Cavaco apela aos emigrantes para ajudarem Portugal

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Cavaco apela aos emigrantes para ajudarem Portugal

O Presidente da República apelou sábado, em Lisboa, à mobilização da diáspora portuguesa para atrair investimentos, conquistar novos mercados e reforçar a imagem positiva de Portugal, que classificou como "uma terra de oportunidades".

  "Apelo aos portugueses da diáspora e aos luso-descendentes para que, onde quer que se encontrem, se afirmem como embaixadores de Portugal", afirmou o Chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa mensagem dirigida às Comunidades Portuguesas, por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.
   Considerando que os portugueses e luso-descendentes podem desempenhar um papel decisivo num tempo em que se colocam a Portugal "grandes exigências", Cavaco Silva defendeu a sua mobilização para apoiar a Pátria.
  "Em cada país, prestigiam e enobrecem o nome de Portugal. Justamente por isso, a diáspora deve ser mobilizada para apoiar a nossa pátria, a pátria que também é a sua, atraindo investimentos, conquistando novos mercados, reforçando a imagem positiva de Portugal no exterior, promovendo o país novo que somos e que queremos ser", disse.
  Numa curta mensagem, Cavaco Silva fez ainda referência ao "tempo de desafios profundos e grandes decisões" que a Europa atravessa e que marcarão o seu futuro, apresentando Portugal como "uma terra de oportunidades".
  O país, notou, mudou muito nas últimas décadas e dispõe hoje de condições propícias à realização de investimentos, nomeadamente políticas favoráveis à iniciativa empresarial, infraestruturas, talentos e capital humano.
  Lembrando a sua recente deslocação a Timor-Leste, Indonésia, Austrália e Singapura e os encontros que manteve com portugueses que aí vivem e trabalham, o Presidente da República reiterou ainda que é fundamental alterar a forma como são vistas as comunidades portuguesas da diáspora.
  "A retórica da saudade tem de dar lugar a actos concretos, gestos palpáveis que demonstrem o respeito e a gratidão de Portugal perante os seus filhos dispersos pelo Mundo e que, ao mesmo tempo, envolvam as comunidades da emigração num projeto comum", preconizou, sublinhando que Portugal conta com a diáspora para levar por diante o "projecto comum" que é Portugal.

* “Recuperação económica pode ser realidade não muito distante” – presidente Cavaco Silva

 O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou ontem que alguns indicadores permitem ter a esperança de que a recuperação da economia portuguesa “pode ser uma realidade não muito distante”, mas ressalvou que “nada está garantido”.
  Durante a sessão comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no grande auditório do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, Cavaco Silva considerou que Portugal está “a fazer

um esforço muito sério e responsável para honrar os compromissos assumidos” com o Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.
 “Existem sinais que nos permitem ter confiança no futuro. Nada está garantido, até porque é grande a nossa dependência do exterior, mas alguns indicadores permitem-nos ter esperança de que a recuperação económica pode ser uma realidade não muito distante”, acrescentou.
 O Presidente da República afirmou, em seguida, que para que isso se verifique é preciso o “empenho de todos: maior eficiência na acção dos poderes públicos, mais trabalho e produtividade, uma aposta firme na inovação e na qualidade, uma acção decidida na conquista de novos mercados externos, mais apoio às pequenas e médias empresas”.
 “Há razões para estarmos atentos, mas também há motivos para termos esperança, com realismo, com responsabilidade”, resumiu.

* Urgente adoptar novas políticas de emprego

 O Presidente da República defendeu que os níveis de de-semprego em diversos países europeus irão tornar-se socialmente insustentáveis e que é urgente adoptar novas medidas de emprego à escala nacional e à escala europeia.
 “O combate à falta de emprego, sobretudo entre os mais jovens, deve estar no topo das prioridades da agenda social europeia. Diversos Estados europeus defrontam-se actualmente com níveis de desemprego que, do ponto de vista social, se irão tornar insustentáveis a curto prazo e a coesão interna de cada país irá projectar-se negativamente na coesão da Europa como um todo”, afirmou Cavaco Silva.
 “É urgente passar das palavras aos actos e adoptar novas políticas de emprego, quer à escala europeia, quer à escala nacional”, acrescentou o Presidente da República, durante a sessão comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, no grande auditório do Centro Cultural de Be-lém, em Lisboa.
 Antes, Cavaco Silva voltou a defender que “a imprescindível consolidação orçamental não constitui um valor em si mesmo” e que é necessário “conjugar a dimensão orçamental com medidas destinadas a criar condições propícias ao crescimento competitivo e a promover o emprego e a justiça social”.
 Em seguida, o Presidente da República considerou que “os líderes da União Europeia estão hoje mais atentos à necessidade de uma política de crescimento e de combate ao desemprego”.

* Reformas nas Forças Armadas devem ter
consenso alargado e horizonte temporal dilatado

 O Presidente da República defendeu que quaisquer reformas nas Forças Armadas devem envolver as chefias militares e ser objecto de “um consenso alargado”, com decisões a serem encaradas num horizonte temporal mais dilatado.
 “Quaisquer reformas nas Forças Armadas devem basear-se num processo de responsabilidade e decisão política, envolvendo necessariamente as chefias militares, e ser objecto de um consenso alar-gado entre os diversos órgãos de soberania”, afirmou o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, numa intervenção na cerimónia militar das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, que este ano decorreu em Lisboa, em frente ao Mosteiro dos Jerónimos.
 Falando perante militares de todos os ramos das Formas Armadas, das chefias militares, bem como do primeiro-ministro e personalidades de todos os quadrantes políticos, Cavaco Silva preconizou ainda que “as decisões a tomar devem ser encaradas num horizonte temporal mais alar-gado, de modo a evitar, a prazo, o enfraquecimento do desempenho e da capacidade operacional das Forças Armadas”.
 No discurso que antecedeu a sua intervenção na sessão solene do 10 de Junho, o chefe de Estado não deixou também de fazer referência ao “tempo de grande dificuldade e sacrifício” que toda a sociedade portuguesa vive, notando que as Forças Armadas têm vindo a assumir “a sua quota-parte de esforço, rentabilizando e gerindo com parcimónia e rigor os recursos que lhes são disponibilizados”.
 “Os homens e mulheres que servem nas Forças Armadas continuam a ser o seu recurso mais valioso”, acrescentou, lembrando os militares que cumpriram missões em 18 teatros de operações, nos últimos 20 anos.
 “A preservação da condição militar deve constituir uma obrigação claramente assumida pelo Estado perante a nação e que deve ser cultivada com honra e sobriedade pelos militares”, sublinhou Cavaco Silva, que é também comandante supremo das Forças Armadas.
 À semelhança do que acontece todos os anos, o Presidente da República recordou também os ex-combatentes, aqueles que “tudo deram e que sacrificaram o melhor das suas vidas e da sua juventude” por Portugal, em particular os que perderam a vida ou viram afectada a sua integridade física ao serviço das Forças Armadas, frisando que o Estado não os pode esquecer.
 Cavaco Silva alertou ainda para a necessidade de encontrar “renovada proximidade e um claro sentido de utilidade junto das populações”, evitando um indesejável afastamento das Forças Armadas e a eventual incompreensão do verdadeiro significado da sua existência.
 Numa cerimónia em que esteve presente o Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, que inicia hoje, segunda-feira, uma visita de Estado a Portugal, Cavaco Silva recordou igualmente as missões em que os militares portugueses têm estado en-volvidos, nomeadamente no Líbano, Kosovo ou Afeganistão.
 “É desta forma, diversa mas sempre muito exigente, que as Forças Armadas cumprem hoje a sua inalienável razão de ser: defender e servir Portugal”, frisou, exortando os militares “a vencer as dificuldades com a determinação, o espírito de sacrifício e a vontade forte” que os caracteriza e “numa atitude que sirva de exemplo e motivo de orgulho a todos os Portugueses”.

* Visita à Mouraria e almoço com portugueses de sucesso
          
 O Presidente da República iniciou sábado um fim-de-semana dedicado às comemorações do 10 de Junho, num programa que, além das cerimónias institucionais, incluiu uma visita à Mouraria e um almoço com portugueses de sucesso.
 O programa oficial das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesa, iniciou-se pelas 10:00, com o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, a depor uma coroa de flores no túmulo do poeta português, no Mosteiro dos Jerónimos.
 Alguns minutos depois, Cavaco Silva e a mulher encaminharam-se para o Largo dos Jerónimos, onde embarcam no eléctrico da Carris n.º 15, com destino à Praça do Comércio.
 Já na Praça do Comércio, ainda antes das 11:00, teve lugar a cerimónia do içar da bandeira e guarda de honra militar, seguindo-se a sessão solene de boas vindas da Câmara Municipal de Lisboa, no Pátio da Galé, com intervenções do presidente da autarquia, António Costa, e do Presidente da República.
Cerca das 11:30, foi inaugurada a exposição "O Fado e o Cinema" e, depois, foi descerrada uma placa de homenagem da Câmara Municipal de Lisboa ao chefe de Estado.
 Ao almoço, Cavaco Silva  encontrou-se, na Fundação Champalimaud, com personalidades que se distinguiram em Portugal e no estrangeiro no âmbito das suas actividades profissionais.
 Entre os convidados para o almoço contavam-se os actores Diana Chaves, Joana Santos e Diogo Morgado, os medalhas de ouro no campeonato da Europa de canoagem 2011 David Fernandes, Emanuel Silva e Fernando Pimenta, a judoca campeã da Europa Telma Monteiro, o presidente da associação dos jovens empresários, Francisco Maria Balsemão e o ‘chef’ José Avillez.
 Os realizadores João Canijo e João Salaviza, o piloto Hélder Rodrigues, os arquitectos Marta Brandão e Mário Sousa, os investigadores Renata Gomes e Miguel Soares estiveram  também entre os 28 convidados para o almoço.
 Já ao final da tarde, cerca das 17:00, o Presidente da República visitou um dos bairros mais populares de Lisboa, a Mouraria, tendo seguido depois para uma recepção oferecida pelo presidente da autarquia, no miradouro do Chão de Loureiro.
 Ontem, domingo, o dia começou com a tradicional cerimónia militar comemorativa do 10 de Junho, este ano na Praça do Império, onde Cavaco Silva fez o primeiro discurso do dia.
 Pelas 11:30, no Centro Cultural de Belém, teve início a sessão solene comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com intervenções do presidente da comissão organizadora do 10 de Junho e do chefe de Estado, tendo-se seguido a tradicional imposição de insígnias a cerca de três dezenas de personalidades.
 Às 13:00, já na doca de Pedrouços, Cavaco Silva assistiu à cerimónia de largada da etapa de Lisboa da Regata Volvo Ocean Race.
 Ao início da noite, no Palácio de Belém, teve lugar a sessão de apresentação de cumprimentos do corpo diplomático.
 O programa oficial das comemorações do 10 de Junho terminou com um jantar oferecido pelo Presidente da República no jardim da Cascata do Palácio de Belém.