Cavaco Silva diz que saída do euro não é uma opção para Portugal

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 O antigo Presidente da Re-pública, Cavaco Silva, afirmou na quarta-feira que uma eventual saída do euro não é uma verdadeira opção para Portugal e lembrou as consequências negativas e a situação “caótica” que deixar a moeda única provocaria.

 “A saída do euro não é uma verdadeira opção. O governo de qualquer Estado membro tem pavor do que aconteceria no futuro se tomasse a decisão de sair do euro: forte depreciação da moeda nacional, aumento do preço de produtos importados, agravamento do valor da dívida do Estado, dos bancos e das empresas para com não residentes, empobrecimento dos consumidores, corrida aos bancos pelo levantamento de depósitos”, apontou.

 Para Cavaco Silva, tal representaria “uma situação caótica, economicamente destrutiva, financeiramente ruinosa e socialmente devastadora”.

 O ex-Presidente da República falava na Covilhã, no distrito de Castelo Branco, à margem de uma conferência que proferiu na Universidade da Beira Interior sobre “A singularidade da construção europeia e o futuro do euro”.

 Durante a sessão, Cavaco Silva recordou ainda que o caso da Grécia provou que a saída do euro não é uma opção e lembrou a resposta que o primeiro-ministro grego deu, em 2017, a um jornal sobre a sua decisão de não retirar aquele país da zona euro, depois de ter vencido o referendo contra a austeridade: “Sair do euro? E ir para onde? Para outra galáxia?”, citou.

 Cavaco Silva considerou que, entre os novos passos que estão agora em análise, “a questão mais importante” é dotar a zona euro de um orçamento próprio.

 “Trata-se de acrescentar à União Económica e Monetária uma capacidade orçamental própria”, referiu, apontando que também Portugal teria a ganhar com esta medida.

 Lembrando que à ideia de um orçamento da zona euro também tem sido associada a proposta de criar o cargo de ministro das Finanças e da Economia Europeia, Cavaco Silva defendeu que, “independentemente da designação, faz sentido que a nível europeu exista uma entidade responsável, não só pelo orçamento próprio da zona euro, mas também pela política de assistência macroeconómica”.

 Cavaco Silva referiu igualmente que as crises que a Europa viveu serviram para a tornar mais forte e salientou que, nem os erros que possam ter sido cometidos ao longo dos anos, nem o Brexit, reduzem a grandeza história da construção da União Europeia e da zona euro”.

 “Os resultados, nas suas múltiplas dimensões, são indiscutivelmente positivos: 60 anos de paz, alargamento do espaço europeu, da liberdade e democracia, controlo da inflação, estabilização do câmbio, uma voz forte na cena internacional e a melhoria substancial do nível de bem-estar das populações, sem esquecer o enriquecimento humano que resulta da liberdade de circulação das pessoas”.

 O antigo chefe de Estado disse ainda que as vozes político partidárias que reclamavam a saída da zona euro, têm vindo claramente a esmorecer e reiterou que tudo aponta para que o euro continue, no futuro, a ser uma moeda de crescente sucesso.

 “O euro é um dos activos europeus mais valiosos que a minha geração deixa aos jovens portugueses. Protejam-no e tirem bom proveito dos benefícios que ele proporciona”, apelou, dirigindo-se aos estudantes que estavam na plateia.

 

Cavaco Silva diz que “não há comparação possível” entre Governo a que deu posse e o actual

 

 O antigo Presidente da Re-pública afirmou que “não há comparação possível” entre o Governo a que deu posse em 2015 e o actual executivo, no que concerne às relações familiares.

 “De facto, não me recordo de ter conhecimento completo – já foi há muitos anos – entre relações familiares dentro do Governo, mas, por aquilo que li, não há comparação possível em relação ao Governo a que dei posse em 2015. E, segundo li também na comunicação social, parece que não há comparação em nenhum outro país democrático desenvolvido”, afirmou, quando questionado sobre a questão das relações familiares no Governo.

 Cavaco Silva falava na Covilhã, no distrito de Castelo Branco, à margem de uma conferência que proferiu na Universidade da Beira Interior sobre “A singularidade da construção europeia e o futuro do euro”.

 À saída, o ex-Presidente da República começou por dizer que não queria tomar posição pública sobre a actualidade política, mas perante a insistência dos jornalistas relativamente ao caso das relações familiares no Governo acabou por responder, salientando o desconhecimento que tinha sobre a situação.

 “Nos últimos dias aprendi bastante sobre as relações familiares entre membros do Governo e confesso que era bastante ignorante em relação a quase tudo aquilo que foi re-velado, mas entendo que não devo fazer qualquer comentário porque já foi dito tudo ou quase tudo e eu não acrescentaria nada de novo”, disse.

 Cavaco Silva adiantou, depois, que “por curiosidade” foi verificar a composição dos três governos em que foi primeiro-ministro e não detectou lá nenhuma ligação familiar.

 Confrontado com o facto de ter dado posse ao actual Governo, liderado por António Costa, o antigo chefe de Estado destacou que considera que a escolha dos membros do executivo compete ao primeiro-ministro.

 Além disso, acrescentou, a actual composição do Governo já não é a mesma.

 Na quinta-feira, quando instado a comentar as críticas às relações familiares no seio do Governo, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que se limitou a aceitar a designação feita por Cavaco Silva, “que foi a de nomear quatro membros do Governo com relações familiares, todos com assento no Conselho de Ministros”.

 Marcelo Rebelo de Sousa disse ainda que aceitou essa solução “partindo do princípio de que o seu antecessor, ao nomear aqueles governantes, tinha ponderado a qualidade das carreiras e o mérito para o exercício das funções”.

 “Depois disso, não nomeei nenhum outro membro com relações familiares para o exercício de funções no executivo e com assento no Conselho de Ministros”, salientou.

 

Costa concorda com Marcelo e afirma que não há novidade nas relações familiares no Governo

 

 O primeiro-ministro, António Costa, concordou com o Presidente da República quando disse que “nada mudou” desde a formação inicial do Governo, considerando que “não há qualquer novidade” quanto aos casos de relações familiares entre membros do executivo.

 “O Presidente tem razão. Primeiro, quando sinalizou que nada mudou desde a formação original do Governo. Pelo que, não só não há qualquer novidade que dê actualidade ao tema, como a experiência destes três anos provou não ter havido qualquer problema com estas duas coincidências”, assinalou António Costa, numa declaração à agência Lusa, referindo-se aos casos das relações familiares entre os ministros da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e do Mar, Ana Paula Vitorino (casados), e do Trabalho, José Vieira da Silva, e da Presidência, Mariana Vieira da Silva (pai e filha).

 António Costa afirmou que Marcelo Rebelo de Sousa “tem também razão quanto à necessidade de abrir o sistema político”, aproveitando para recordar que, “dos 62 membros” do Governo, “36 são militantes do PS e 26 são independentes”.

 E continuou: “só 13 já tinham sido membros do Governo e 49 nunca o tinham sido; 30 já tinham exercido algum cargo político (Governo, Assembleia da República, Câmaras Municipais…), 32 exercem cargos políticos pela primeira vez”.