Campanha para evitar exploração de emigrantes na construção civil

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Campanha para evitar exploração de emigrantes na construção civil

O Governo e o Sindicato da Construção de Portugal vão lançar “em breve” uma campanha de sensibilização para evitar que se repitam situações de exploração de portugueses recrutados para trabalhar no estrangeiro.

 “Se dermos as mãos – o Governo e o sindicato – conse-guimos elucidar as pessoas e evitar que os portugueses caiam em situações lamentáveis”, afirmou o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, no final de uma reunião com o presidente do Sindicato da Construção de Portugal, Albano Ribeiro.

 Em declarações aos jornalistas, José Cesário defendeu que a campanha de sensibili-zação, que estará nas ruas ainda em Janeiro, servirá para informar os trabalhadores so-bre os direitos que têm nos países de acolhimento bem como fornecer informações sobre a quem podem recorrer nesses países.
 O secretário de Estado das Comunidades admitiu que continuam a existir “situações de exploração” e “um fenómeno crescente do fluxo de portugueses para o estrangeiro”, considerando urgente “encontrar uma forma das pessoas saírem de Portugal com o máximo de segurança”.
 Além de prevenir situações futuras, José Cesário admitiu “o recurso aos meios diplomáticos à disposição para contactar as autoridades locais para agirem quando existem situações de exploração”.

 À reunião, Albano Ribeiro levou fotografias que retratam as más condições de alojamento que os trabalhadores portugueses encontram ao chegar aos países de acolhimento, apontando a Alemanha, França e Inglaterra como os países em que existem atualmente mais situações de “escravatura contemporânea”.
 “São casos de autêntica escravatura contemporânea de trabalhadores desempregados que são levados por redes mafiosas”, afirmou o sin-dicalista, considerando que “a campanha de sensibilização vai resolver grande parte dos problemas”.
Albano Ribeiro adiantou que esta campanha chegará aos concelhos do interior onde são recrutados os trabalhadores e envolverá um conjunto de agentes como as paróquias e as juntas de freguesia.

 O Sindicato da Construção de Portugal estima o encerramento de 12 empresas por dia e eliminação de 100 mil postos de trabalho em 2012 se o Governo não tomar medidas para dinamizar o sector. “Se este Governo não investir em três áreas – saneamento, es-tradas secundárias e requalificação das cidades –, o sector pode perder 100 mil postos de trabalho em 2012”, alertou Albano Ribeiro.