Caracas aumentará despesas militares para repor perdas de munições

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Caracas

CaracasA imprensa venezuelana revela que a Venezuela aumentará as despesas militares para repor as perdas do incêndio que afectou quatro depósitos de armamento da Companhia Anónima Venezuelana de Indústrias Militares (Cavim).

 “A redução [pelo incêndio] das reservas de armamento e munições de artilheria das Forças Armadas justifica o aumento do gasto militar para repor os inventários” explica o diário económico El Mundo.
 O incêndio, em Maracay, no centro da Venezuela, provocou um morto, três feridos e obrigou à retirada de 10.000 pessoas. As causas do sinistro ainda não foram explicadas pelas autoridades.

 Citando Rocio San Miguel, uma especialista em temas de defesa militar, o El Mundo explica que “o incêndio aumenta a importância dos convénios de armas da Venezuela com os russos e os chineses”, precisando que entre os anos 2000 e 2009 Caracas multiplicou por sete o seu orçamento para a compra de armamento, segundo dados do Stockholm International Peace Research Institute.

 “A Venezuela ocupa o 17.º lugar entre os países que mais importam armas e munições do mundo”, sublinha o jornal, citando aquele organismo.
 Segundo o El Mundo “as munições [de calibre ocidental] incendiadas serão de difícil reposição pelo embargo de armas dos Estados Unidos à Venezuela”, uma vez que “o aumento da despesa militar durante o Governo de [Hugo] Chávez fizeram disparar alertas de alguns países, especialmente dos EUA, maior fornecedor de armas do mundo e anterior sócio comercial do país, no setor da indústria de armamentos”.
 No início do mês passado, o chefe do Estado Maior Conjunto dos EUA, Mike Mullen, reconheceu que a Venezuela não representa uma ameaça para os EUA, mas questiona que Caracas gaste tanto dinheiro em armas que chegarão nos próximos anos.

 O jornal explica ainda que há acordos assinados com China, Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha, Ucrânia e com a Rússia país onde as compras ascendem a 5.000 milhões de dólares em armamento militar, dos quais 2.200 milhões de dólares a crédito.
 Esses acordos incluem 24 aviões de combate Sukkoi, 50 helicópteros e 100.000 espingardas de assalto Kalashnikov, 92 tanques de mísseis anti-aéreos T-72.
 Segundo o El Mundo, nem o governo venezuelano nem antigos ministros precisaram até agora a quantia exata de armas guardadas nos depósitos da Cavim.

 A Cavim é um organismo adstrito ao Ministério da Defesa e tem como missão atender o desenvolvimento da indústria militar no país, participando na venda de armamento e munições.
 Criada em 1975 tem ainda como propósito a exploração comercial das indústrias que fabricam armas, munições, explosivos e outros materiais usados na defesa nacional.