Cada vez mais afastada a hipótese de uma única Colectividade portuguesa em Pretória

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Cada vez mais afastada a hipótese de uma única Colectividade portuguesa em Pretória

Já lá vai o tempo considerado de “vacas gordas”, em que havendo lugar para todas, se foram formando com entusiasmo, em Pretória, agremiações, pela sua designação a representarem regiões e os clubes mais representativos do nosso futebol, tudo na altura para além de bem-vindo, a dar ao associativismo uma maior dimensão da capacidade e grandeza da comunidade.

 Com o deteriorar da situação neste país a partir de certa altura, e infelizmente foi aumentando de volume numa área considerada nevrálgica, como é a segurança, vitimando muitos nossos compatriotas, e os assaltos a negócios e residências a sucederem-se, passou a assustar muita gente, que considerando-se insegura e temendo o pior, acabou por optar em regressar definitivamente às origens, passando gradualmente a ser notória a redução, em todos os domínios, dos membros da nossa comunidade, às actividades promovidas pelas nossas colectividades.

 A partir daí, e habituados que estávamos a casas cheias nas actividades que as nossas agremiações iam regularmente promovendo, passou-se a ver diminuir cada vez mais essa afluência, agravada com os programas que a televisão portuguesa passou a transmitir em canal internacional, nas vinte e quatro horas para todo o mundo, com a maior parte da que ficou por cá, mormente a mais idosa, a optar por tranquila, sentada no seu sofá, a seguir esses programas televisivos, para mais emitidos na sua língua.

 Perante esse fenómeno e com a quebra das receitas a tornarem-se insuficientes para o suporte das suas despesas, as nossas agremiações, especialmente as dotadas de instalações próprias, tiveram que optar por outras soluções para assim conseguirem sobreviver, virando-se para

outras fontes de receita, baseadas em convívios mensais com patrocinadores para as despesas dessas actividades, isto para além das festas, cada vez mais reduzidas que cada uma foi mantendo, a juntar ao aluguer dos salões.

 Na ACPP para casamentos e

outros eventos sociais, e o seu pavilhão para actividades de carácter desportivas, a par da receita deixada pelo seu Continental Restaurante; na Casa do Porto o aluguer do seu salão à “ The Favours Cathedral Church” para os seus habituais cultos, daí não mais voltando a promover actividades culturais, a juntar à exploração particular do seu restaurante; e na Casa Social da Madeira além das festas que periodicamente vai levando a efeito, o contrato com o Union Catering para certos eventos sociais, que conseguido pelo ex-presidente dessa casa Damião de Freitas, ainda se mantém em vigor.

 Quando mediante essas dificuldades se esperava, pelo menos parecia opinião generalizada, mais-dia menos-dia todas elas se virem a unir, e fazer assim uma única colectividade forte e unida, tal não passou de mera sugestão, pelo menos por enquanto, a analisar pelo rumo que as coisas levaram, e que passamos a descrever:

 A Casa Social da Madeira que depois de fundada esteve primeiro em instalações alugadas em Pyramides, e depois disso, em propriedade própria que adquiriu em 1989 ao Município local, em Elandspoort, a confinar com Danville, e se manteve até 2008, altura em que por ter vendido essas instalações, adquiriu logo a seguir, isto a 8 de Maio desse mesmo ano, uma propriedade com cem mil metros quadrados, plot 34 em Bosch-kop Road, área de Sawelspoort, dotada de três vivendas, um grande armazém, ar-recadação e dependências para serventes, já dotados de luz eléctrica e água potável, capazes de imediatamente serem utilizados como provisória sede social, enquanto não fosse construído o novo amplo salão, que edificado de raiz pelo então presidente da colectividade, Damião de Freitas, viria a ser inaugurado a 14 de Agosto de 2011 pelo embaixador de Portugal em Pretória, João Ramos Pinto, portanto sem intenção de se ligar a outra congénere, como muita gente apontava à ACP de Pretória.

 Por outro lado a Casa do Porto, fundada a 21 de Março de 1971 em casa de Sílvio Reis, depois da passagem em sete anos por modestas Instalações de uma antiga igreja na Grand Street, perpendicular à Potgieter Street, veio depois a fixar-se na sede social que construiu em, Buitekant Street, de Pretória West, inaugurada a 26 de Maio de 1979, com a designação de Porto Futebol Clube de Pretória/Casa do Porto, onde se tem mantido e pelo que nos chega ao conhecimento tudo se conjuga para que venha a ser vendida à “The Favors Cathedral Church” a quem nestes últimos anos tem alugado o salão para os seus cultos, e pelos vistos se estão a ultimar os preparativos para a transferência da propriedade.

 Sabemos entretanto ser intenção da comissão constituída naquela Casa do Porto para a venda da propriedade, proceder em seguida à construção de nova sede noutro local de Pretória, o que a consumar-se está também fora de hipótese de se ligar ela também à ACPP – Associação da Comunidade Portuguesa de Pretória, pela sua designação aberta a todos os portugueses ou clubes que se lhe queiram juntar, e com instalações onde já estão instalados a Casa do Benfica, o Sporting Clube de Pretória e a Liga da Mulher Portuguesa, e pela sua imponência preparada para poder ceder aposentos a outras agremiações lusas citadinas que o desejarem.

 Consumada que venha a ser a continuidade da Casa do Porto em novas instalações, continuamos a ter em Pretória seis distintas colectividades, ACPP, Casa do Porto, Casa Social da Madeira, Casa do Benfica, Sporting Clube de Pretoria e Club Sport Marítimo, isto não incluindo a Aca-demia do Bacalhau que pela sua designação não poderá ser classificada de clube, mas sim de instituição a colaborar com a beneficência, a nosso ver muitas agremiações para os poucos que ainda as frequentam, para mais com tendência a ser reduzida no futuro, isto porquê?

 Os mais idosos que ainda periodicamente vão aos clubes, mas com o avançar da idade, agravado com o barulho infernal das discotecas, é já para si um frete, daí e para evitarem esse incómodo, preferi-rem ficar sossegados em casa, e os jovens, felizmente salvo algumas excepções, optarem na sua maioria por outros ambientes e outras distracções, infelizmente para muitos até já pouco ou nada lhes dizendo a própria língua portuguesa, dado em suas casas apenas se dialogar em inglês.

 Certamente não será por eles que venham a ser suportados os encargos das nossas agremiações, e sem receitas impossível a sobrevivência de todas elas, e pelo caminho que em incerteza quanto ao futuro as coisas levam, a juntar ao agravar das dificulda-des económicas cada vez mais acentuada em muitas das nossas famílias, infelizmente com tendência a aumentar, isto sem querer ser ave agoirenta, derrotista ou pessimista, mas sim realista, ou muito nos enganamos, ou vamos chegar a um tempo em que até uma única colectividade será suficiente em cada uma das nossas comunidades. O tempo o dirá.

VICENTE DIAS