Carência de recursos pode provocar atraso difícil de recuperar – Cavaco Silva

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Cavaco Silva

Cavaco SilvaO Presidente da República, Cavaco Silva, alertou que a carência de recursos adequados para as universidades ou a sua imprevisibilidade pode “provocar um atraso difícil de recuperar no contexto de concorrência a nível global”.

 “Sendo iniludíveis, os imperativos de contenção e rigor no dispêndio de fundos públicos não devem fazer perigar nem o acesso dos mais carenciados ao ensino superior, nem as condições mínimas para a manutenção dos mais carenciados ao ensino superior, nem as condições mínimas para a manutenção de um corpo docente e científico qualificado e mobilizado”, defendeu.
 Na sessão solene Comemorativa do Centenário da Universidade do Porto, Cavaco Silva avisou que a carência de recursos para permitir aos jovens estudar “é um risco que deve ser muito bem medido nas suas consequências colectivas”.
 O Presidente da República pediu também aos jovens para “não baixarem os braços”, nem “desistirem de se qualificarem” por causa do atraso na realização profissional, e recordou que a “ignorância e a falta de cultura nunca são bons conselheiros”.

 Na sua intervenção, Cavaco Silva lembrou que os jovens estão impacientes por concretizar os sonhos e frustrados pelo “tardar da plena realização”.
 “Isso não deve levar os jovens a baixar os braços, e muito menos a desistir de se qualificarem. Pelo contrário, mais cedo ou mais tarde, hão-de confirmar que o único investimento garantido é o que aporta conhecimento, competências e capacidade de olhar Mundo”.
 Cavaco Silva disse também que para “viver em liberdade é preciso escolher em liberdade” e que essa escolha implica ter conhecimento e ser “capaz de avaliar as opções que se colocam e as que mais interessam a cada um”.

 A Universidade do Porto foi hoje agraciada por Cavaco Silva com o título de Membro Honorário da Ordem Militar de Sant’lago da espada, condecoração que visa distinguir as instituições de carater científico.

* Reitor pede a “geração à rasca” para que também procure soluções

 O reitor da Universidade do Porto, Marques dos Santos, apelou aos participantes nas manifestações da “geração à rasca” para que se envolvam activamente na procura das soluções” para os seus problemas de emprego.
 “Acho que fazem muito bem em se manifestar, em alertar para as dificuldades, mas também espero que eles se envolvam ativamente na procura das soluções”, afirmou Marques dos Santos, à margem das comemorações do centenário da UPorto.
 O reitor sublinhou que a universidade está disponível para ajudar os jovens licenciados a encontrar emprego, recordando que está a apoiar a instalação de 100 empresas na sua incubadora.

 “Temos procurado que o emprego seja também uma das nossas grandes preocupações, mas não têm de cruzar os braços, não têm de passar a vida a lamentar-se que não têm dinheiro”, frisou.
 Marques dos Santos desafiou os jovens a procurar fontes de financiamento alternativas para criar autoemprego, afirmando que a UPorto tem feito o mesmo, recorrendo a programas de financiamento nacionais, filantropia, mecenato e projectos de investigação com as empresas.
 “Penso que é não cruzando os braços, não esperando, não nos lamentando sistematicamente, mas agindo proativamente que vamos todos construir um país melhor, uma universidade de grande nível internacional”, referiu.

 O reitor defendeu “mais rigor” na atribuição de bolsas de estudo, evitando “situações de oportunismo de quem, não tendo necessidade, vai viver à custa de bolsas que são os cidadãos que estão a suportar”.
 “Infelizmente, todos sabemos que há cerca de 25 por cento de economia paralela”, referiu, criticando quem foge aos impostos e ainda pede bolsas para os seus filhos, sem ter necessidades financeiras.

 No discurso formal, Marques dos Santos defendeu uma revisão da estrutura do Ensino Superior português e uma maior percentagem de verbas públicas para as universidades que as gerem melhor.
 “Temos instituições a mais”, afirmou, admitindo que também a UPorto precisa de “maior coesão”.
 Marques dos Santos realçou que a UPorto é atualmente “a universidade portuguesa mais procurada, com as mais altas notas de acesso”, a que junta a liderança na investigação científica nacional.