Cabo Verde lança ofensiva através da diplomacia económica em África

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Cabo Verde lança ofensiva através da diplomacia económica em África

Cabo Verde está a preparar uma vasta ofensiva económica em África, a começar em breve na África do Sul, e que estenderá a vários países africanos, entre eles Angola e Moçambique, disse o primeiro-ministro cabo-verdiano.

 Numa conferência de imprensa, José Maria Neves indicou que, esta semana, presidirá a uma reunião com cinco ministérios, duas agências de promoção do investimento e um centro de estudos estratégicos para definir as prioridades para acções de diplomacia económica que pretende efectuar no continente africano.

 A reunião abarcará os responsáveis dos ministérios das Relações Exteriores, das Finanças, das Infraestruturas e Economia Marítima, do Turismo, Indústria e Energia e das Comunidades, o Centro de Políticas Estratégicas (CPE), Cabo Verde Investimentos (CVI) e Agência para o Desenvolvimento Empresarial e Inovação (ADEI).

 Para já, a ideia é avançar, “tão rápido quanto possível”, para a África do Sul, onde o ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires se deslocou também como “enviado especial” do primeiro-ministro para apresentar um programa de reforço da cooperação com a África do Sul, de forma a criar um “acordo quadro” nesse domínio.

A mensagem transmitida por Pedro Pires ao Presidente sul-africano, acrescentou José Maria Neves, “foi bem recebida” por Jacob Zuma, pelo que o Governo vai preparar uma missão para relançar as relações económicas e empresariais, tendo em conta áreas prioritárias como portos, aeroportos, energias renováveis, agronegócio e pescas.

 O chefe do executivo cabo-verdiano indicou estarem a ser feitos esforços para idênticos procedimentos com

outros Estados africanos, como Angola, Moçambique, República do Congo, Guiné Equatorial, Argélia, Marrocos e Mauritânia, sempre no quadro da diversificação das relações do arquipélago e preparar o país para o pós-crise.

 “Queremos ter um papel mais ativo nas relações com África no pós-crise e estamos a prepará-lo. Queremos ajudar nos esforços de crescimento e desenvolvimento do continente”, afirmou, lembrando que a União Africana (UA) já se comprometeu em implementar estratégias comuns em sectores como os das infraestruturas, transportes e tecnologias da informação e comunicação (TIC).

 José Maria Neves lembrou que estas questões, além de terem sido definidas na UA, foram também abordadas na recente Cimeira Japão/África /(TICAD-V), realizada no início deste mês, tendo ainda como pano de fundo as próximas conferências a realizar com a União Europeia (UE) e com os Países Árabes.

 Pedro Pires, que se reuniu com o chefe do executivo cabo-verdiano para dar conta dos encontros que manteve na África do Sul com Jacob Zuma e também com outras autoridades sul-africanas, destacou a “grande abertura” do Presidente de “um dos mais importantes países” africanos às propostas de Cabo Verde.

“Cabe agora aos dois governos dar o impulso para dinamizar a cooperação económico-empresarial”, sublinhou o antigo presidente cabo-verdiano (2001/11), salientando que a África do Sul pode ser um “parceiro estratégico para a diplomacia económica” que Cabo Verde quer lançar no continente africano.