Camões é nome de escola em Hong Kong

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Camões é nome de escola em Hong Kong

Poucos são os que conhecem os feitos ou a língua de Luís de Camões em Hong Kong, mas os “camõesians” da escola ‘Po Leung Kuk Ca-mões Tan Siu Lin’ carregam os valores do poeta, defende o director Derek Yeung.

 Instalada na península de Kowloon, a escola primária patrocinada pelo comité Po Leung Kuk tem apenas 14 anos, mas a sua história re-monta a meados do século passado, quando parte da co-munidade macaense se instalou em Hong Kong.

 “Sabemos que a escola foi estabelecida nos anos 1950, ou seja, logo a seguir à II Guerra Mundial. E era frequentada por gentes de Hong Kong e por macaenses. Penso que esses macaenses vieram para Hong Kong para começarem os seus negócios. Por isso os filhos precisavam de educação. Essa foi a razão pela qual a escola foi criada”, explicou Derek Yeung.

 Henrique Souza, gerente do restaurante do Club Lusitano em Hong Kong – fundado em 1866 pela comunidade portuguesa – é a memória viva da antiga “Escola Camões”, que toda a gente conhecia na antiga colónia britânica por “The Portuguese Community School”. “Era uma escola mista, devia ter uns 350 alunos, desde o jardim de infância até ao sexto ano”, recordou.

 Numas instalações que já não existem na ‘Cox’s Road’ – rua a que terá dado nome um antigo negociante de ópio, James Cox -, a memória de Henrique Souza recua até a um tempo em que 80 % dos alunos eram portugueses e os restantes 20 % chineses.

 “As aulas eram em inglês, mas também aprendíamos português. A primeira professora foi a senhora Alice Gomes, depois veio a D. Eulália”, recordou.

 Ao contrário dos anos 1960, hoje os apelidos portugueses já não constam nas matrículas e a marca lusitana resume-se ao nome da ‘Po Leung Kuk Camões Tan Siu Lin’, agora com capacidade para cerca de 1.000 alunos, dos seis aos 12 anos.

 Derek Yeung assumiu os comandos da escola em 2007, quando o português já não se ouvia nos corredores nem no recreio, mas o nome do poeta levou-o a organizar uma excursão ao Jardim Camões em Macau, onde o vulto da lite-ratura nacional terá escrito parte de “Os Lusíadas”.

 “Eu tenho muita estima pelo nome Camões, porque nasci em Macau e porque me lembro de ir para o jardim Camões brincar e de ver lá o seu busto. Por isso levei lá os professores e funcionários, para ficarem a saber quem foi [Luís de] Camões e para depois poderem ensinar aos alunos”, afirmou o diretor, ao recordar a visita realizada antes do Natal de 2008.

 Na memória de Derek Yeung ficou o lado “muito patriótico” de Luís de Camões. “Como ele era um poeta, damos muita ênfase às línguas na escola”, acrescentou.

 Actualmente com cerca de 80 % de alunos de língua materna chinesa e um quinto de internacionais – incluindo indianos, paquistaneses, franceses, japoneses, alemães, ca-nadianos ou norte-americanos – a Po Leung Kuk Camões Tan Siu Lin orgulha-se de “um ambiente multicultural”, com o inglês como língua franca, e outras opcionais como o japonês, francês, ou espanhol no próximo ano.

 O português não é opção, mas segundo o director, a escola consegue fazer a ligação ao poeta, no sentido do “amor à língua”, e incentivando os alunos a expressarem-se a eles próprios.

 “Nós temos um lema: “We are Camõesians”. Redefinimos o termo, mas sim, valorizamos bastante o legado de Ca-mões”, resumiu.