Bodas de Ouro da União

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Bodas de Ouro da União

Bodas de Ouro da UniãoPoucas colectividades da diáspora portuguesa podem orgulhar-se de chegar às Bodas de Ouro. Quantas na África do Sul se extinguiram depois de uma existência de apenas algumas décadas, embora caracterizadas por muito dinamismo no campo associativo e também desportivo enquanto durou a sua actividade.

Bem mais de uma dezena dessas agremiações pertencem já à memória desta comunidade.
  Mas quem neste momento vive orgulhosamente o facto de celebrar 50 anos de existência – diga-se de passagem, com um programa comemorativo de cinco estrelas e assaz dispendioso – é a União Cultural, Recreativa e Desportiva Portuguesa de Joanesburgo, fundada no já longínquo ano de 1961, isto é, dois anos antes de ter sido lançado o primeiro exemplar de O Século de Joanesburgo.

  Distinguida há dez anos com a Ordem do Infante D. Henrique, por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a União Cultural, Recreativa e Desportiva Portuguesa teve a materialização desse agraciamento a 23 de Abril de 2002, quando os dirigentes da colectividade receberam das mãos do então secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, mandatado  para o efeito pelo Presidente da República, os símbolos correspondentes à categoria de Membro Honorário de tão nobre Ordem. A mesma que Portugal normalmente confere a quem, no estrangeiro, presta serviços relevantes na expansão da cultura portuguesa, sua história e seus valores.

  E, nestas Bodas de Ouro, incluir no programa, de forma tão corajosa, a participação de Mariza, a Diva do Fado – que cantará para a comunidade na próxima sexta-feira no superpavilhão de Carnival City – é, de facto, por parte da União e dos seus dirigentes, a fazerem honras à comenda da colectividade, uma prestação de serviços revelantes na expansão da cultura portuguesa.
  Se a alegria foi justificadamente grande na festa de Junho de 2001, na cerimónia de Abril de 2002 ela foi ainda maior. À manifestação de júbilo registada quando nessa altura foi recebida a carta do embaixador Manuel Fernandes Pereira, dando conta da decisão do Presidente da República Jorge Sampaio, juntou-se depois o orgulho de colocar as insígnias da Ordem no melhor local que a União Portuguesa tem para as expor publicamente em permanência. E elas lá estão, no átrio da Sede, frente à vitrina das inúmeras taças que constituem o seu rico palmarés.

  Ficou assim reconhecida, de forma indelével, por proposta do então cônsul-geral João Laranjeira de Abreu – é sempre bom referir que há quem repare no mérito de instituições como a União Portuguesa, enquanto agente aglutinador da comunidade e centro de estímulo de participação cívica – a história de quem já tinha quatro décadas ao serviço da comunidade portuguesa e uma acção de interactividade com outras comunidades da sociedade sul-africana, nomeadamente por cedência das suas instalações sociais e desportivas. A União Portuguesa cumpria, assim, há muito, algumas das recomendações aprovadas em Abril de 2002, em Pretória, pelos participantes no III Congresso da Federação das Associações Portugue-sas da República da África do Sul.

  É um facto. A União Portuguesa tem obra feita e possui um brilhante historial de realizações nas áreas da educação, da cultura, da música, da recreação e do desporto. Como na ocasião destaquei, o agraciamento era merecido e constituía, sem dúvida, o prémio do trabalho das Direcções que ao longo de tantos anos geriram com muito equilíbrio, ponderação e sentido comunitário os destinos daquela Casa.

  A União Portuguesa tem prestado um inestimável serviço à Comunidade e o apoio ao movimento associativo na diáspora é um dever indeclinável do Estado português, do qual recebeu ao fim de 40 anos sob a forma de agraciamento honorífico os auxílios financeiros ou materiais que nunca antes lhe foram concedidos. Era uma distinção oficial que acrescia à Medalha de Valor e Mérito da Secretaria de Estado das Comunidades Portuguesas, atribuída em 1985 à colectividade de Turffontein. De assinalar que a obra da União já tinha sido reconhecida localmente, quando em 1978 o Governo sul-africano decidiu distingui-la com a designação de “instituição de utilidade pública”.

  Nas suas escolas muitas crianças aprenderam a ler e a escrever português e no seus campos muitos jovens desenvolveram as suas aptidões desportivas. Os imensos troféus conquistados são disso um testemunho bem vivo.

  No seu pavilhão coberto, erguido em 1971 e o primeiro daquela dimensão construído em toda a África do Sul, a Comunidade viveu horas de glória em torneios desportivos nacionais e internacionais e aplaudiu grandes cançonetistas do estrelato artístico português e brasileiro. Pelo seu palco passaram Roberto Carlos, Amália Rodrigues, António Calvário, Marco Paulo, Paco Bandeira, José Malhoa, José Cid, Toy, Jorge Ferreira e Linda de Sousa.
  Assumindo o associativismo como uma extraordinária escola de participação cívica e importante meio de exercer a cidadania, a União Portuguesa liderou a organização de várias comemorações do Dia de Portugal e foi nos seus terrenos, cedidos em boa hora à Associação Portuguesa de Pais e Amigos de Deficientes Mentais, que teve início a bem sucedida Feira da Lusitolândia.

  Em vésperas de um grande evento artístico – a actuação de Mariza no superpavilhão do Carnival City, onde a Diva do Fado se estreará sexta-feira na África do Sul num espectáculo que marcará inesquecívelmente as Bodas de Ouro da União Portuguesa -, os nossos parabéns vão para os dirigentes que formam a actual Direcção da União e que tiveram a felicidade de organizar os festejos desta efeméride e que o fizeram de forma tão brilhante.
  Para a história ficam os nomes dos incansáveis dirigentes José Valentim, Vitor Garrana e Carlos Borges – que investiram forte no programa das celebrações, a que se associou o comendador Fernando Marques -, bem apoiados pela dedicação dos veteranos Vitor Salazar, Francisco Gonçalves e Emílio Ramos.

  Parabéns unionistas!
   R. Varela Afonso