Casos de amor de Camões e a história não contada de Vasco da Gama no Quénia

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Se Vasco da Gama tivesse dado ao trabalho de se aventurar no santuário da elite governante em Lisboa e persuadido o Rei a colonizar a África Oriental, muitas gerações de quenianos educados estariam hoje familiarizados com a poesia de Luis Vaz de Camões e a recitar as suas estrofes em Português.

 Este hipotético cenário foi apresentado recentemente na Univerisidade de Nairobi pela autora portuguesa, Maria João Lopo Carvalho, durante um debate sobre o seu recente livro, “Até morrer de Amor: As Mulheres que Camões amou”.

 A autora mergulhou na vida e nos tempos de Luis Vaz de Camões, na Universidade de Nairobi, onde participou no lançamento de um curso certificado em Língua Portuguesa.

 O curso, será ensinado a partir deste mês em colaboração com o Instituto Cultural de Camões de Portugal. Foi, por is-so, um momento adequado para lançar um livro sobre a temática e obra de Luis Vaz de Camões.

 Um dos maiores poetas do mundo, e certamente o mais célebre de Portugal, Camões viveu entre 1524/1525 e 1580, e apesar de também ter escrito teatro, é imortalizado no mundo lusófono e além, pela obra de poesia épica “Os Lusíadas”.

 Este poema é composto de dez cantos e lê-se como se fosse uma aventura dos portugueses pelo resto do mundo. No poema, a ligação que faz com o Quénia, além da visita de Camões às cidades costeiras, são as lamentações de Vasco da Gama com as dificuldades que teve em Mombasa e o caloroso convite que recebeu do Rei de Malindi para visitar o seu palácio.

 Vasco da Gama é instado pelo monarca a contar depois a história de Portugal e da conquista do caminho marítimo para a Índia, objectivo esse, que alcançou na companhia de um navegador de Malindi.

 Em declarações ao jornal semanário queniano Saturday Nation, sobre o seu livro, Maria João Carvalho falou da contribuição de Camões, que é tido naquele país da África oriental como “um herói português aventureiro mas romântico” do século XVI. 

 O obra reconta a vida de Camões através da voz de sete mulheres, incluindo a mãe do poeta. A relação de intimidade destas mulheres com Camões constitui a base de uma história que remonta à história para falar do espírito humano de aventura, amor, risco, viajar, guerra, dor, e alegria, não apenas de um homem, mas de um tempo, um país, um povo e do mundo.

 “Como autora, sinto-me à vontade para escolher um ou vários pontos de vista para seguir a sua vida de Lisboa a Mombasa, Malindi e mais a leste, a Macau e à ‹China”, disse Maria João Carvalho.

 “Decidi contar a sua história [de Luis Vaz de Camões] através das mulheres que ele amava. Desta forma, posso descrever os sentidos, os sentimentos, a mágoa e a alegria de um maravilhoso e ser humano genial. Existe, claro, o pano de fundo do século XVI com toda a sua história, cultura, literatura e geografia”, salientou.

 “Nós não podemos escrever sobre ele sem escrever sobre o seu mundo e o seu tempo”, concluiu a autora.