Cavaco Silva candidata-se a novo mandato presidencial

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presidencial Cavaco Silva

presidencial Cavaco SilvaO candidato presidencial Cavaco Silva teve o primeiro “banho de multidão”na terça-feira antes mesmo de sair do Centro Cultural de Belém, onde apresentou a candidatura invocando a “longa experiência” e num dia de “muito trabalho”.

 Desde que saiu a porta da Sala Fernando Pessoa do Centro Cultural de Belém, após os vinte minutos de discurso – em 2006 tinham sido apenas oito – Cavaco Silva foi empurrado, puxado, beijado e saudado várias vezes pelas pessoas, entre os quais jo-vens e idosos, que gritaram: “Cavaco, Cavaco” e “Portugal, Portugal”.
 Sempre sorridente, Cavaco Silva acenou aos apoiantes que empunhavam bandeiras de Portugal, e cumprimentou a actriz Simone de Oliveira que o esperava à saída.

 Acompanhado pela mulher, Maria Cavaco Silva, o candi-dato presidencial fez o percurso, atribulado, até à saída evitando responder às perguntas dos jornalistas que o rode-avam sobre as negociações entre o Governo e o PSD para a viabilização do Orçamento do Estado para 2011.
 “Hoje foi um dia de muito trabalho, nem imaginam”, prefe-riu dizer Cavaco Silva, que reiterou ainda o que já tinha afirmado no seu discurso so-bre a forma como fará campa-nha: “Disse apenas como vejo o lugar de Presidente da Re-pública que eu conheço muito bem e tenho uma longa experiência. Não respondi nem vou responder a ninguém” [adversários].
 No entanto, acabou por co-mentar que os alertas que fez sobre a situação económica do país “constam dos livros” que tem publicado.
 “Se for ao congresso dos economistas do ano de 2007, já lá está tudo. Se quiser ver um texto meu de 2003 de ho-menagem a Silva Lopes [economista] está lá a previsão do que aconteceria à posteriori”.
 Cavaco Silva apresentou a recandidatura na mesma sala em que fez o anúncio de candidatura em 2006 – sala Fernando Pessoa do CCB – em idêntico cenário: cinco bandei-ras de Portugal de cada lado do púlpito.

 Ao contrário do que aconteceu há cinco anos, marcaram presença vários dirigentes e personalidades do PSD, como o ex-presidente da Assembleia da República Mota Ama-ral, o deputado Marques Gue-des, o secretário geral adjunto social democrata Matos Correia, a presidente da Funda-ção Champalimaud e ex-ministra da Saúde Leonor Beleza, e a anterior líder do PSD Manuela Ferreira Leite.
Questionada pelos jornalistas, Manuela Ferreira Leite afirmou: “Espero do segundo mandato aquilo que esperei do primeiro e aquilo que esperaria se houvesse muitos outros mandatos. O professor Cavaco Silva sempre pautou a sua actuação, sempre, sempre, em nome do interesse nacional, e em nome do serviço público”.

 Sobre a interpretação que Cavaco Silva fez dos poderes presidenciais, Manuela Ferrei-ra Leite respondeu que “foi de certeza sempre com um objectivo, o interesse nacional”.
 Minutos depois do anúncio da candidatura ficou disponível “online” a página oficial www.cavacosilva.pt”, o mes-mo endereço electrónico do candidato de há cinco anos.
 Na página, surge uma fotografia de Cavaco Silva e o primeiro “slogan”, “Eu acredito”, que, pouco depois, foi substituído por outro: “Expe-riência e conhecimento pelo futuro de Portugal”.

* Cavaco questiona qual seria a situação do país sem a sua “acção intensa e ponderada”

 O Presidente da República questionou qual seria a situação do país sem a sua “acção intensa e ponderada” dos últimos cinco anos, apesar de considerar que a sua magistratura de influência poderia ter sido mais bem aproveitada.
 “Portugal encontra-se numa situação difícil. Mas há uma interrogação que cada um, com honestidade, deve fazer: em que situação se encontraria o país sem a acção intensa e ponderada, muitas vezes discreta, que desenvolvi ao longo do meu mandato?”, interrogou, durante a declaração que fez no Centro Cultural de Belém para anunciar a sua recandidatura a Belém.

 Lembrando os alertas e apelos que lançou e os caminhos que foi apontando, assim com a forma como defendeu os interesses nacionais junto de entidades estrangeiras, Cavaco Silva considerou que a sua magistratura de influência te-ve efeitos positivos.
 “Sei bem que a minha magistratura de influência produziu resultados positivos. Mas também sei – e esta é a hora de dizê-lo – que podia ter sido mais bem aproveitada pelos diferentes poderes do Estado”, disse.
 Antes, Cavaco Silva, tinha já sublinhando que apesar de não caber ao Presidente da República governar ou legislar, este não deve “deixar de exercer uma magistratura activa”.
 “Comigo, os Portugueses sabem com o que podem contar”, referiu, prometendo continuar a falar a verdade, porque só ela “é geradora de confiança”.
 “Os Portugueses sabem bem distinguir aqueles que falam verdade e aqueles que semeiam ilusões e utopias”, acrescentou, classificando a sua recandidatura como “uma candidatura de futuro e de esperança”. 
 Recuperando um registo que tem também mantido de apelo aos portugueses para não se resignarem, o chefe de Estado disse ser o tempo de “olhar em frente” e todos se mobilizarem.

 “Acredito que podemos vencer”, destacando o desempre-go e o endividamento externo de entre os problemas que colocam a Portugal no futuro imediato.
 Na sua declaração de cerca de 20 minutos, Cavaco Silva enfatizou ainda que a sua candidatura é “estritamente pessoal, independente de todas as forças partidárias”.
 “O meu partido é Portugal”, sustentou, prometendo que, se for reeleito, será “Presidente de todos os Portugueses”.

 Em jeito de balanço dos últimos cinco anos, Cavaco Silva lembrou que foi isento e imparcial, actuou sempre de forma ponderada para que a figura do Presidente da República não fosse usada como arma de arremesso nas lutas entre os partidos.
 “Não interfiro em lutas partidárias. Respeitei democraticamente os resultados das eleições”, garantindo que nunca permitirá que a função presidencial seja instrumentalizada por quem quer que seja.

 Caso seja eleito, acrescentou, estará apenas ao serviço de Portugal e não de qualquer grupo ou será “portador de uma ideologia de facção”.
 Pelo contrário, será “um factor de união e de confiança, um Presidente escrupuloso no cumprimento da Constituição da República e das regras da democracia”, que acompanhará com “rigor” a actividade do Governo, que poderá sempre contar com a sua cooperação na resolução dos problemas do País.

 “Serei sempre um referencial de equilíbrio e estabilidade. Os portugueses sabem que sou avesso a intrigas político-partidárias. Sabem que a honestidade, a retidão, a seriedade, o respeito pela palavra dada são princípios de toda a minha vida, de que nunca me afastarei”, declarou.