Bolsa de Moçambique em fase-piloto

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Bolsa de Moçambique em fase-piloto

A Bolsa de Mercadorias de Moçambique (BMM) vai funcionar em fase-piloto até ao final de 2015, iniciando a actividade com uma capacidade de armazenagem de 70 mil toneladas de produtos agrícolas, disse à macauhub em Maputo o administrador executivo da instituição, Edgar Baloi.

 A melhoria do rendimento dos camponeses e o aumento da produtividade agrícola do país são as duas grandes metas da BMM, uma instituição filiada ao Ministério da Indústria e Comércio de Moçambique, que quer duplicar os “modelos de sucesso” do Malaui e da Etiópia na criação de bolsas de mercadorias.

 Até Dezembro, a BMM pretende “fazer sair do papel” o seu plano de emissão de certificados de depósito, cuja ideia subjacente é o avanço de capital pelo sistema bancário aos produtores que vão armazenar os seus produtos nos silos e armazéns que a instituição gere na região centro e norte de Moçambique.

 Por outro lado, a bolsa de mercadorias, vocacionada nesta fase para o sector agrícola, deverá realizar o seu primeiro leilão até ao início do próximo ano, devendo este ser feito presencialmente e os seguintes através de uma plataforma digital.

 A instalação de laboratórios nos complexos de armazenamento da BMM é outra das condições tida como fundamental para o avanço da iniciativa, na medida em que serão estes que irão determinar o valor dos produtos depositados pelos camponeses, através da realização de testes à sua qualidade.

 Para já, a instituição está a desenvolver contactos com vários bancos que operam no país no sentido da sua adesão ao sistema de certificados de depósito, que a BMM espera que possa garantir aos produtores o avanço de até 70% do valor das mercadorias depositadas nos complexos de armazenamento.

 Para negociar milho, feijão, soja e gergelim – os quatro produtos que irão ser aceites nos complexos – a BMM vai cobrar uma taxa de transacção de 1,25% aos agricultores, que, no caso de quererem aceder aos certificados de depósito, terão ainda de suportar o pagamento de uma taxa de juro.

 Os certificados terão “um tecto máximo percentual em termos da proporção que po-derá ser levantada” para “acautelar as variações do preço do produto e também as taxas de juro” dos bancos, disse Edgar Baloi, indicando que os produtos armazenados funcionam como uma “espécie de conta-corrente caucionada.”

 Funcionando nesta primeira fase com verbas do Orçamento do Estado, a BMM espera conseguir financiar a sua operação com o negócio dos leilões num prazo de cerca de cinco anos, altura em tenciona alargar a sua gama de produtos a outros bens, como o carvão ou pedras preciosas.

 Por enquanto com sete complexos de silos e igual número de armazéns nas províncias de Cabo Delgado, Nampula, Niassa, Zambézia, Tete e Sofala, a BMM deverá expandir para 85 mil toneladas a sua capacidade de armazenamento de produtos até ao final do ano.