Cardiologistas estudam risco cardiovascular de portugueses na Venezuela

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Cardiologistas estudam risco cardiovascular de portugueses na Venezuela

As sociedades portuguesa e venezuelana de cardiologia, em conjunto com a Associação de Médicos Luso-venezuelanos, iniciaram um estudo pioneiro para determinar os factores e risco cardiovascular dos portugueses emigrados na Venezuela.

 O “Estudo Cidade-Luso Venezuelana” abrange vários exames médicos e decorre nas instalações do Consulado-Geral de Portugal em Caracas. Os resultados e recomendações médicas serão entregues de imediato e gratuitamente aos participantes, que têm que cumprir unicamente o requisito de serem portugueses ou luso-descendentes.

 “É a primeira vez que a Sociedade Venezuelana de Cardiologia está a fazer um estudo em conjunto com uma sociedade estrangeira, neste caso com a Sociedade Portuguesa de Cardiologia, e é também a primeira vez que se faz um estudo de risco cardiovascular na emigração portuguesa no mundo”, explicou o cardiologista Juan Marques.

 O médico frisou ainda que “é a primeira vez que será possível comparar os resultados do estudo na Venezuela com os resultados do estudo Viva, realizado no ano passado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia”.

 “A ideia é analisar o que acontece na emigração e nas diferentes gerações, vamos estudar um pouco mais de 200 pessoas. Vamos ter a primeira, segunda e terceira geração e vamos poder comparar os resultados do risco cardiovascular neste grupo de pessoas com o risco cardiovascular em Portugal”, disse.

 O também presidente da Associação de Médicos Luso-venezuelanos e membro da direção da Sociedade Venezuelana de Cardiologia, explicou ainda que, “na Venezuela, as doenças cardiovasculares são a primeira causa de mor-te, com um em cada quatro venezuelanos morrer de uma doença cardiovascular”.

 “Na Venezuela a principal causa é o enfarto de miocárdio, enquanto que em Portu-gal a primeira causa é o acidente cérebro-vascular”, frisou.

 Explicou ainda que os portugueses, “na medida que se foram adaptando à Venezue-la, foram mudando as suas formas de vida, alterando a alimentação” e fazendo exercício físico” e que parte do estudo consiste em “medir o peso, a circunferência abdominal, a tensão arterial, o nível do colesterol e trigliceridos”.

 O cônsul-geral de Portugal em Caracas, Paulo Santos, disse que no primeiro dia do estudo “estava bastante gente, algumas dezenas de pessoas logo ao início”

 “Assim que dei a explicação do que é que estávamos aqui a fazer hoje notei uma receptividade muito, muito grande, parece-me que, senão todos, quase todos os emigrantes, vão aproveitar esta oportunidade de poder fazer um es-tudo que vai ser útil para cada pessoa, porque lhes vão dar alguns resultados importantes para a sua saúde e de forma totalmente grátis”, acrescentou.

 Paulo Santos disse que foi o primeiro a participar no exame e que, por ter “mais de um ano na Venezuela, já é considerado um emigrante”.

 “Talvez até seja útil comparar aqueles emigrantes que estão há muito tempo com os que estão há pouco tempo”, disse.

 O estudo decorrerá ao longo de duas semanas.