Casal português ficou no Nepal para ajudar a reconstruir

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Casal português ficou no Nepal para ajudar a reconstruir

Marco e Lara viajaram há um mês para o Nepal e tiveram a sorte de ver o país erguido e maior sorte ainda em ter sobrevivido ao sismo. Agora, querem ficar para "ajudar a reconstruir" algumas aldeias.

 Já podiam ter regressado a Portugal, como tantos outros estrangeiros que estavam no Nepal em turismo fizeram, e voltar às suas vidas normais, respirando de alívio por terem sobrevivido ao sismo que des-truiu o país no passado dia 25 de abril.

 No entanto, um "sentido de missão" e "consciência" levou o jovem casal de Lisboa Marco Nunes e Lara Nogueira, de 31 e 32 anos respectivamen-te, a permanecer no Nepal e "ajudar a reconstruir" alguns locais por onde passaram.

 "Decidimos ficar para ajudar dois irmãos, o Rikesh e o Anil, que nos acolheram em Phaskot (uma aldeia com 200 pessoas, localizada a cerca de três horas de Kathmandu). Apesar de, felizmente, ninguém ter morrido, toda a co-munidade ficou sem as suas casas, sem gado, sem campos, sem nada. Sentimos que podíamos fazer alguma coisa para os ajudar", disse Marco à Lusa.

 Por isso, os dois portugueses criaram uma campanha, "Help to rebuild one community!", lançada no Facebook e que já permitiu angariar fundos suficientes para uma primeira leva de comida, medicamentos e materiais de construção.

 "Ficaram todos muito emocionados com a ajuda, porque o apoio governamental que tem sido dado é mais para Kathmandu. As outras aldeias têm ficado um pouco esquecidas", lamentou.

 O casal descreve o momento do sismo como "assustador" e ambos reconhecem que fo-ram protegidos pela sorte, por estarem num local fora de perigo.

 "A terra tremeu a sério. Estávamos em Pokara, à beira da lagoa a almoçar, tivemos muita sorte, pois esta zona era plana e não fomos atingidos com nada. A terra baloiçou por baixo de nós e desatámos a correr da esplanada para a margem. O mais impressionante foi o ruido e ver a estrada torcer. Durou mais de dois minutos e toda a gente ficou em pânico", contou Marco.

 Sem data para voltar, o casal promete permanecer no Nepal e ajudar "o mais possível".

 "Já fomos à fronteira tirar um novo visto por mais três meses. Estamos dispostos a cá ficar todo esse tempo para podermos ajudar", concluiu Marco.

 Até agora, através da campanha de angariação de fundos, Marco e Lara já conse-guiram juntar 2.000 euros.