Cavaco Silva apela ao contributo de todos os portugueses projectarem uma imagem positiva de Portugal

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Cavaco Silva apela ao contributo de todos os portugueses projectarem uma imagem positiva de Portugal

O Presidente da República de Portugal, Anibal Cavaco Silva, considerou quarta-feira, nas comemorações do 38.º aniversário do 25 de Abril,  "essencial" assegurar a coesão nacional, que exige um esforço permanente de diálogo e concertação entre o Governo, oposição e parceiros sociais, agora que "a verdade dos tempos difíceis é reconhecida por todos".

 "Em momentos como este, é essencial assegurar a coesão do país. É nestas alturas que temos de nos manter unidos. Exige-se, por isso, um esforço permanente de diálogo e concertação entre o Governo, os partidos da oposição e os parceiros sociais. Este tem sido, aliás, um dos nossos principais activos", afirmou o chefe de Estado, numa intervenção na sessão solene do 25 de Abril, na Assembleia da República.
 Sublinhando que numa democracia como a portuguesa "há sempre espaço para o pluralismo e para a diversidade de opinião, Cavaco Silva deixou um alerta: "Não é combatendo-nos uns aos outros que iremos combater a crise".
 "O ‘Compromisso para o Crescimento, Competitividade e Emprego’, firmado em janeiro deste ano, entre o Governo e os parceiros sociais, é o sinal mais claro de um sentido de responsabilidade partilhada e de uma vontade genuína de que a execução do programa de assistência financeira se processe num contexto de paz e coesão social", acrescentou, referindo-se ao acordo de concertação social que a UGT chegou a ameaçar denunciar na semana passada.
 Depois de na primeira parte do seu discurso ter apelado ao contributo de todos os portugueses para projectar uma imagem positiva de Portugal no estrangeiro, Cavaco Silva ressalvou nos parágrafos finais que tal não significa que queira fazer esquecer os "graves problemas da sociedade" portuguesa.

 "Por mais de uma vez, sublinhei a importância de falar verdade aos portugueses. Agora, a verdade dos tempos difíceis é reconhecida por todos", sublinhou, assinalando estar "plenamente consciente da situação do país, dos problemas concretos dos portugueses", como o desemprego, a precariedade do emprego jovem, os novos pobres, o encerramento de empresas, "os dramas que atingem famílias inteiras, as condições de solidão e de carência que afectam milhares de idosos".
 Por outro lado, continuou Cavaco Silva, existem também problemas estruturais na sociedade e na economia que têm de ser encarados com "sentido de futuro", lembrando que sempre falou sobre a importância do crescimento económico apoiado nas pequenas e médias empresas e recentemente promoveu um debate sobre os efeitos da quebra de natalidade.
 Assim, preconizou, é necessário um esforço colectivo para enfrentar problemas e descobrir potencialidades.

 "São inquestionáveis as potencialidades da economia do mar", referiu, destacando ainda o facto de Portugal ser o terceiro país da União com maior participação das energias renováveis no consumo de electricidade, nota que teve como resposta algum ‘burburinho’ na bancada do PS, partido que tinha as energias renováveis como uma das ‘bandeiras’ do Governo de Jo-sé Sócrates.
 Mas, acrescentou, é importante que os estrangeiros saibam que o melhor activo de Portugal são as pessoas.
 "Os portugueses têm mostrado uma capacidade notável de adaptação às dificuldades do presente", destacou o Presidente da República, que desde há um ano tem alertado para a existência de limites para os sacrifícios que são impostos, chegando mesmo a considerar que em alguns casos, como dos pensionistas, esses limites possam já ter sido ultrapassados.
 Considerando que é em alturas como esta que o espírito solidário dos portugueses adquire uma "dimensão que orgulha e comove", o chefe de Estado voltou a referir as redes de solidariedade e o crescimento do voluntariado, sublinhando que "o apoio aos mais atingidos pela crise é uma realidade".
Numa intervenção que encerrou a sessão solene do 25 de Abril na Assembleia da República, este ano marcada pela ausência dos chamados "capitães de Abril", do antigo Presidente da Assembleia da República Mário Soares e do histórico socialista Manuel Alegre, o chefe de Estado voltou ainda a destacar a "forma rigorosa e determinada" como tem sido cumprido o programa de ajuda financeira.
"As avaliações da missão tripartida reconhecem inequivocamente como positivo o trabalho em curso no plano da consolidação orçamental, da estabilidade do sistema financeiro e das reformas necessá-rias ao reforço do crescimento potencial e da competitividade", reiterou o Presidente da República.