papa para lactentes. Em 1973, passou a ter a designação Nestlé, grupo que veio a alargar a presença em Portugal.

 

* PR insiste nas  vantagens de um entendimento político para o pós-´troika´

 

 O Presidente da República disse que “a questão do pós-´troika´ é decisiva para o futuro do País” e insistiu nas vantagens de um compromisso político entre os partidos do arco da governação.

 Falando no final da visita à fábrica da Nestlé, Cavaco Silva reafirmou a importância de um compromisso político de médio prazo, “para que Portugal consiga ter melhores resultados no futuro”.

 “Considero que é muito positivo que cada vez mais vozes se levantem a solicitar o entendimento entre os partidos políticos. É preciso que os portugueses vão percebendo quanto perdem em termos de emprego, de salários, de prestações sociais e de justiça na distribuição de rendimento, se não houver um compromisso político entre as forças que estão comprometidas com o programa de ajustamento”, disse.

 O Presidente da República considera que “é estranhíssimo que Portugal seja o país da Europa onde é mais difícil o diálogo entre as forças políticas”, quando “devia ser o contrário pelas circunstâncias que atravessa” e conclui: “se foi possível o entendimento aquando da assinatura do programa de assistência financeira, agora que as exigências vão ser menores, parecia que seria mais fácil esse diálogo, que não põe em causa o respeito do princípio da alternância”.

 Cavaco Silva explicou o prefácio que fez para os “roteiros” do semanário Expresso, sobre o pós troika: decidi analisar de forma rigorosa, aprofundada e por escrito essa fase da vida portuguesa para explicá-la aos portugueses”.

 Para o Presidente da República, o mais importante é “estudar” o problema das diferentes possibilidades de saída do programa de ajustamento.

 “Tive o cuidado de explicar o que sucede se Portugal adotar um programa cautelar, e aquilo que sucede se adotar uma saída à irlandesa. Agora é necessário acompanhar a evolução da economia internacional, contactar com os parceiros europeus e ver a evolução dos mercados para, no tempo adequado que compete ao governo decidir, tomar a decisão”, concluiu.