Brasil não quer dólares no comércio com a China

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Lula da Silva

Lula da SilvaO Presidente Lula da Silva partiu na sexta-feira para um périplo de uma semana que inclui Arábia Saudita, China e Turquia, com uma agenda marcadamente comercial, em especial com os chineses, com quem pretende estabelecer o comércio nas moedas locais.

“A visita (à China) contribuirá para a discussão de instrumentos de facilitação do comércio bilateral, bem como de estímulo ao financiamento e ao investimento recíproco”, afirmou o porta-voz da Presidência do Brasil, Marcelo Baumbach. Em Abril, em Londres, à margem da cimeira do G20 (grupo das 20 maiores economias do mundo) sobre a crise mundial, o Presidente Lula avançou que havia conversado com o Presidente chinês, Hu Jintao, sobre a ideia de substituir o dólar pelo real e pelo yuan nas transações comerciais.

Lula da Silva disse ainda esperar que a visita deste mês à China possa significar “o começo de uma boa conversa” entre os bancos centrais dos dois países e os ministros das Finanças. A proposta vai ao encontro da ideia dos chineses de substituir o dólar no comércio internacional por uma moeda global. Afinal, ao comprar dólares e títulos da dívida do Tesouro norte-americano, todas os países do mundo acabam por financiar os défices fiscal e das contas externas dos Estados Unidos. Dos dois triliões de dól res de reservas da China, cerca de 800 mil milhões de dólares são aplicados em papéis dos EUA, o que torna os chineses nos principais credores dos norte-americanos no mundo. Segundo fontes do Governo brasileiro, o projecto de fazer o comércio em reais e yuan pode significar uma nova fase nas relações com o país asiático, mas vai requerer tempo, pois há necessidade de uma harmonização de regras dos bancos centrais dos dois países.